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Spectre: Bond na idade adulta
Cultura 3 min. 18.11.2015 Do nosso arquivo online

Spectre: Bond na idade adulta

O 007 é tão acalorado que viaja melhor com o pára-brisas partido

Spectre: Bond na idade adulta

O 007 é tão acalorado que viaja melhor com o pára-brisas partido
Foto: Jonathan Olley
Cultura 3 min. 18.11.2015 Do nosso arquivo online

Spectre: Bond na idade adulta

Todos os homens são fãs de James Bond. Porque todos gostariam de ser como ele. As mulheres são quase todas fãs de James Bond. As que não são é porque não viram nenhum filme do agente secreto mais famoso do mundo.

Todos os homens são fãs de James Bond. Porque todos gostariam de ser como ele. As mulheres são quase todas fãs de James Bond. As que não são é porque não viram nenhum filme do agente secreto mais famoso do mundo.

Todos os homens gostariam de ter aquela mistura de “coolness” e coragem, de força e elegância, e de tantas coisas que não caberiam neste espaço.

Nos dias que correm, um agente secreto também sofre com a crise. A tecnologia deixa imaginar que os computadores, as câmaras e muitos outros “gadgets” podem controlar os inimigos da coroa britânica que James tem servido durante décadas. “Spectre” começa justamente no momento em que a carreira dos agentes secretos à moda antiga está para acabar. As autoridades britânicas estão a preparar um mega-projecto de controlo informático de quase todo o planeta em conjugação com as grandes potências mundiais.

“Spectre” é um filme de acção fascinante que volta a reunir Daniel Craig e o luso-descendente Sam Mendes, brilhante realizador que tinha assinado o anterior James Bond. Um dos melhores de sempre e, certamente, o mais completo da era Craig.

Mendes parece decidido a esgravatar a vida difícil e dramática de Bond, indo mesmo buscar personagens antigas que ajudam a explicar o Bond actual.

O filme começa no México e – com bastante originalidade – arranca com uma quase cena de sexo. Quase porque no momento em que 007 entra no quarto de hotel com uma amiga é obrigado a dar um saltinho ao telhado do prédio ao lado para matar um mau-da-fita. Assim começam cinco minutos vertiginosos que dão o tom para o resto da película.

Claro que não falta o aspecto “globe-trotter” de todos os filmes do agente secreto: Tânger, Roma, Áustria, México são alguns dos locais por onde passa 007.

Sam Mendes não desperdiçou nada daquilo que aprendeu e criou em “Skyfall”. Para obter o resultado positivo de “Spectre” recorreu à imagem de Hoyte van Hoytema, o responsável pela fotografia de “Interstellar”, que consegue tornar bonitas até as cenas que se passam num beco sujo. O mau-da-fita em “Spectre” é Franz Oberhauser, personagem que tem a sorte de ser encarnada por Christoph Waltz. Para os mais distraídos, Waltz é o homem que deu corpo a um dos vilãos mais inesquecíveis do cinema no filme de Quentin Tarantino “Inglourious Basterds”. E como sempre, Waltz não recupera nada dos seus papéis anteriores: em “Spectre”, a sua bagagem linguística ajuda imenso o efeito realista, mas Franz Oberhauser nem sequer precisa de falar para mostrar o seu poder. Na primeira cena em que a personagem aparece, o espectador já tem a certeza de que o homem é pequenino mas perigoso.

Como não há Bond sem “girls”, o filme de Sam Mendes conta duas principais: a italiana Monica Belucci e a francesa Léa Seydoux.

Belucci é Lucia Sciarra, a viúva de um assassino que Bond mata na Cidade do México. Apesar da difícil história entre ambos, a bela italiana não resiste ao charme do agente. As más línguas entretiveram-se a fazer contas: parece que Belucci é a mais velha “Bond girl” de sempre. E depois?

Léa Seydoux regressa a um tipo de filme que conhece bem e que a tornou famosa fora do seu país. Depois de ter sido uma assassina sem coração em “Mission: Impossible – Ghost Protocol”, a francesa em “Spectre” é psicóloga e vai ser essencial no desenrolar da história. Seydoux ficará para a História dos Bond como uma personagem feminina muito forte que assegura um belíssimo contraponto com Daniel Craig.

Fica na retina a personagem de Mr. Hinx. Dave Bautista interpreta esta personagem brutal com inspiração no passado. Mr Hinx é um “ajudante” daqueles que falam pouco mas que não precisa de dizer nada – tal como o chefe Oberhauser – para mostrar que é mau como as cobras, e nem sequer usa armas para matar: as suas mãos são suficientes.

Ralph Fiennes tomou conta do lugar de Judy Dench perfeitamente. Este novo M também tem dificuldades em controlar o agente secreto que em cada novo filme parece mais humano, apesar da sua sorte quase sobrenatural. O regresso ao passado e as revelações sobre a infância de James Bond ajudam a construir uma personagem cada vez mais completa de que nós, mulheres e homens, vamos continuar a gostar.

Raúl Reis

“Spectre”, de Sam Mendes, com Daniel Craig, Christoph Waltz, Lea Seydoux, Ralph Fiennes, Ben Whishaw, Andrew Scott e Naomie Harris.


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