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Rui Daniel Silva. O luxemburguês que palmilhou o mundo
Cultura 3 min. 10.05.2019

Rui Daniel Silva. O luxemburguês que palmilhou o mundo

Rui Daniel Silva. O luxemburguês que palmilhou o mundo

Foto: DR
Cultura 3 min. 10.05.2019

Rui Daniel Silva. O luxemburguês que palmilhou o mundo

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
“Crónicas à volta do mundo”, de Rui Daniel Silva, é um livro que descortina o planeta através da experiência de viagens do autor. O viajante tem encontro marcado nesta sexta-feira às 19h no Café littéraire Le Bovary.

 “Crónicas à volta do mundo” é o relato das experiências do autor, nascido no Luxemburgo, enquanto mochileiro solitário. Uma vivência caminhada por mais de 140 países que agora passa para papel.

Rui Daniel da Silva compilou em “Crónicas à volta do mundo” histórias humanas e culturais sem se preocupar em descrever as paisagens. Experiências pelos cinco continentes, de mochila às costas, na maior parte das vezes de bicicleta e a pernoitar sempre que possível em casa particulares, no meio de tribos ou numa tenda no meio do nada.

Dos mais de 140 países visitados, há um que Rui Daniel Silva tem a preocupação em falar e em quebrar tabus e ideias erradas. Em conversa com o Contacto, o viajante garantiu que o Irão foi um dos países que mais o surpreenderam muito por causa do acolhimento e do lado humano dos iranianos. “Não podemos confundir e achar que o povo iraniano é terrorista, porque não é”, garantindo ainda que “são dos povos mais hospitaleiros, curiosos e que querem conhecer os ocidentais”. 

Uma preocupação que lhe deu urgência para escrever: “Em março, estive no Luxemburgo e apercebi-me que tenho alguns amigos com ideias falsas sobre os países com cultura muçulmana, por isso, também, esta junção de crónicas para separar o trigo do joio: não é por ter sido agredido ou roubado num país muçulmano que vou generalizar que todo um povo é violento.” 

Em muitos países muçulmanos, como o Iraque e o Paquistão, Rui Daniel Silva foi bem recebido. Ou no Sudão, país em que a situação humanitária é desesperada, o viajante conta como o convidaram “a prolongar a estadia”. “Engraçado que nós ocidentais não deixamos o nosso trabalho por causa de turistas ou viajantes, mas eles fazem-no, acompanham-nos e mostram-nos o que de melhor têm”, recordou.

A resposta à pergunta “de onde és?” parece ser um carimbo de livre trânsito por onde viaja, muitas vezes a conta do táxi fica por conta do próprio condutor.

Sorrisos de uma felicidade momentânea

Ao longo destes cerca de 13 anos de viagens, Rui Daniel Silva cruzou-se com crianças de sorriso franco e que o Ocidente teima em acreditar ser eterno. Não o é. Rui Daniel da Silva garantiu que “em África as pessoas não são tão felizes como nos aparecem nas fotografias. Ficam felizes com a atenção que lhes damos, com um abraço ou uma pequena lembrança. É uma felicidade efémera do carinho que recebem”.

Foi com esta consciência das carências e da possibilidade de ajudar a melhorar a vida dos outros, que Rui Daniel Silva, professor de piano, viu a oportunidade de retribuir o carinho com que tem sido acolhido. O professor tem dado aulas de música a crianças de todo o mundo. Na aldeia de Gungo, em Angola, ofereceram-lhe um teclado para ele poder dar aulas. “Claro, sem eletricidade, o teclado teve de ser ligado ao isqueiro do carro, mas houve música”, contou. Houve inclusive um menino que “caminhou durante dois dias para assistir às aulas de música. Além das maracas, eles não conheciam mais nada”.

Também em Nairobi, no Quénia, Rui Daniel Silva conseguiu um teclado para dar aulas. Em junho parte para concluir a Rota da Seda e está prevista nova viagem ao Bangladesh, onde está a participar num projeto com a Fundação Maria Cristina que tem por objetivo dar meios para a concretização dos sonhos das crianças de um bairro da capital.

Todas estas histórias estão agora compiladas neste primeiro livro do professor de música, mas “Crónicas à volta do mundo” conta também as dificuldades de um viajante solitário com as situações de corrupção que passou, a fome, as condições meteorológicas extremas, a falta de água potável. “Incrível como as pessoas que não têm as necessidades básicas satisfeitas”, mas ainda assim são capazes de se entregarem à vida e têm tanta curiosidade sobre quem vem de fora como os viajantes, admira-se o professor e, também, viajante.

Com 41 anos, Rui Daniel Silva é professor de música na Orfeu em Leiria, ou pelo menos era, porque depois de uma licença sabática que termina agora, o viajante decidiu despedir-se e continuar as suas viagens pelo mundo. Nasceu e viveu no Luxemburgo até aos 15 anos, país com um qual ainda tem grande afinidade e onde vai apresentar este seu livro.  



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