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Rodin : O pai da escultura... e de vários filhos
"Rodin" (2017)

Rodin : O pai da escultura... e de vários filhos

"Rodin" (2017)
Cultura 2 min. 28.06.2017

Rodin : O pai da escultura... e de vários filhos

Auguste Rodin é considerado o pai da escultura moderna. O francês, que nasceu em 1840 e faleceu em 1917, é uma referência no seu domínio, tendo questionado paradigmas dentro e fora do mundo da escultura.

Auguste Rodin é considerado o pai da escultura moderna. O francês, que nasceu em 1840 e faleceu em 1917, é uma referência no seu domínio, tendo questionado paradigmas dentro e fora do mundo da escultura.

A personagem de Rodin já tinha aparecido no cinema francês antes, nomeadamente em “Camille Claudel” (1988) de Bruno Nuytten, e “Camille Claudel 1915” (2013) de Bruno Dumont. Contudo, nestas obras Auguste Rodin era uma personagem secundária.

Jacques Doillon oferece neste filme ao escultor um espaço de protagonista e, de caminho, conquistou uma sessão de gala na competição do 70° Festival de Cannes. Apesar de Auguste Rodin ser um herói nacional francês, a projeção do trabalho de Doillon dividiu os críticos e o público em geral. Na projeção dedicada à imprensa, por exemplo, a debandada de espetadores foi das maiores a que já pude assistir no festival de Cannes. Os dececionados denunciavam o classicismo do filme utilizando epítetos como “velho”, “bafiento” ou “aborrecimento total”.

Rodin, que viveu sempre “fora do molde” é retratado por Doillon num filme extremamente tradicional e muitos dos admiradores do escultor não perdoaram essa incongruência.

Em “Rodin” descobre-se um homem cheio de paixão que acumula filhos fora do casamento e paixões amorosas. Se Auguste Rodin é o centro desta película, as mulheres da sua vida surgem como satélites e/ou musas do genial artista. A ação decorre entre 1880 e 1890, ou seja, no período mais fecundo artisticamente do francês.

O filme detém-se na figura do escultor, tanto no trabalho como no dia-a-dia, insistindo naquilo que ele tem a dizer sobre a arte e a beleza das formas humanas. “Rodin” revela ainda o início da relação com Camille Claudel, uma de suas pupilas, os conflitos com Rose, a companheira, e as relações de amor e amizade com grandes artistas da época tais como Cézanne ou Monet.

“Tudo o que Rodin diz no filme é resultado de muita pesquisa, mas também de muita fantasia”, admitiu o realizador. Jacques Doillon revelou que Rodin “não gostava de escrever, e por isso não deixou muito material escrito. Mas aqueles que conviveram com ele deixaram referências sobre o que ele disse e pensava. Assim, posso afirmar que aquilo que a personagem diz no filme é aquilo que Rodin teria dito em vida”.

Auguste Rodin é encarnado por Vincent Lindon. Lindon e Doillon pintam Rodin como um homem irresistível e sedutor, cortejado por todas as mulheres que posam para ele em momentos de grande erotismo. “As esculturas de Rodin são muito sensuais, e ele também era um homem muito sensual. Rodin amava o corpo feminino” justificou o realizador na conferência de imprensa.

Apesar de uma fotografia requintada, “Rodin” não consegue transmitir as angústias artísticas e afetivas do escultor. Tudo não passa de um retrato superficial do seu processo criativo e das suas relações.

“Rodin” de Jacques Doillon, com Vincent Lindon, Izia Higelin e Séverine Caneele.

Raúl Reis

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