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Return to Montauk: O Woody Allen alemão
Quando um alemão filma nos Estados Unidos acaba por querer ser Woody Allen.

Return to Montauk: O Woody Allen alemão

Quando um alemão filma nos Estados Unidos acaba por querer ser Woody Allen.
Editorial Cultura 2 min. 21.06.2017

Return to Montauk: O Woody Allen alemão

“Return to Montauk” é uma coprodução franco-alemã-irlandesa e representa uma mudança de ambiente para o realizador Volker Schlöndorff. Além disso, o cineasta alemão tem ao seu dispor uma panóplia europeia de atores: da Suécia Stellan Skarsgård, de França Niels Arestrup e da Alemanha Nina Hoss e Susanne Wolff.

Por Raúl Reis - “Return to Montauk” é uma coprodução franco-alemã-irlandesa e representa uma mudança de ambiente para o realizador Volker Schlöndorff. Além disso, o cineasta alemão tem ao seu dispor uma panóplia europeia de atores: da Suécia Stellan Skarsgård, de França Niels Arestrup e da Alemanha Nina Hoss e Susanne Wolff.

A terceira novidade para Schlöndorff é o facto de ter pegado numa história de romance norte-americano em vez de se aventurar no seu terreno preferido, o género político-moral e com a ação a decorrer na Europa.

Esta obra é antes de mais um filme falador – e nisto também se distingue de outras obras do realizador alemão. Logo no início temos direito a um momento verborreico no qual Skarsgård recita as palavras mais sábias do seu pai filósofo sobre coisas que as pessoas lamentam ter feito ou não. Cedo se descobre que o texto provém de um livro escrito pela personagem interpretada por Skarsgård, Max Zorn. A ação decorre em Nova Iorque, e o escritor está acompanhado pela sua companheira Clara (Susanne Wolff), evidentemente mais nova e de gosto discutível. O romance e a vida misturam-se pois em Nova Iorque vive o amor da vida de Max, à semelhança do que se passa no livro.

Deixemos a história de parte para evitar estragar a surpresa a quem vai ver o filme. “Return to Montauk” parece dizer que os escritores são mesmo assim, têm vidas complicadas, várias paixões e que isso até é aceitável.

É preciso dizer que o argumento é previsível e acaba por fazer pensar em alguns momentos e personagens de Woody Allen. Fica-se com a impressão de “onde é que eu já vi isto?”, apesar de não ser o caso. A personagem de Max – muitíssimo bem interpretada por Skarsgård – não é simpática. E é preciso dizer que mesmo se o realizador se identifica obviamente com Max Zorn, isso não o impede de mostrar claramente as fraquezas, o egoísmo e a cobardia do escritor. O público arrisca-se a sair da sala de cinema a pensar que Schlöndorff – também neste aspeto – está a ser Woody Allen e a enveredar pela confissão autobiográfica.

Infelizmente, “Return to Montauk” não tem a força, a energia e a capacidade de traumatizar o público como Schlöndorff o fez tantas vezes no passado.

“Return to Montauk” de Volker Schlöndorff, com Stellan Skarsgård, Nina Hoss, Susanne Wolff e Niels Arestrup.

Raúl Reis