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Porto: Revisitar o Porto em 24 horas
Neste Porto ainda se pode fumar nos cafés...

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Cultura 2 min. 06.09.2017

Porto: Revisitar o Porto em 24 horas

Não é meu hábito falar pela segunda vez de um filme, mas a longa metragem assinada pelo brasileiro Gabe Klinger merece toda a atenção. “Porto” esteve no festival de cinema do Luxemburgo e merece agora honras de projeção regular nos cinemas Kinepolis.

Não é meu hábito falar pela segunda vez de um filme, mas a longa metragem assinada pelo brasileiro Gabe Klinger merece toda a atenção. “Porto” esteve no festival de cinema do Luxemburgo e merece agora honras de projeção regular nos cinemas Kinepolis.

“Porto” é um filme escuro, que mostra uma cidade diferente dos vídeos do Turismo de Portugal e dos “posts” no Instagram. Trata-se de um filme profundo em que a cidade serve de cenário perfeito para a criatividade do realizador brasileiro. Klinger é crítico, professor, curador e realizador. Colaborou em diversas publicações, foi professor na Universidade de Illinois e no Columbia College de Chicago e trabalhou na George Eastman House, no MoMA em Nova Iorque, e no Museu de Arte Mary e Leigh Block na Northwest University.

O filme é coproduzido pela Bando à Parte, do vimaranense Rodrigo Areias, e tem como produtor executivo o mestre finlandês Jim Jarmusch. Rodrigo Areias, que já trabalhara com Klinger no seu premiado documentário sobre o autor de “Boyhood” e com o cineasta experimental James Benning, persuadiu-o a optar pelo Porto, o que obrigou a uma significativa reescrita do argumento.

“Porto” foi descrito, sobretudo pela imprensa portuguesa, como uma homenagem à cidade. Se não restam dúvidas de que o realizador está apaixonado pela cidade invicta, também é claro que dela só vemos imagens enevoadas, noturnas e/ou desfocadas. Não se trata de um problema técnico: cada imagem de “Porto” foi capturada com cuidado extremo, e elegância é a palavra que ocorre para descrever a forma escolhida por Gabe Klinger para rodar cada cena. O filme que vai ficar para a história como “a homenagem” ao Porto ainda está para ser feito.

Esta película é a história de uma relação sexual que podia ter acontecido em qualquer lado. Um homem e uma mulher encontram-se, gostam um do outro, dormem juntos, fazem promessas de amor mas quando o dia desperta a vida muda de tom. A história não é contada de forma linear e é (também) isso que faz de “Porto” uma obra especial. Apesar das liberdades cronológicas, a narrativa é totalmente compreensível, até porque o realizador decidiu mostrar o presente em formato panorâmico e o passado em 4:3.

Este foi o último trabalho do ator russo-americano Anton Yelchin. O protagonista de “Porto” encarna um Jake Kleeman frágil como cristal que é rapidamente soterrado pela paixão que tem por Mati (a belíssima atriz Lucie Lucas), tal como cambaleia ao transportar os caixotes de mudança da jovem nas ruas de paralelos da Ribeira.

Este foi o último filme de Anton Yelchin, um jovem prodígio que se tornou conhecido pelo papel de Tchekov na saga “Star Trek” e que morreu aos 27 anos num estranho acidente doméstico, ao ser esmagado pelo seu próprio carro.

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“Porto”, de Gabe Klinger, com Anton Yelchin, Lucie Lucas, Paulo Calatré e Françoise Lebrun.

Raúl Reis

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