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Quinzena de Cinema Português: Cristèle Alves Meira: À procura do essencial de ser português
"Campo de Víboras": além de nome de filme este é o verdadeiro nome de uma aldeia transmontana.

Quinzena de Cinema Português: Cristèle Alves Meira: À procura do essencial de ser português

"Campo de Víboras": além de nome de filme este é o verdadeiro nome de uma aldeia transmontana.
Cultura 2 min. 14.12.2016

Quinzena de Cinema Português: Cristèle Alves Meira: À procura do essencial de ser português

A realizadora de origem portuguesa que em maio realizou “um sonho” ao estar presente no festival de cinema de Cannes com a curta-metragem “Campo de Víboras” vai apresentar esse trabalho no Luxemburgo. A curta-metragem da realizadora luso-francesa foi selecionada em maio para a Semana da Crítica do festival de cinema mais importante do mundo. “Campo de Víboras” e “Sol Branco”, de Cristèle Alves Meira, são projetados esta quinta-feira, dia 15 de dezembro, no Centro Cultural Português do Luxemburgo no contexto da Quinzena de Cinema Português.

A realizadora de origem portuguesa que em maio realizou “um sonho” ao estar presente no festival de cinema de Cannes com a curta-metragem “Campo de Víboras” vai apresentar esse trabalho no Luxemburgo. A curta-metragem da realizadora luso-francesa foi selecionada em maio para a Semana da Crítica do festival de cinema mais importante do mundo. “Campo de Víboras” e “Sol Branco”, de Cristèle Alves Meira, são projetados esta quinta-feira, dia 15 de dezembro, no Centro Cultural Português do Luxemburgo no contexto da Quinzena de Cinema Português.

A morte é um dos temas centrais na cinematografia de Cristèle Alves Meira, assim como o destino, o fatalismo, que, segundo a realizadora, “faz parte da alma portuguesa”. A lusodescendente, que trabalha também como atriz de teatro e grafista, realizou duas curtas-metragens e prepara já a sua primeira longa. E promete um drama porque “para compreender a alma humana as histórias têm de ser dramáticas”, explicou em várias entrevistas durante o festival de Cannes.

A questão essencial que se coloca Cristèle Alves Meira foi resumida assim por Diderot: “somos nós que conduzimos o destino, ou será o destino que nos conduz?”. A realizadora e argumentista não dá a resposta mas deixa pistas de reflexão. Para contar as suas histórias, esta franco-portuguesa escolheu filmar a região de Trás-os-Montes, onde tem as suas raízes. “Sinto-me francesa mas quando temos uma dupla nacionalidade temos duas partes e a parte mais essencial é portuguesa”, explica Cristèle Alves Meira, assumindo que tem de compreender as suas origens para entender quem é e, para isso, conta com a ajuda do cinema.

Filmar em Trás-os-Montes tem outro objetivo. A realizadora queixa-se da distorção de que é alvo a sua gente, sobretudo nas telenovelas, e por isso quer também “mostrar a sinceridade do povo transmontano, mostrá-lo como ele é e não de forma caricatural”.

É uma das razões pelas quais Cristèle Alves Meira vai regressar à sua região para filmar a sua primeira longa-metragem, já em 2017. “Alma Viva” é a história de uma rapariga de 15 anos que todos os anos vai a Portugal ver a família, mas nesse verão a avó dela vai morrer. Trata-se de uma família “original” cuja forma de estar dará ao filme um tom burlesco, promete Cristèle Alves Meira. Salomé, a jovem protagonista lusodescendente, refugia-se nas suas crenças e sobretudo nos seus dons de clarividência, já que Salomé tem capacidades de médium.

Raúl Reis

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