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Ready Player One: Ovos de Páscoa dos anos 80
A minha mãe diz que pareço atrasadinho quando ponho estes óculos, mas ela nasceu nos anos 80 do século passado!

Ready Player One: Ovos de Páscoa dos anos 80

A minha mãe diz que pareço atrasadinho quando ponho estes óculos, mas ela nasceu nos anos 80 do século passado!
Cultura 28.03.2018

Ready Player One: Ovos de Páscoa dos anos 80

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Estamos em 2045 e o mundo está um caos. Sim, muito mais caótico do que em 2018. A crise energética é global, as mudanças de clima provocaram fome e pobreza, o mundo e as pessoas estão em pé de guerra.

O único reconforto para muitos jovens é viver uma segunda vida no mundo digital. OASIS é o nome do mundo eletrónico que muitos adolescentes procuram para serem mais felizes. Mas o criador do jogo – um tal James Halliday – deixou, antes de morrer, um desafio: quem encontrar no OASIS um ovo de Páscoa será o herdeiro da fortuna do criador do jogo.

Num mundo – o nosso, de 2018 – em que os jogos são cada vez mais envolventes e miúdos vivem do dinheiro que ganham na internet, o filme de Steven Spielberg é mais do que simples entretenimento; é uma representação de um futuro provável.

“Ready Player One” começa com uma explicação sobre o que é viver em 2045 e das regras do OASIS. O mundo virtual do jogo está a abarrotar de referências ao mundo da música, dos jogos de computador, da banda desenhada e dos super-heróis de todos os tipos.

A música de Alan Silvestri dá um tom de epopeia ao filme que é pontuado ainda por temas pop (alguns deles velhinhos dos anos 80 e 90 do século passado).

O filme desenrola-se quase como um videojogo: acompanhamos o herói através de etapas cada vez mais difíceis que permitem avançar na competição, mas de onde o protagonista sai mais adulto. Para chegar ao fim e, de preferência, salvar o OASIS, é necessário passar três provas. O filme segue claramente a lógica e a estrutura dos videojogos mas vai mais longe ao criticar a indústria do “gaming”, perspetivando um mundo cada vez mais competitivo onde vale tudo.

Mas “Ready Player One” também fornece momentos de humor que só serão apreciados por quem esteja bem entrosado na cultura pop. As referências multiplicam-se e é um prazer vê-las desfilar diante dos nossos olhos. O filme de Spielberg vai ser daqueles que vamos rever em streaming daqui a uns meses, rodeados de amigos, a identificar cada uma das referências. Melhor, até podemos fazer um jogo com isso! Mas não no computador ou na consola: um jogo daqueles à moda antiga, com toda agente sentada à volta de uma mesa ou no sofá…

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“Ready Player One”, de Steven Spielberg, com Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller, Simon Pegg e Mark Rylance.