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Rusty Boys: Sociologia luxemburguesa para distraídos
“Rusty Boys” é uma lição para aqueles que pensam que todos os luxemburgueses são milionários e que só os estrangeiros sofrem e passam por dificuldades financeiras.

Rusty Boys: Sociologia luxemburguesa para distraídos

“Rusty Boys” é uma lição para aqueles que pensam que todos os luxemburgueses são milionários e que só os estrangeiros sofrem e passam por dificuldades financeiras.
Cultura 08.02.2017

Rusty Boys: Sociologia luxemburguesa para distraídos

Andy Bausch é o realizador que tem enchido as salas de cinema luxemburguesas com filmes destinados ao grande público. Bausch é ainda o cineasta oficial dos marginalizados, dos mais pobres e daqueles que não encontram o seu lugar num Luxemburgo rico, moderno e tecnológico.

Andy Bausch é o realizador que tem enchido as salas de cinema luxemburguesas com filmes destinados ao grande público. Bausch é ainda o cineasta oficial dos marginalizados, dos mais pobres e daqueles que não encontram o seu lugar num Luxemburgo rico, moderno e tecnológico. “Rusty Boys” é um filme fiel a essa temática e uma lição para aqueles que pensam que todos os luxemburgueses são milionários e que só os estrangeiros sofrem e passam por dificuldades financeiras. Bausch mostra um grupo de luxemburgueses “de gema” completamente desintegrado e com problemas de dinheiro.

Os heróis de “Rusty Boys” são Nuckes, Fons, Lull e Jängi. O primeiro é o mais jovem do grupo, pois conta “apenas” 65 anos e ainda trabalha: Nuckes é guarda no lar onde vivem Lull e Fons. Apesar da idade, os protagonistas de “Rusty Boys” andam sempre a preparar alguma, incluindo atividades que não são propriamente legais. Um dia são apanhados e decidem arranjar um sítio diferente onde viver. Os três sonham com uma espécie de casa para idosos, diferente de todas as outras. Ao grupo inicial junta-se então Jängi, que vive sozinho numa cabana.

Andy Bausch consegue criar um filme cheio de momentos divertidos mas que pretende ser uma crítica ao Luxemburgo dos nossos dias. Obviamente, a forma como a sociedade trata os idosos é o ponto focal do filme, mas o realizador não perdoa a mania das grandezas de muitos luxemburgueses, incluindo dos políticos do Grão-Ducado.

A escolha da zona sul do país para a ação de “Rusty Boys” não é um acaso. Bausch é fã da região do Minett, que apelida de “triângulo de ouro”. Nesse espaço ele coloca estes homens deserdados pela sorte, acrescentando ao grupo de quatro amigos dezenas de personagens curiosas e interessantes que valem como análise sociológica de um país tão variado e díspar.

Raúl Reis

“Rusty Boys” de Andy Bausch, com André Jung, Marco Lorenzini, Paul Greisch, Fernand Fox, Josianne Peiffer, Monique Reuter e Rita Reis.

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