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Óscares 2014: O ano do Luxemburgo
A curiosa personagem que tornou possível um Óscar para o Luxemburgo

Óscares 2014: O ano do Luxemburgo

A curiosa personagem que tornou possível um Óscar para o Luxemburgo
Cultura 4 min. 05.03.2014

Óscares 2014: O ano do Luxemburgo

2013 foi um bom ano para o cinema. As primeiras pulsações desta colheita, que viria a ser exemplar, foram sentidas em Berlim, naquele que é o primeiro grande festival do ano. Cannes viria a confirmar a tendência de qualidade de 2013 com uma selecção cheia de pérolas.

Os Óscares atribuídos em 2014 recompensam os trabalhos desde ano tão interessante – sobretudo no que ao cinema americano diz respeito – e, por isso, tinham uma missão quase impossível. Não é fácil recompensar toda a gente e as nomeações deixam sempre grandes filmes de fora.

Entre os "esquecidos" desta edição dos Óscares está, por exemplo, um filme com um cheirinho a Portugal, "The Butler". A obra de Lee Daniels contou com a música de Rodrigo Leão e facturou mais de 110 milhões de dólares, mas não apareceu na lista dos nomeados, apesar de contar também com um elenco cheio de estrelas.

"Saving Mr. Banks", com Emma Thompson e Tom Hanks, foi outro dos trabalhos ausentes dos Óscares 2014, contando com excelentes interpretações destes dois grandes actores, como foi também o caso de "All is Lost", com Robert Redford como protagonista.

Este será sobretudo um ano de grandes filmes mas sobretudo de imensos momentos de actores inspirados.

Dos cinco nomeados para melhor actor, qualquer um poderia ter saído vencedor, tão elevada era a qualidade dos papéis, dos filmes e das interpretações. Christian Bale, Leonardo DiCaprio, Chiwetel Ejiofor, Matthew McConaughey e mesmo Bruce Dern. Mas os papéis secundários não ficaram atrás, sobretudo com o brilhante e irreconhecível Jared Leto. Os Óscares acabaram por premiar os actores que assinaram um mano-a-mano inesquecível em "Dallas Buyers Club", McConaughey e Leto. Este último assinou um dos momentos fortes da noite dos prémios da Academia, ao fazer um discurso que foi um misto de político-social e privado.

Entre as actrizes, a multirrepetente Meryl Streep poderia ter sido consagrada sem chocar ninguém, mas confirmou-se o favoritismo de Cate Blanchett pela sua interpretação em "Blue Jasmine" de Woody Allen. Obviamente, o realizador não pôs os pés no Dolby Theatre, atitude que sempre assumiu. A melhor actriz secundária acabou por ser a jovem queniana Lupita Nyong'o pela sua interpretação fabulosa em "12 Years a Slave".

E foi exactamente "12 Years a Slave", de Steve McQueen, que acabou por fazer História, ao obter o Óscar para o melhor filme. É a primeira vez que uma obra realizada por um homem de cor obtém o galardão para o melhor filme.

Alfonso Cuarón foi consagrado melhor realizador, mas os restantes seis prémios para "Gravity" são sobretudo técnicos: Melhor Fotografia, Montagem, Banda Sonora Original, Efeitos Visuais, Edição de Som e Mistura de Som. A película do mexicano é um festival de efeitos especiais e de criatividade que tem a virtude de utilizar todos os meios técnicos para fazer sobressair as suas personagens humanas e dar importância ao trabalho dos actores.

Curiosamente, Brad Pitt ganhou o primeiro Óscar da sua carreira, não como actor mas como um dos produtores de "12 Years a Slave", que conquistou o Óscar de Melhor Filme. Esta história verídica venceu ainda as estatuetas de Melhor Argumento Adaptado, para John Ridley, e Melhor Actriz Secundária, para Lupita Nyong'o.

O sempre original Spike Jonze confirmou o favoritismo ao ganhar o seu primeiro Óscar pelo argumento original de "Her", e Paolo Sorrentino também não frustrou as expectativas, ao subir ao palco para aceitar a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro pela Itália, por "La Grande Bellezza".

Tanto Portugal como o Luxemburgo tinham esperanças nesta cerimónia.

Portugal sonhou através do emigrado Daniel Sousa que criou "Feral", uma bela história de um miúdo que é criado no meio dos lobos. Uma curta-metragem de animação que viu o Óscar ser entregue a um filme que é uma co-produção do Grão-Ducado com a França.

O Luxemburgo tinha dois candidatos na animação: "Ernest & Célestine" nas longas e "Mr. Hublot" nas curtas. Foi este trabalho de Laurent Witz e Alexandre Espigares, inspirado visualmente nas esculturas de Stéphane Halleux (e certamente no Monsieur Hulot de Jacques Tati) que conseguiu um Óscar para o Luxemburgo.

A curta-metragem de animação de Witz e Espigares conta a história de um homem que, num mundo de robôs, adopta um cachorrinho que vai completamente mudar o seu quotidiano. Laurent Witz recebeu o prémio no meio de grande excitação da representação luxemburguesa e agradeceu à Academia o facto de premiar também as curtas-metragens e os filmes de animação. "Mr Hublot" é o primeiro filme dos dois co-realizadores.

Raúl Reis