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Steampunk. Viagem a um futuro mágico que nunca existiu
Cultura 4 min. 28.09.2019

Steampunk. Viagem a um futuro mágico que nunca existiu

Steampunk. Viagem a um futuro mágico que nunca existiu

Florin Balaban
Cultura 4 min. 28.09.2019

Steampunk. Viagem a um futuro mágico que nunca existiu

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
Esta sábado e domingo pode viver numa utopia tecnológica do tempo do Jules Verne, em Fonde-de-Gras.

Em “Vinte mil léguas submarinas” de Jules Verne, o professor Aronnax viaja pelos oceanos no Nauticus, um submarino movido a eletricidade. O escritor francês foi um dos pioneiros num novo género literário, a fição científica. Escreveu sobre viagens à lua e ao centro da terra e sobre aviões feitos a madeira. Sim a madeira, porque Verne previu o crescimento tecnológico do século XX a partir do que conhecia no século XIX e os progressos da Revolução Industrial. É neste mundo ficionado e utópico, como que uma viagem não tempo-espacial, que a localidade de Fond-de-Gras se teletransporta no próximo fim de semana para mais uma edição do “Anno 1900 – Steampunk – Convention Luxembourg”.

Durante os dois dias do evento, a localidade submerge-se num ambiente retro-futurista e peculiar chamado de steampunbk e que funde o romantismo da era vitoriana à tecnologia futurista, que afinal até se tornou real no século seguinte.

Baseado no universo e realidade de Verne e de outros escritores, o estilo steampunk socorre-se de madeira, metais, energia a vapor, tecidos como o couro, entre outros, como materiais essenciais para uso quotidiano. Muitas vezes tem um estilo exagerado, quase dantesco, mas noutras é subtil.

Em conversa com o Contacto, Fréderik Humbel, responsável pela convenção descortinou o universo steampunk e como a pequena localidade do sul do país se transformou num espaço de culto para os steampunkers europeus.

“Steampunk é tecnologia moderna de aparência antiga, onde o conceito STEAM (sigla inglesa que significa ciência, tecnologia, engenharia, arte e matemática), explica toda a essência do movimento”, explicou o organizador. Se falamos de tecnologia, falamos das pessoas que a usam e os steampunkers são punks com roupas vitorianas, com recursos a muitos acessórios, como chapéus, óculos e relógios e que no fundo “é um estilo de vestir romântico, clássico e até erótico”, resumiu Humbel. O estilo não se fica pelas roupas e acessórios e a há também uma norma de conduta na personalidade. Frédrik Humbel diz que “os steampunkers são educados, calmos e não passam a vida a correr ou em stress, até porque uma das máximas é mesmo “stop to run all the time” (“páre constantemente de correr”). É dentro de esta ideia de tempo que “o relógio se torna num objeto maior e valorizado no estilo, onde tudo leva o seu tempo e tudo é calmo”, continuou.

Questionado sobre a existência de steampunkers a tempo inteiro, Humbel garante que “só o são para este tipo de encontros, embora nas décadas de 70 e 80, dois artistas tenham conseguido viver em plena cidade de Nova Iorque dentro do verdadeiro conceito sem eletricidade ou tecnologia, há sim inúmeros artistas a fazerem steampunk”. Além da literatura, o steampunk tem espaço na música, artes plásticas, moda e design.

Um mundo de invenções e criações materializadas em madeira, metal, com design retro como hipotéticos computadores em madeira e pessoas trajadas de uma época que nunca existiu, num quase cyberpunk oitocentista londrino a lembrar também Sherlock Holmes e um programa cultural enquadrado no movimento do “punk ao vapor” (tradução portuguesa de “steampunk”) fazem-se ver na nona edição desta convenção “que deveria ter mudado de nome, porque já não é um convívio entre adeptos, mas é aberto ao público”, explicou Frédérik Humbel. Conquistou os steampunkers europeus e o público em geral e segundo o organizador são esperadas entre 10 a 12 mil visitantes nos dois dias, “um número muito superior às 400 ou 500 pessoas da primeira edição que foi muito básica”. Se os steampunkers franceses, belgas e alemães são em maior número, o público é mais generalizado. Questionado sobre a participação efetiva do público, o responsável garante que “à chegada sentem-se estranhos, mas depois mergulham e ficam maravilhados”no mundo utópico do steampunk. Há inclusive quem venha como visitante e repita no ano seguinte como steampunker. “Nunca houve más experiências”, diz.

Frédérik explicou que “a ideia surgiu entre um pequeno grupo de entusiastas e chegámos à conclusão que tínhamos o comboio e o espaço indicado, depois foi um surgir de oportunidades e hoje estamos a atingir a capacidade máxima”. O Luxemburgo tinha uma comunidade quase inexistente, mas tinha o espaço e os recursos.

Fond-de-Gras transformou-se como que numa capital europeia do movimento, muito por causa dos três edifícios antigos, o

parque que faz lembrar os jardins da época da Rainha Vitória, mas as minas e o comboio histórico tornam o encontro luxemburguês num dos mais importantes da Europa. A título de curiosidade, além deste apenas apenas Inglaterra e Alemanha têm comboios a vapor em funcionamento.

É mesmo neste comboio a vapor que a viagem pode começar. “A deslocação entre Pétange e Fond-de-Gras pode ser feita neste comboio numa experiência única, diferente e que é uma autêntica viagem no tempo”, explica Humbel. A circulação do comboio a vapor é interrompida na época de inverno e esta convenção é um end of season.

Além das performances com oito espetáculos à estreia no Luxemburgo (apenas um fotógrafo francês que trabalha com vidro é repetente), há um mercado de época, que atingiu já a capacidade máxima de vendedores, onde se pode encontrar todo o tipo de adereços steampunk.

Das 11h às 18 no próximo sábado e domingo, dias 28 e 29 em Fond-de-Gras.

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