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Rodrigo Leão traz novo projeto ao Luxemburgo
Rodrigo Leão e Scott Matthew trazem ao Luxemburgo “Life is Long”, um disco com letras do australiano e músicas do português. Foto: Rita Carmo RodrigoLeão traz novo projeto ao Luxemburgo

Rodrigo Leão traz novo projeto ao Luxemburgo

Foto: Michael Mann
Rodrigo Leão e Scott Matthew trazem ao Luxemburgo “Life is Long”, um disco com letras do australiano e músicas do português. Foto: Rita Carmo RodrigoLeão traz novo projeto ao Luxemburgo
Cultura 7 min. 04.10.2017

Rodrigo Leão traz novo projeto ao Luxemburgo

Rodrigo Leão, com uma carreira que ficará na história da música portuguesa, vem ao Luxemburgo com Scott Matthew para apresentar um disco a quatro mãos, “Life is Long”. O concerto é já no próximo domingo, dia 8 de outubro, e faz parte do Festival Atlântico, que arranca esta semana na Philharmonie.

Madredeus e Sétima Legião têm a sua assinatura, a banda sonora do filme “A Gaiola Dourada” foi composta por si e até foi convidado para fazer música para um filme de Holliwood. Falamos de Rodrigo Leão, com uma carreira que ficará na história da música portuguesa. O português vem ao Luxemburgo com Scott Matthew para apresentar um disco a quatro mãos, “Life is Long”. O concerto é já no próximo domingo, dia 8 de outubro, e faz parte do Festival Atlântico, que arranca esta semana na Philharmonie.

Vem ao Luxemburgo com o seu mais recente trabalho, em parceria com um músico australiano. Como nasceu “Life is Long”?

É um disco de parceria com o Scott Mattew, que nasceu na sequência da Montanha Mágica, em 2011. É habitual convidar músicos para colaborar nas minhas ideias e isso aconteceu com o Scott. Contactei-o para ele escrever a letra e participar numa música. E fizemos tudo sem nos conhecermos, até porque ele não podia vir a Lisboa para gravar. Meses mais tarde conhecemo-nos, criámos um segundo tema, depois um terceiro, até que pensámos o quanto interessante seria um trabalho em conjunto.

Até que no ano passado foi lançado este “Life is Long”.

Exato, porque foi um trabalho sem pressas em que a troca de ideias se prolongou por dois anos. O facto de o Scott morar em Nova Iorque e eu em Lisboa também ajudou a esta demora. Depois ele acabou por vir a Lisboa gravar os 10 temas escolhidos, esperámos mais um ano e finalmente no ano passado é que foi lançado.

E têm aproveitado a oportunidade para tocarem juntos ao vivo?

Durante todo este tempo ele tocou algumas vezes connosco. Tocamos temas dele, meus, nossos e até ’covers’.

E em relação a este concerto do festival Atlântico?

Vamos tocar músicas deste trabalho, alguns temas mais antigos meus ou do Scott Matthew. Foram escolhidas músicas mais intimistas, outras mais festivas, umas instrumentais e outras cantadas.

“Life is Long” é diferente daquilo a que o Rodrigo Leão nos habituou. Atrevo-me a dizer que é mais pop.

É evidente que é um disco diferente do que tenho feito. São músicas cantadas em inglês que se aproximam mais do pop não-comercial, e que têm características do meu trabalho, com os mesmos arranjos de cordas. É música melancólica e que transmite paz e tranquilidade.

Continua a ter a sua assinatura.

Vai de encontro ao que tenho feito, que continuo a fazer. Mas é o primeiro disco que fiz integralmente com outro músico.

E o que teremos em palco?

Trombone, bateria, baixo, guitarra,violino. É evidente que no disco houve mais colaborações, como um trio de sopros ou quarteto de cordas, mas era impossível ter tantos músicos ao vivo. Contudo, temos conseguido criar ao vivo um ambiente semelhante ao do disco, e isso é fundamental.

Descreva “Life is Long” em três palavras.

Melancólico, tristeza e busca pela felicidade. Ultrapassei o proposto, mas são os sentimentos que estão dentro de mim. “Life is long” é muito melancólico, com músicas tristes, mas que transmitem algum otimismo, vontade de viver, de aproveitar o presente e a vida. Todas as letras são de amor e enquadram-se com a música que fiz.

Rodrigo Leão e Scott Matthew
Rodrigo Leão e Scott Matthew
Foto: Rita Carmo

O Rodrigo Leão tem 19 discos editados, sem contar os que fez com as suas bandas. Onde vai buscar inspiração?

Mas alguns são coletâneas. Estou contente com o trabalho que tenho feito até ao momento e no fundo sou um resultado de todos os que têm trabalhado comigo e de por onde tenho passado. Penso que devo ter tido entre 20 a 30 colaborações. Em termos de músicos, ultrapassa as centenas. E estas colaboração são tão importantes... Acabamos por viver momentos diferentes, com pessoas com influências diferentes, que podem ir do tango à pop britânica e à música brasileira.

As colaborações são essenciais?

São, porque ajudam a concretizar as minha ideias iniciais. Depois há a questão de conhecer outras pessoas, de trabalhar à distância. No fundo, há comunicação através da música.

O Rodrigo Leão foi, a par com o Pedro Aires Magalhães, o fundador dos Madredeus. Tinham noção da dimensão que o projeto ia ter?

Nem eu, nem nenhum de nós pensaria que Madredeus tivesse o sucesso que teve. Madredeus surgiu como um projeto secundário ao que eu e o Pedro Aires tínhamos. Eu tinha os Sétima Legião e o Pedro tinha os Hérois do Mar. Digo secundário, porque nenhum de nós tinha tempo para tocar ao vivo, tanto que fazíamos apenas cinco a sete concertos por ano. Os anos 90 foram efetivamente mais tensos e guardo muitas recordações. Tocámos pelo mundo inteiro. Creio que ainda hoje Madredeus está presente no que faço.

Foram os Madredeus os revolucionários nesta nova onda de fado e fadistas?

Cabe aos outros fazer essa avaliação. Não consigo, nem posso avaliar. Apenas fizemos a música que quisemos pelo prazer de a fazer, sem saber se tínhamos ou não êxito, sem pressão das editoras, nem de ninguém.

Foi também fundador de uma banda que marcou o pop-rock português, os Sétima Legião. Foi o primeiro amor?

Foi o meu primeiro grupo, o grupo de bairro, o grupo de amigos que ainda hoje são chegados. Esporadicamente juntamo-nos. Comemorámos os 30 anos e fizemos sete concertos. Há uma grande relação entre nós e ainda tocamos juntos umas duas ou três vezes por ano.

Depois de tanto tempo, como é tocar “Sete mares”, um single que está na memória coletiva?

É um prazer enorme tocar “Sete mares” ou “Por quem não esqueci”.

Como é o Rodrigo Leão enquanto compositor?

Há dias em que quase não toco, há dias em que toco entre as 16h e as 4 da manhã. Também gosto de trabalhar no Alentejo, onde tenho um sossego enorme. Depois tudo me desperta a atenção e faço gravações de sons na rua. Às vezes crio uma melodia no carro, gravo pássaros em Goa e aproveito para composições futuras.

Compôs a banda sonora do filme “Gaiola Dourada”, que é mais alegre que a sua música habitual.

Mostrei tantas ideias ao Ruben Alves [realizador], trocámos outras tantas. No fundo acho que a minha música tem uma vertente muito cinematográfica. Para este filme foi fundamental conhecer o Ruben e mostrar-lhe ideias ou ver as imagens do filme e criar a música adequada. Regi-me pela ideia de que era comédia e não melancolia.

E logo a seguir foi convidado para compor a banda sonora de “The Butler”, um filme de Hollywood. Com isso, a sua carreira mudou?

“The Butler” é um drama e foi a oportunidade de gravar com meios que nunca tinha tido. Foi um processo único, gravar em Londres com uma orquestra fantástica. Falou-se em Portugal que estava a trabalhar numa banda sonora americana, mas não vi alterações na minha vida. No fundo acho que a minha música está mais indicada para cinema europeu que americano. Não houve mais pedidos e continuo a ter a minha independência.

Numa altura em que a venda de discos é cada vez menor, os concertos ganham outra importância?

Sem dúvida. Os concertos têm tido maior importância na carreira dos músicos e na minha. A verdade é que até finais dos anos 80 estava mais preocupado em compor e não em tocar ao vivo. Há 15 anos mudei, comecei a gostar de fazer concertos e de ter mais interação com o público.

É possível viver da música em Portugal?

Não é fácil, mas é possível sobreviver e mesmo viver. É preciso ter sorte, esperança e não desistir.

Portugal está na moda. E a música portuguesa?

A música, o futebol e o turismo deram outro mediatismo a Portugal. Eu moro no centro de Lisboa e noto perfeitamente. Há estrangeiros por todo o lado, há o fenómeno do Salvador que ganhou o Festival da Canção. Há maior interesse no país e no que se faz cá dentro. Sempre houve muito interesse pelo fado, mas há mais bandas com sucesso além fronteiras, como o caso dos The Gift ou Danças Ocultas [que também participam no Festival Atlântico].

Vanessa Castanheira


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