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Stelise. Uma solidão que nasce a dois

Stelise. Uma solidão que nasce a dois

Foto: DR
Cultura 1 2 min. 12.03.2019

Stelise. Uma solidão que nasce a dois

Nuno Ramos de Almeida
Atuam na sexta-feira no MooFest 2019, na Rockhal, a convite da mítica banda luxemburguesa que dá o nome ao festival e ultimam o seu segundo disco. Falamos com Elise Nunes e Steve Richer dos Stelise.

O Stelise começou de um encontro a dois. Steve Richer e Elise Nunes são um par na música e na vida. “As coisas misturam-se”, confessa Elise. “Eu escrevia sozinha no meu quarto, até que o Steve me propôs fazer as coisas em conjunto”. Começaram as coisas num outro grupo e nas primeiras férias juntos decidiram fazer num novo projecto. “Nessas férias, ele pegou na guitarra e disse-me: canta um pouco. Escrevi um texto e comecei a cantar. Tudo começou nesse momento”. Depois disso, decidimos juntar mais gente e fazer um grupo. “Começamos em outubro de 2016, e depois fizemos sair um álbum”, diz. As referenciais musicais ajudaram: “gostamos muito do Trip Hop e do rock psicadélico. O nosso guitarrista e baixista gosta muito de blues, o pai de Elise [que também faz parte do Stelise] gosta muito de Metal e o nosso pianista gosta de jazz , elenca Steve. É o que se chama uma sagrada mistura.

São três anos de grupo, estão a ultimar o seu segundo álbum. “Mais conceptual”, garante Steve. Apesar disso não vivem da música. “No Luxemburgo é muito difícil viver exclusivamente da música. Poucos o conseguem”, dizem. “Há o estatuto de intermitente que se pode obter e o estatuto de artista independente. Para o primeiro é preciso fazer cerca de 80 concertos por ano. O que é muito complicado. Os músicos que tiveram a coragem de fazer isso vivem com pessoas que ganham a vida de outra maneira ou estão ainda em casa dos pais”, explica Elise.

O primeiro disco foi importante. “Eu gosto de ter um CD, com uma bela capa. Há a Internet mas não substitui o disco. Para o fazer estivemos num estúdio durante uma semana e fizemos 13 temas”, recorda Steve. “Não saímos do estúdio e até cozinhávamos lá”, relembra Elise. O que faziam? “Muitas coisas” garantem os dois. “Numa noite fizemos gnocchis”.

As imagens de Elise falam na solidão e na incompreensão. Um dos primeiros temas do grupo, Elise tinha-o há muito tempo e fizeram uma canção quando se encontraram. “No primeiro disco, eu escrevi quase todas as músicas e e Elise todos os textos. No segundo disco vamos tentar envolver todo o grupo”, revela Steve. Os temas surgem quase naturalmente, por vezes Steve está a dedilhar uma melodia e de repente Elise começa a escrever para ela.

A sua música não é directamente política, embora haja temas que o sejam e os dois não escondem um empenhamento comum. Steve é de uma família comunista, que passou do avô, para o pai e para ele. Elise foi candidata do Partido Comunista Luxemburguês às legislativas e agora vai também estar na lista das europeias. Mas essas são outras músicas que dariam para uma outra conversa.   

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