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Poetisa luxemburguesa recebe prémio Goncourt
Cultura 2 min. 04.05.2018 Do nosso arquivo online

Poetisa luxemburguesa recebe prémio Goncourt

A poetisa luxemburguesa Anise Koltz recebeu hoje o Goncourt da Poesia, o prémio máximo da literatura em França

Poetisa luxemburguesa recebe prémio Goncourt

A poetisa luxemburguesa Anise Koltz recebeu hoje o Goncourt da Poesia, o prémio máximo da literatura em França
Foto: Anouk Antony (Arquivos)
Cultura 2 min. 04.05.2018 Do nosso arquivo online

Poetisa luxemburguesa recebe prémio Goncourt

O maior galardão da literatura francesa foi hoje entregue à luxemburguesa Anise Koltz, na modalidade de poesia.

É a consagração em França da “grande dama” da poesia luxemburguesa. Aos 89 anos, Anise Koltz tinha já recebido outros galardões naquele país, incluindo o prémio Guillaume Apollinaire (1998) e o prémio da literatura francófona Jean Arp (2008), mas esta é a primeira vez que lhe é atribuído o Goncourt, o prémio máximo da literatura francesa, na modalidade de poesia.

A distinção “contribui para o renome da literatura luxemburguesa no mundo” e “faz de Anise Koltz uma excelente embaixadora da paisagem literária do país”, elogiou o primeiro-ministro Xavier Bettel, numa nota conjunta com o secretário de Estado da Cultura, Guy Arendt, divulgada esta sexta-feira.

Anise Koltz começou por publicar em alemão, mas desde os anos 1980 passou a escrever exclusivamente em francês. A par do também poeta e romancista Jean Portante, que escreve igualmente em língua francesa, é provavelmente a escritora luxemburguesa mais conhecida além-fronteiras, e o Goncourt vai trazer-lhe ainda mais leitores. “O Prémio Goncourt da Poesia que acaba de lhe ser atribuído vem na altura certa para atrair a atenção de um público mais vasto para uma obra que, pela sua força e despojamento, diz respeito a todos”, afirmou o seu editor em França.

Em 2016, foi publicada uma antologia dos seus poemas, com o título “Somnambule du jour”, por ocasião do 50° aniversário da coleção de poesia Gallimard.

Anise Koltz é conhecida pela insubordinação e crítica social – parte da venda de um dos seus livros, “Un monde de pierres” (2015), reverteu a favor de projetos na Grécia, numa altura em que o país era vítima de duras medidas da 'troika'.

“A poesia deve testemunhar sobre o desenrolar da nossa época. Ora, jamais na história da humanidade houve um século mais bárbaro que o nosso. E os horrores continuam e multiplicam-se em todos os cantos do mundo. Somos impotentes face a tanta miséria, corrupção e manipulação”, disse a escritora numa entrevista anterior, citada pela AFP. “O poeta deve pois tomar posição face ao mundo que o rodeia. Não mais flores e passarinhos... Deus morreu! O Homem está só face a si mesmo, face ao universo”, declarou a poetisa.

A morte de Deus, no sentido que lhe deu Nietzsche, é aliás um tema recorrente da sua poesia. Em “Cantos de recusa”, tradução em português dos seus poemas, publicada em 1993 pela Casa de Mateus (edição de Casimiro de Brito), diz: “Deus / chamo-te / como se existisses / Desce da tua cruz / precisamos de lenha / para nos aquecer”.

Além do prémio de poesia, dotado de seis mil euros, a academia presidida por Bernard Pivot atribuiu ainda o prémio do romance a “Microfictions”, de Régis Jauffret, e o de primeiro romance a “Grand frère”, de Mahir Guven, recebendo cada um 3.800 euros.

P.T.A. (com agências)