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Performance de Marco Godinho em Hong Kong deixa "à sua sorte" fragmentos de "Os Lusíadas"
Cultura 3 min. 23.03.2016

Performance de Marco Godinho em Hong Kong deixa "à sua sorte" fragmentos de "Os Lusíadas"

Performance de Marco Godinho em Hong Kong deixa "à sua sorte" fragmentos de "Os Lusíadas"

Foto: Paulo Lobo
Cultura 3 min. 23.03.2016

Performance de Marco Godinho em Hong Kong deixa "à sua sorte" fragmentos de "Os Lusíadas"

O artista plástico Marco Godinho estreou-se esta semana na Art Central de Hong Kong com uma performance que inclui ler, rasgar e "deixar à sua própria sorte" páginas de "Os Lusíadas" e sete instalações sobre tempo e espaço.

O artista plástico Marco Godinho estreou-se esta semana na Art Central de Hong Kong com uma performance que inclui ler, rasgar e "deixar à sua própria sorte" páginas de "Os Lusíadas" e sete instalações sobre tempo e espaço.

A performance na Art Central Hong Kong – uma feira de arte contemporânea que abre ao público em geral na quarta-feira – intitula-se "Left to Their Own Fate" ("Deixadas à sua própria sorte") e envolve a leitura – silenciosa – de passagens da obra épica de Luís Vaz de Camões.

Após ler uma página, Marco Godinho coloca-lhe um carimbo (com local e data e nome da performance) e rasga-a. Em seguida, oferece-a a quem passa pela feira ou 'abandona-a, num 'acto' que pretende "explorar a ligação do livro com o contexto".

Cada página vai percorrer diferentes cidades, países ou continentes, pelo que devem "desenhar um mapa mental", criando-se "uma constelação invisível com todas as folhas do livro que vão viajar à volta do mundo", explicou à Lusa o artista.

Cada folha, como um fragmento, representa um pouco uma identidade que faz parte de um livro inteiro, e "vai à procura do seu próprio destino", o que tem também muito a ver com "o mundo em que vivemos", de alguém que procura uma vida melhor e emigra, por exemplo, ou simplesmente quer ir para além dos seus próprios limites, complementou Marco Godinho.

A esta performance subjazem outras reflexões, como a forma de presença (quando o livro está exposto na galeria, o artista está ausente) e também a fronteira entre o espaço individual e o coletivo (o artista lê no silêncio mas chama a atenção ao seu redor).

"É uma forma quase silenciosa, mas que chama a atenção. A partir de que momento é que começa uma comunicação?", questiona Marco Godinho, que teve já o primeiro contacto com o público durante a pré-abertura da Art Central.

"Foi interessante porque quando ofereço páginas às pessoas isso permite directamente um diálogo. É interessante a conversa que surge", realçou Marco Godinho, para quem o 'feedback' tem sido "muito positivo". Não menos curiosidade lhe desperta ver o que sucede quando deixa uma folha no chão ou em cima de uma mesa. "É interessante ver como passa quase despercebida ou o momento em que alguém vai tomar atenção".

O artista, que vive no Luxemburgo, exibe ainda sete instalações num 'stand' da galeria nova-iorquina Sapar Contemporary, que o convidou a participar na Art Central Hong Kong 2016.

Marco Godinho divide o 'stand' com Anna Schuleit Haber, cujos trabalhos partilham, segundo a galeria de Nova Iorque, três obsessões-chave: linguagem, passagem do tempo e escala humana imediata.

"Os trabalhos basicamente têm uma ligação muito forte à ideia da subjectividade do tempo (…), também à de deslocação e às questões do território e à língua e linguagem”, explicou o artista, que exibe, por exemplo, um mural com um mapa-mundo com 60 fuso-horários – em vez dos 24 convencionais - ou um relógio quebrado a que faltam os fundamentais ponteiros, que coloca a questão sobre "os limites dos objetos que conhecemos". "É ou não um relógio por não ter ponteiros?”, questiona.

A Art Central Hong Kong 2016, que conta com uma selecção de mais de 100 galerias de 21 países, termina no próximo sábado, dia 26.

A mostra que o artista plástico residente no Luxemburgo tem no Instituto Camões do Grão-Ducado pode ser vista até 22 de Maio
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Foto: Paulo Lobo

Marco Godinho tem actualmente também uma exposição no Instituto Camões do Luxemburgo, "Não importa a distância - prefácio", uma colecção de títulos de jornais recolhidos desde 2008. A mostra no Centro Cultural Português antecipa a exposição que o artista, que vive no Grão-Ducado desde os nove anos, prepara para o Casino do Luxemburgo - Fórum de Arte Contemporânea.


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