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“Pessoa tem influência na minha obra”
Cultura 2 min. 12.06.2019

“Pessoa tem influência na minha obra”

Cultura 2 min. 12.06.2019

“Pessoa tem influência na minha obra”

O conhecido poeta cubano Víctor Rodríguez Núñez passou pelo Luxemburgo e falou ao Contacto da sua trajetória artística.
DR

O poeta cubano e passou pelo restaurante Brasserie de l’Arrêt, este domingo, onde apresentou a sua obra num evento da associação Amistad Luxemburgo-Cuba.

“Solo la noche es libre/en Miami en La Habana/La noche sin fronteras/sin irse ni quedarse/La noche sin censura/ni libertad de prensa/La noche democrática/ que quita el sueño al cuadro al disidente/Solo la noche en sí/utópica y abierta en cualquier parte”, durante a sessão, na companhia do poeta, escritor e jornalista luxemburguês Jean Portante, que ia traduzindo para a audiência as suas palavras, Víctor Rodríguez Núñez leu alguns dos seus poemas e falou de uma trajetória que já leva quatro décadas de livros publicados em vários idiomas: “Em toda a minha vida procurei uma linguagem política para exprimir-me e a poesia é política porque enfrenta toda a ideologia. A ideologia naturaliza o artificial e a poesia é necessária porque desnaturaliza o que é artificial”.

Em toda a minha vida procurei uma linguagem política para exprimir-me e a poesia é política porque enfrenta toda a ideologia. 

Ao Contacto, o também professor universitário, que vive e leciona nos Estados Unidos, recordou que são muitos os intelectuais cubanos que ali residem e que nunca sofreu qualquer censura naquele país. Apesar do confronto de mais de meio século entre os governos cubano e norte-americano estar latente na sua obra, não se sente “secundarizado por ser poeta” da ilha caribenha.

Foto: Nuno Ramos de Almeida

Uma das coisas que menos gosta nos seus compatriotas “é que muitas vezes se façam de vítimas”. E é taxativo. “Eu nunca fui vítima de nada. Não fui vítima do governo cubano nem do governo dos Estados Unidos”. Afirma não procurar a “neutralidade”. Para Víctor Rodríguez Núñez, “as duas partes estão erradas”. Ainda que se sinta “produto da revolução cubana”, e a veja como “um processo histórico original necessário que não foi imposto por ninguém”, sente que o processo estancou num “modelo neoestalinista” que tem de mudar. “O caminho passa pelo socialismo ou qualquer outro tipo de sociedade alternativa ao capitalismo, não importa o nome”, defende.

Eu nunca fui vítima de nada. Não fui vítima do governo cubano nem do governo dos Estados Unidos.  

Sobre as novas sanções impostas a Cuba pelos Estados Unidos, acha que o governo liderado por Donald Trump está mal assessorado e “quer levar as coisas ao passado”. Para o escritor, não lhe interessam os governos. “Quero saber do povo dos Estados Unidos e do povo cubano”.

Criado no seio de uma família galega pobre, Víctor Rodríguez Núñez assume a proximidade com a língua portuguesa. “Sou demasiado galego. Entendo o galego mas não o falo porque os meus avós, apesar de odiarem Espanha, consideravam-no uma língua inferior”. Dessa família de idiomas, o poeta cubano não esconde a admiração e a influência do português de Fernando Pessoa na sua obra literária. E não esconde outros prazeres. “Amo os portugueses e o vinho português. Os do Douro são os meus vinhos preferidos”.

Depois desta tade no Luxemburgo, parte para Berlim onde vai participar no Festival Internacional de Poesia e, de seguida, visita, noutra iniciativa do mesmo género, a capital da Tunísia, antes de ir a Praga. 

Bruno Amaral de Carvalho