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Óscares 2021. Hollywood entre covid e confissões
Cultura 3 min. 30.04.2021

Óscares 2021. Hollywood entre covid e confissões

Óscares 2021. Hollywood entre covid e confissões

Foto: AFP
Cultura 3 min. 30.04.2021

Óscares 2021. Hollywood entre covid e confissões

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Na noite dos Óscares, como em qualquer outro evento de prémios deste tipo, há sempre vencedores, aqueles que deviam ter sido vencedores e aqueles que nós preferíamos que vencessem.

Na noite dos Óscares, como em qualquer outro evento de prémios deste tipo, há sempre vencedores, aqueles que deviam ter sido vencedores e aqueles que nós preferíamos que vencessem.

Este fenómeno acontece nos festivais de cinema, em concursos de misses, em eventos literários e todas as competições não objetivas. Todas as escolhas subjetivas são isso mesmo... subjetivas. É por essa razão que os prémios deste género deixam muita gente feliz, mas também muita gente zangada a gritar “injustiça!”.

A noite para mim começou bem. Sou um imenso fã de “Promising Young Woman”, o filme que Emerald Fennell escreveu e realizou é uma história surpreendente sobre a qual escrevi neste espaço há uma semana. A inglesa, extremamente grávida, recebeu o primeiro Óscar da noite, destinado ao melhor argumento original.

Logo a seguir, o meu filme estrangeiro preferido levou o prémio para a Dinamarca. “Drunk” de Thomas Vinterberg é uma obra brilhante sobre a vida e sobre estar-se a marimbar para as consequências das decisões mais parvas.

A noite foi esquisita por causa da pandemia. Pouca gente, muitos presentes apenas por vídeo e um ambiente no mínimo estranho. A realização de Steven Soderbergh deixava antecipar maravilhas mas foi apenas diferente. Não havia ovos suficientes e o realizador não conseguiu uma omelete saborosa.

Esta foi a 93.ª edição dos Óscares, que já deveria ter acontecido no final de fevereiro, mas acabou por ser empurrada para abril por causa da covid-19. A cerimónia aconteceu no Dolby Theatre, com audiência muito limitada, no edifício da estação de comboios Union Station, em Los Angeles, e noutros locais internacionais via satélite, sobretudo para trazer à festa alguns dos nomeados.

Com "Mank" a liderar as nomeações com 10 possibilidades, esperava-se que a obra dirigida por David Fincher acabasse a noite com uma bela lista de estátuas douradas. A noite acabou e dois prémios de consolação foram entregues a esta excelente película: Melhor Cenografia e Melhor Direção de Arte.

As últimas semanas tinham demonstrado que "Nomadland" se destacava como favorito, e assim foi. O filme de Chloé Zhao, indicado para sete estatuetas, tinha acabado de arrecadar quatro prémios Spirit, os chamados Óscares do cinema independente: melhor filme, melhor realização, melhor montagem e melhor fotografia.

Protagonizado por Frances McDdormand, o filme conta a história de uma mulher que viaja pela América como nómada, vivendo numa caravana, trabalhando em empregos temporários e sobrevivendo na estrada, num contexto de crise económica.

Embora “Nomadland” seja uma ficção, a obra assenta em testemunhos reais de norte-americanos que vivem na estrada, sempre em movimento, numa comunidade nómada envelhecida e quase marginal.

Chloé Zhao, sino-americana, é a primeira mulher asiática nomeada para os Óscares, e a segunda realizadora a obter o Óscar do melhor filme. Apesar da sua conquista, as autoridades chinesas não ficaram contentes e tentaram ignorar o feito. Numa entrevista em 2013, a realizadora tinha declarado que na China "há mentiras por todo o lado". O comentário foi recuperado nas redes sociais, com internautas nacionalistas a acusarem Zhao de traição.

O Óscar de Melhor Ator foi atribuído a Anthony Hopkins pelo fabuloso desempenho em "The Father", do francês Florian Zeller. Para o Óscar de Melhor Atriz estavam nomeadas Carey Mulligan ("Promising Young Woman"), Frances McDormand ("Nomadland"), Viola Davis ("Ma Rainey"), Vanessa Kirby ("Pieces of a Woman") e Andra Day ("The United States vs. Billie Holiday"). Frances McDormand acabou por vencer.

Daniel Kaluuya conquistou o Óscar de Melhor Ator Secundário, pelo trabalho em "Judas and the Black Messiah", enquanto que a coreana Yuh-Jung Youn recebeu o de Melhor Atriz Secundária, pelo desempenho em "Minari", de Lee Isaac Chung.

A atriz nascida na Coreia do Norte que protagoniza o filme de Lee Isaac Chung, declarou-se contrária ao espírito competitvo e, num divertido discurso de aceitação do Óscar, interrogou-se como podia comparar-se a Glenn Close, que teve este ano a sua oitava nomeação.

Mas o discurso emocional do ano – e que ficará nos anais dos Óscares – foi o de Thomas Vinterberg, que conquistou com “Drunk” o prémio para Melhor Filme Estrangeiro. O dinamarquês contou a morte da sua filha de 19 anos num acidente de automóvel na Bélgica, durante a primeira semana de rodagens. O realizador dedicou a obra à filha e protagonizou o momento mais marcante de um evento cinzento.

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