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"Poésie masculine". O simulador contra o assédio vai estar no Luxemburgo
Cultura 3 min. 25.11.2022
Sexismo

"Poésie masculine". O simulador contra o assédio vai estar no Luxemburgo

Sexismo

"Poésie masculine". O simulador contra o assédio vai estar no Luxemburgo

Foto: Poésie Masculine/Site Oficial
Cultura 3 min. 25.11.2022
Sexismo

"Poésie masculine". O simulador contra o assédio vai estar no Luxemburgo

Redação
Redação
A instalação artística propõe uma visita imersiva ao mundo do assédio de rua para que os homens se coloquem no lugar das mulheres que lidam com esses abusos regularmente.

Um túnel escuro, duas paredes de ecrãs de vídeo, olhares lascivos, comentários inapropriados. É desta forma que o "Poésie masculine", um simulador do assédio de rua, quer consciencializar os homens para uma das formas mais comuns, e difíceis, de violência contra as mulheres.

Concebido durante o confinamento por Frédéric Durieu e Nathalie Erin, dois artistas digitais de Montpellier, o simulador vai estar aberto ao público até 2 de dezembro, nesta cidade francesa, depois de ter estado exposto em Bruxelas. O Luxemburgo será a paragem seguinte, refere a AFP, não adiantando, contudo, nem data nem local para a exibição desta exposição imersiva.

Um corredor negro de ofensas sexuais às mulheres

A instalação artística foi concebida sob a forma de um enorme caixão preto, com 8,5 m de comprimento e 4 m de altura, atrás da qual se esconde uma sofisticada sala de controlo técnico, detalha a agência de notícias francesa. 


Semana 'laranja' contra a violência contra as mulheres
A edição deste ano decorre entre esta sexta-feira (25 de novembro) e 10 de dezembro. Veja as iniciativas.

Nos ecrãs, distribuídos pelo espaço do simulador, aparecem silhuetas de homens, à esquerda e à direita. À medida que o visitante vai avançando é seguido por olhares insistentes e predadores, acompanhados de expressões como "Anda cá", "Quero-te", "Vamos para minha casa" ou "Putazinha", entre outras palavras e observações grosseiras. 

A elas sucede-se, depois, a voz de uma mulher, que vai soando cada vez mais firme, dizendo: "Sou tua irmã, sou tua mulher, sou tua filha, sou tua mãe... Parem com a vossa poesia masculina".

Uma experiência opressiva para as mulheres, um alerta para os homens

A experiência, que dura exatamente cinco minutos, pode ser opressiva para as mulheres, por lembrar situações passadas, mas deve servir para abrir os olhos dos homens para esta realidade, explica um dos criadores da instalação, Frédéric Durieu. No final, homens e mulheres são convidados a partilhar as suas reações.

Foto: Poésie Masculine/Site Oficial

O artista conta à AFP que um dos jovens que conheceram durante o processo de criação do simulador confessou já ter cometido esse tipo de assédio, mas considerou que o nome inicialmente pensado pelos artistas para intitular a instalação poderia ser exagerado. "Achámos mais elegante dizer 'Parem a vossa poesia masculina' do que 'Pare, seu porco nojento'".


A portuguesa no Luxemburgo que transforma mulheres em santas
Ana Filipa Martins junta arte e política para tentar mudar mentalidades. Através de uma caligrafia abstrata e imagens antigas, a portuguesa de 28 anos quer homenagear as mulheres da sua terra.

Frédéric Durieu afirma que o objetivo é conseguir que esta intervenção artística, que aborda um problema social transversal a várias sociedades "se torne um sucesso".

"A realidade pode ser ainda mais difícil, ir mais longe do que a da exposição, mas esta é ainda assim muito realista", diz à AFP, Zouhir Bensalem, controlador numa empresa de transporte do aglomerado, depois de passar pelo simulador. "É bom que as pessoas que costumavam alertar sobre as situações digam: 'Parem, não queremos mais isto'", acrescenta. A sua colega Stéphanie Ballin acredita que "cada um irá experimentar a simulação com os seus próprios sentimentos, dependendo do seu carácter mas também da sua experiência".

 Ao longo destas semanas e durante o dia de hoje, 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, a mensagem tem sido dirigida a grupos específicos da sociedade. Estudantes do ensino secundário, agentes da polícia ou membros de associações de bairro têm passado pela antiga Câmara Municipal de Montpellier, onde o simulador foi instalado, para visitar a exposição interativa.   

Da lei para os costumes 

O conceito de "injúrias sexistas", foi recentemente introduzido na lei francesa para lidar com o assédio de rua e refere-se ao facto de alguém impor a outra pessoa "um comentário ou comportamento com conotações sexuais ou sexistas", minando a sua dignidade ou criando uma situação "intimidante, hostil ou ofensiva". É considerado "agravado" quando é cometido por alguém que abusa da sua autoridade em relação a uma pessoa vulnerável ou em transportes públicos. 

"Estes comportamentos são extremamente fugazes", referiu o Procurador de Montpellier, Fabrice Belargent, na abertura da exposição, citado pela AFP. O magistrado reconheceu que "lutar contra o facto de olhar com insistência, ou de sussurrar ainda não faz totalmente parte dos nossos costumes". "Teremos tido êxito na nossa missão quando uma mulher puder recorrer a um polícia, um gendarme, um condutor de autocarro, para deixar claro que algo está a acontecer e que a autoridade reagirá imediatamente. Vai levar tempo, mas estou bastante otimista", acrescentou. 

(Com AFP)

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