Escolha as suas informações

Sábado: Uma mão cheia de artistas no Portugal Pop
Cultura 9 min. 25.09.2014

Sábado: Uma mão cheia de artistas no Portugal Pop

Sábado: Uma mão cheia de artistas no Portugal Pop

Tiago Bettencourt
Cultura 9 min. 25.09.2014

Sábado: Uma mão cheia de artistas no Portugal Pop

Olavo Bilac, Tiago Bettencourt, Manuel João Vieira, Kika Santos e João Grande são os nomes do cartaz do 5° Festival Portugal Pop, que Esch-sur-Alzette recebe no sábado.

Mais uma vez é a Kulturfabrik de Esch que recebe o Festival Portugal Pop, que vai já na quinta edição. O certame abre portas no sábado, dia 27 de Setembro, às 19h, e os artistas sobem ao palco às 21h30.

Para Olavo Bilac, que participou também na primeira edição do festival em 2010, é um regresso ao Luxemburgo, onde já actuou diversas vezes, a solo e com os Santos e Pecadores.O festival marca também o regresso ao Grão-Ducado de João Grande, que se lembra de ter passado por cá no início dos anos 80 com os Táxi.

Olavo Bilac

Para Tiago Bettencourt (ex-Toranja, actualmente nos Mantha), é uma estreia, bem como para Kika Santos (ex-Blackout) e Manuel João Vieira (Ena Pá 2000, Irmãos Catita e Corações de Atum).

João Grande vem ao festival recordar os grandes sucessos dos Táxi, como “Chiclete”, “Cairo” “TV-WC”. Olavo Bilac conta presentear o seu público com algumas canções do seu novo álbum, “Músicas do Meu Mundo” (2014), onde regressa às suas origens (nasceu em Moçambique, filho de pais cabo-verdianos), e mistura samba, bossa nova, morna, semba, fado e baladas.

A luso-angolana Kika Santos traz também um cocktail mesclado de nu-soul, com algum jazz à mistura, hip hop e R&B. Manuel João Vieira vai brindar o público com as músicas mais emblemáticas das suas três bandas, mas também traz na bagagem algumas composições a solo. Antes do festival, falámos com dois dos cinco artistas, Manuel João Vieira e João Grande.

João Grande começa por evocar a sua primeira e única actuação no Grão-Ducado, vai para mais de 30 anos. “Esta é a segunda vez que visito o Luxemburgo. A primeira vez foi em 1982/83, já não me lembro ao certo, com os Táxi, claro. Mas o que lembro bem foi o local, um pavilhão desportivo, completamente à cunha, o que nos proporcionou uma noite fantástica”.

Depois de uma pausa de três anos nos concertos, mas 16 sem novos álbuns, os Táxi regressaram aos palcos em 2006, voltaram a compor e lançaram um novo álbum, “Amanhã”, 22 anos depois do seu último disco, quando se assinalavam os 30 anos da banda. “O nosso último álbum de originais saiu em 2009, de nome ’Amanhã’, de onde foi extraído o single ’Não sei se sei’. Andámos em digressão pelo país durante 2010, sendo o concerto de apresentação do CD no Coliseu do Porto. Nesse mesmo ano, a editora lançou uma nova colectânea [a teceira, n.d.R.], de seu nome ’Ontem’”, recorda o cantor, acrescentando que depois desse ’come back’, “os Táxi estão, neste momento, mais uma vez em ’stand-by’”.

Os Táxi recordam os temas que fizeram deles uma banda de culto
Os Táxi recordam os temas que fizeram deles uma banda de culto
Foto: Táxi

Enquanto isso, João Grande desenvolve outros projectos. “Pessoalmente, nunca achei piada a carreiras a solo, preciso sempre de estar em contacto e fazer parcerias com outros músicos. Neste momento, o que mais me ocupa é a minha nova banda, ’Os Porto’. Lançámos o nosso primeiro álbum, ’Persicula Cingulata’, em 2012, de onde foi extraído o single ’Para sempre’, que não teve o apoio das principais rádios, mas mesmo assim demos cerca de 20 concertos em 2013. Agora, estamos a ultimar um novo trabalho, a sair em 2015. Os Porto sou eu e o Rui Taborda, o viola baixo dos Táxi”. Rui Taborda acompanha João Grande desde a sua primeira banda, os Sticky Fingers, em 1972. Só depois viriam os Pesquisa, que depois mudariam o nome para Táxi (1979).

Quando perguntamos a este veterano, com 42 anos de carreira, como vê o estado actual da música portuguesa, João Grande diz que “nunca esteve tão boa e vibrante, de todos os quadrantes e de todos os géneros”.

“Basta ver a enxurrada de novos fadistas que há agora, quase todos fabulosos. Na minha área, também não param de aparecer novos valores, o Porto continua a ser o berço de muitos, como, por exemplo, os We Trust, Azeitonas, Capicua, Miguel Araújo, Dealema”.

Na conversa com  Manuel João Vieira, começamos por querer saber por onde andam as suas três bandas da vida airada. “Gravei o último álbum dos Ena Pá já há dois anos (’Bronco’), onde tivemos parcerias com o Tim e o Rui Reininho. Agora, estou a acabar a gravação do próximo disco de Os Irmãos Catita Acho que se é verdade que me disperso um pouco, também é verdade que a variedade dos diferentes projectos me dá pica”, confia, evocando ainda outras parcerias. “Desenvolvi um projecto há anos, com o  lendário maestro Shegundo Galarza, do qual nasceu um disco muito curioso [em 2008, n.d.R.] e foi onde apareceu pela primeira vez o nome Corações de Atum.”

Ao CONTACTO, adianta também que além do novo álbum dos Irmãos Catita, o próximo passo é uma composição própria.   “Depois do disco dos Catita vou gravar um álbum a solo. As músicas estão feitas e falta acabar as letras. Em princípio terão arranjos do Filipe Melo, que é um grande pianista e realizador, e que fez parte da primeira formação dos Corações de Atum, onde estão músicos de jazz do melhor que há em Portugal, como o Nuno Ferreira ou o Rui Caetano”.

Manuel João Vieira

Não resistimos em recordar com Manuel João a sua candidatura à Presidência da República em 2011, que não obteve as 7.500 assinaturas necessárias para ser um dos nomes a figurar nos boletins de voto. Na altura, Manuel João dizia à revista Blitz que a sua candidatura tinha como objectivo “trazer mais absurdo, mais estupidez, mais infantilidade, mais palhaçada” à campanha eleitoral de então. Mais do que uma acção política, a sua candidatura era um “statement” e uma crítica à classe política.

Perguntamos-lhe se no estado actual em que se encontra Portugal, o artista não sente um “apelo superior” para se voltar a candidatar a Belém. A resposta mostra bem o que Manuel João pensa dos políticos. “Superior e inferior. Acho que depois do próximo disco tenho que começar a compor canções da ’Revolução Vieirista’. Portugal tem que ser salvo de si próprio e dos seus credores. O governo não passa de uma equipa que gere as relações públicas das grandes empresas para com os eleitores. Existe comunismo para os grandes capitalistas, que recebem do estado o dinheiro dos contribuintes, e fascismo fiscal para os portugueses que não fazem parte da pequena percentagem dos mais ricos. Vivemos presentemente num regime tipo ’Big Brother’ de nazismo fiscal e de controlo mental a partir dos centros mediáticos que fornecem programas imbuídos de uma estupidez  paralisante. Mas enquanto há Vieira há esperança. Os nossos líderes são anões, mas Portugal é um gigante adormecido e só precisa do abanão certo para se levantar”.

Enquanto a Revolução Vieireista não eclode, disfrutemos da música de Manuel João Vieira no sábado no 5° Festival Portugal Pop.

Kika Santos: "A minha música é, tal como eu, um valente cruzamento"

Já depois da saída da edição papel do jornal CONTACTO, conseguimos também chegar à conversa com Kika Santos, que começa logo por dizer que está "muito feliz por me ter sido feito o convite para participar no Portugal Pop".

"Espero que seja a primeira de muitas que hão-de vir! Vou de coração aberto e levo comigo na bagagem 'Art Beats From The Heart', o meu mais recente projecto, que veio dar continuidade à minha carreira a solo, desde 'Ouro Azul' [o primeiro álbum a solo, 1999/2000, ndR]. Ah, e a promessa de que vou, conjuntamente com os In/Out, fazer uma festa memorável!"

Kika Santos

Kika Santos explica-nos também a sua trajectória desde o seu segundo álbum a solo "Loopless" (2003), onde explorou novas sonoridades. "[O álbum] 'Art Beats From The Heart' é distinto de 'Loopless', que é um projecto meu, anterior a este. 'Art Beats' é um trabalho conjunto com o meu querido colega de banda, Hugo Novo. Durante o próximo ano, arrancaremos com a gravação de um novo álbum. Até lá, continuarei as gravações de 'Art Beats From The Heart'. Está para breve a edição do novo EP. Para muito breve mesmo", promete a cantora.

Kika revela também que viaja voluntariamente fora do seu estilo musical, o soul.

"O género de música soul é a minha casa. Mas na minha casa existem várias divisões e espaços para os mais variados estilos. Há espaço para o jazz, R&B, pop, electrónica, rock, fado, etc... e há inclusivamente espaços comuns onde todos estes estilos se cruzam. Em português ou inglês. Assim é a minha música. Tal como eu...um valente cruzamento. E gosto de fazer colaborações com outros artistas. Normalmente, quando me convidam para colaborar, é com prazer que o faço. É bom poder partilhar o nosso cunho pessoal com outros. A música assim ganha mais cor e mais vida. A música torna-se assim numa belíssima partilha. As mais recentes colaborações que fiz, foram com Orelha Negra (mixtape2) e com Orlando Santos, no tema 'For Real'. Vou também colaborar brevemente com Mourah".

O público do Luxemburgo aguarda por Kika, Olavo Bilac, Tiago Bettencourt, Manuel João Vieira no sábado, em Esch/Alzette. O cocktail musical promete uma grande noite.

A acompanhar os artistas vai estar, como sempre, a banda residente IN/OUT, liderada por Pedro Bray, que faz parte da organização do festival.

Os bilhetes continuam em pré-venda ao preço de 20 euros. Mais informações pelos tel. 621636406 e 691513740 (ou no site www.portugalpop.com).

José Luís Correia


Notícias relacionadas