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Som energético de Flávia Coelho na Kulturfabrik
Flávia Coelho traz a sua música explosiva e interventiva à Kulturfabrik.

Som energético de Flávia Coelho na Kulturfabrik

Foto: Anouk Antony
Flávia Coelho traz a sua música explosiva e interventiva à Kulturfabrik.
Cultura 2 min. 28.02.2018

Som energético de Flávia Coelho na Kulturfabrik

Atua no próximo sábado, na Kulturfabrik, em Esch-sur-Alzette. Antes de subir ao palco, a brasileira Flávia Coelho falou ao Contacto das suas ideias e lutas, da visão do mundo que tem e da música que faz.

Ser brasileira, natural do Rio de Janeiro, de origem nordestina e a residir em Paris, faz de Flávia Coelho “uma cidadã do mundo”, como a própria afirmou ao Contacto. Se dúvidas houvesse, resta ouvir os três álbuns da cantora – Bossa Muffin, Mundo Meu e o mais recente Sonho Real – para viajar por uma miscelânia de sonoridades do mundo nas quais prevalecem as jamaicanas.

A música da jovem é alegre, cheia de ritmo e como que uma explosão de energia e de cor. Flávia Coelho é mais que bossa nova – é ska, reggae, dub e folk. É uma descoberta de riffs a cada tema, com letras – para os ouvidos mais desantentos podem ser entendidas como composições anárquicas – reinvindicativas e que denunciam as disparidades do Brasil. É música de gueto e rap ou não tivesse crescido no meio da violência. aliás, a sua música só faz sentido porque “há veracidade nas palavras e nas letras”.“Canto as dificuldades da favela e da vida, mas também amor e espiritualidade, como que a pedir às pessoas para se ligarem e manterem atentas”, explicou a artista de sorriso fácil e envolvência contagiante. Canta a discriminação dentro da sociedade brasileira, uma realidade que conhece bem. “Há preconceito em relação aos nordestinos e eu tenho de falar disso”, defendeu.

A mudança para a Europa deu-se em 2011, ano em que editou o primeiro disco. A vinda para o Velho Continente deu-se de “mochila às costas, sozinha, à procura de aventura e de maneiras para crescer enquanto mulher e enquanto artista”, contou.

Nunca quis fazer apenas música de tradição brasileira. A mudança deu-se porque queria “viajar por estilos, comer o mundo e aprender a ser a Flávia”, indicou. Sem medos, vive da sua música e é independente. Aliás, na conversa com o Contacto, Flávia Coelho denunciou as dificuldades em ser mulher no seu meio. “A mulher tem de trabalhar o dobro para demonstrar ter o mesmo valor e obviamente que a minha música tem de denunciar também estes casos de discriminação”, explicou.

Em jeito de despedida, a brasileira mostrou o seu entusiasmo em ter sido convidada para atuar no festival de jazz de Montreux, na Suiça, no ano passado, um dos eventos musicais de maior referência no mundo. Com a uma visão entusiástica e um modo muito próprio de viver, Flávia assumiu que está a passar pelo seu próprio “sonho real” [nome do último trabalho].

Sábado, 3 de março, às 20h, na Kulturfabrik. Os bilhetes custam 18 euros em pré-venda e 22 euros ao balcão.

Vanessa Castanheira