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Pronto-a-vestir
Cultura 3 min. 05.06.2021

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António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
A crítica da série “Halston” por Raúl Reis.

A série de cinco episódios “Halston”, realizada por Daniel Minahan, conta com Ewan McGregor no papel do estilista americano do mesmo nome. Esta produção disponível na Netflix é uma biografia elegante e envolvente baseada no livro de Steven Gaines, “Simply Halston”.

Num formato de narrativa direta, às vezes a série parece mais pronto-a-vestir do que a alta costura, mas, no entanto, apresenta momentos elaborados e algumas atuações interessantes.

Começamos por conhecer Roy Halston Frowick quando ainda era criança numa zona rural do Estado de Indiana, na década de 1930. O miúdo fazia chapéus para alegrar a mãe, que sofria as violências do marido.

De repente, saltamos 30 anos. A primeira-dama norte-americana e ícone da moda, Jackie Kennedy, participa na tomada de posse do seu marido com um chapéu da marca Halston, marcando um momento revolucionário na carreira do estilista.

Apesar de os criadores terem cinco episódios, de aproximadamente uma hora cada um, para contar a história, esta minissérie salta rapidamente através da vida e história de Halston.

A genialidade do designer é apresentada como algo evidente, mesmo que a série reconheça as muitas vezes que ele fez trabalhos que foram, na realidade, criados por colaboradores como o futuro cineasta Joel Schumacher ou a modelo que se tornou criadora de joias, Elsa Peretti.

O segundo episódio dedica-se a acompanhar a batalha da moda de 1973, no Palácio de Versalhes, onde Halston e mais quatro estilistas americanos enfrentam a nata da costura francesa. Apesar de a série optar por mostrar um triunfo para Halston, nada indica que, na realidade (não esquecer que estamos perante um documentário), o seu trabalho tenha sido reconhecido como melhor do que o de Oscar de la Renta ou Anne Klein ou mesmo que o designer era melhor em tudo, como nos tentam convencer sem argumentos a não ser palmas.

A ruína de Halston, que passa por uma combinação de uso de cocaína, más escolhas nos homens e péssimas escolhas nos parceiros de negócios, é principalmente limitada aos últimos dois episódios.

Essas duas etapas da série são também mais ricas em acontecimentos mas, infelizmente, até ali não desenvolvemos grande empatia pelo estilista. E se o argumento não consegue convencer-nos da importância de Halston desde o início, então por que razão devemos preocupar-nos com o seu fim?

Na série “Halston” tudo parece muito frágil, incluindo Ewan McGregor no papel principal. O designer era uma espécie de personagem excêntrica e arrogante criada pelo miúdo que nasceu com o nome de Roy Halston Frowick, mas McGregor nunca nos leva muito abaixo da superfície dessa personagem. O excelente ator neste trabalho não fez muito mais do que definir uma voz e alguns gestos...

A série tem momentos de inspiração, como a altura em que apresenta a equipa da primeira boutique de Halston como se fosse um gangue que prepara um assalto. “Um bando de homossexuais e aberrações e miúdas que ainda não cresceram”, como Halston os descreve.

Outra situação inspirada é ou o aparecimento de Vera Farmiga como especialista em perfumes para ajudar Halston a desenvolver a sua primeira fragrância. O momento revela excecional profundidade e merece o epíteto de original.

No episódio final de “Halston”, o estilista pede ao seu assistente que resuma o que os críticos dizem sobre a última coleção. Ela sugere que eles estão dececionados com o rumo que a carreira dele tem seguido, visto que, "tu reinventaste a moda feminina, envolveste as mulheres em sentimentos".

Este é um comentário que nos faz pensar e revela quem foi o designer Halston no mundo da moda. É, tristemente, o primeiro momento da série em que se transmite adequadamente por que razão o estilista Halston foi tão relevante na história da moda e as motivações de Ryan Murphy e dos seus colaboradores para decidirem fazer esta série.

“Halston” de Daniel Minahan, com Ewan McGregor, Eva Farmiga, Rebecca Dayan, David Pittu, Krysta Rodrigues, Gian Franco Rodriguez e Bill Pullman.

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