Escolha as suas informações

Philharmonie: Festival Atlântico aposta nas fusões musicais
Carminho é a primeira fadista a atuar no festival

Philharmonie: Festival Atlântico aposta nas fusões musicais

Foto: Leo Aversa
Carminho é a primeira fadista a atuar no festival
Cultura 5 min. 27.04.2017

Philharmonie: Festival Atlântico aposta nas fusões musicais

Maria João, Rodrigo Leão, Carminho e Legendary Tigerman são alguns dos nomes apresentados para a edição deste ano do Festival Atlântico, na Philharmonie. Na apresentação da temporada, além dom programa habitual de música clássica, jazz e world music, é notório um novo horizonte musical, mais ecléctico e mais abrangente.

A segunda edição do festival Atlântico volta a surpreender e apresenta um cartaz ecléctico e também soberbo. De 8 a 14 de outubro desfilam pelo festival que decorre na Philharmonie do Luxemburgo nomes da música portuguesa e lusófona, e desta vez há uma novidade de peso, com a Orquestra Filarmónica do Luxemburgo (OPL) a juntar-se aos músicos convidados. Foi o que revelou a equipa da Philharmonie em conferência de imprensa que teve lugar ontem e durante a qual foi divulgado o programa da temporada 2017/2018 daquela sala (ver caixa).

Maria João, Rodrigo Leão, Carminho, Legendary Tigerman ou Tcheka são alguns dos artistas que passam pelos vários espaços de sala de maior referência do Grão-Ducado e das maiores da Europa.

O Festival Atlântico volta a construir pontes e casamentos musicais entre a bossa nova, o fado, a morna e, desta vez, também a música clássica. O português Francisco Sassetti, responsável pela programação da Philharmonie e mentor do Festival Atlântico, explica que o “conceito é para manter, o festival é para ficar, com novidades, é certo.”

Rodrigo Leão é um compositor único. No seu historial contam bandas lendárias como os Madredeus ou os Sétima Legião. Foi também o responsável pela banda sonora do filme “Gaiola Dourada”, que bateu recordes de bilheteira em França e em Portugal. A técnica exata ao piano e a leveza com que adorna as suas composições fizeram-no construir temas como “Ave Mundi”, “A ilha dos Açores” ou “Histórias”. Rodrigo Leão é impar e intemporal. A 8 de outubro sobe ao palco da Sala de Música de Câmara da Philharmonie com o australiano Scott Matthew para “um projeto novo que conjuga os estilos de songwriter numa pop melancólica”, adianta Sassetti.

No mesmo dia atua o cantor, compositor, guitarrista, baterista e percusionista brasileiro Vinícius Cantuária, um embaixador da bossa nova, sem necessidade de grandes apresentações, que interpretará Tom Jobim, outro nome incontornável da cultura brasileira.

A 11 de outubro chega a voz impressionante do cabo-verdiano Tcheka, para um momento a solo com a sua guitarra. Na bagagem traz a música tradicional do arquipélago de Cabo-Verde com aditivo de jazz e de música erudita.

No dia seguinte, atua a transversal Maria João, acompanhada por Egberto Gismonti. “É um duo de jazz, uma ponte entre Portugal e Brasil”, esclarece o programador. Uma noite de puro jazz em que atuam duas lendas vivas do improviso.

A alma do Atlântico

A 13 de outubro, a OPL funde-se com o multi-instrumentista brasileiro e o único nome repetido nas duas edições, Marcello Gonçalves, com a israelita Anat Cohen, Roberta Sá e com a direcção do português Pedro Neves. Este concerto é, para o Francisco Sassetti, “a alma do Atlântico”, há cruzamentos musicais e há casamentos de estilos. Francisco Sassetti mostra-se entusiasmado em relação a este concerto. “Promete-se uma primeira parte com reportório de música clássica e que depois passa para o cancioneiro brasileiro, sempre com sonoridades do universo clássico, dirigida por Pedro Neves, uma aposta pessoal, e com a voz da incontornável Roberta Sá.”

Depois deste momento de música clássica, o Atlântico volta a surpreender e apresenta sonoridades mais urbanas com um nome alternativo e conhecido do público que não está habituado à Philharmonie. O artista português Legendary Tigerman já passou pelo Luxemburgo e a sua qualidade prova porque razão veio, na sua estreia em terras grã-ducais, pela mão da Abadia Nëimenster e volta agora diretamente através da Philharmonie. Tigerman é tão andrógino como a sua música. É um one-show-man, um homem-orquetra, sozinho em palco, toca, canta e é exímio nos seus blues roqueiros. Paulo Furtado, de seu verdadeiro nome, não se pode explicar apenas com música, ele é cinematográfico.

O ano passado, os Dead Combo foram a surpresa do festival, este ano Tigerman não defraudará as expetativas do público mais alternativo e sedento de outros horizontes musicais e pontuais na Philharmonie.

Falar de Atlântico é falar de portugalidade e a novidade da segunda edição é a vinda de uma fadista. O ano passado “foi opção não apostar no fado, mas falar de música portuguesa é também falar de fado e mostrar outras fadistas”, justifica o responsável pelo programa. Carminho é a escolha, representa a nova geração, não é um nome menor, ganhou o seu espaço e conquista à primeira. Quem a conhece, apaixona-se. Carminho é uma fera em palco. É presença habitual em festivais de verão e se durante o dia é mais uma festivaleira, mesmo com 38 graus de calor, à noite sobe ao palco e prova com que alma é talhado o fado. Carrega em si a herança boémia de Lisboa, para muitos é a fadista mais tradicional deste novo boom do fado, mas que mergulhou no cancioneiro de Tom Jobim e que já partilhou palco com artistas de outras áreas musicais como Pablo Alborán, Maria Bethânia, Ney Matogrosso ou Miguel Araújo. Uma pequena confidência, o tema “Pica do 7”, escrito pelo cantautor português, interpretação sobejamente conhecida na voz de António Zambujo, foi criado para Carminho. Mas a fadista viria a ser aconselhada a não incluir o tema no seu álbum quando este foi editado no Brasil, onde a palavra “pica” é um palavrão. Ficou o Zambujo a ganhar. A confidência foi segredada ao público por Miguel Araújo, quando na semana passada atuou na Kulturfabrik, em Esch.

A terminar e “de forma divertida, informal e em festa”, diz Francisco Sassetti, “chega a Filarmónica de Pasárgada, de São Paulo”, Brasil. E é com este conjunto que a Philharmonie fecha a segunda edição do Festival Atlântico.

Os bilhetes gerais podem ser adquiridos a partir do mês de agosto, enquanto os ingressos individuais podem ser comprados mês antes do Atlântico.

Vanessa Castanheira/José Luís Correia

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas