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“Os Colegas” abriu Festival de Cinema brasileiro no Luxemburgo, na presença do Grão-Duque Henri
Cultura 7 4 min. 15.11.2013 Do nosso arquivo online

“Os Colegas” abriu Festival de Cinema brasileiro no Luxemburgo, na presença do Grão-Duque Henri

Cultura 7 4 min. 15.11.2013 Do nosso arquivo online

“Os Colegas” abriu Festival de Cinema brasileiro no Luxemburgo, na presença do Grão-Duque Henri

A película “Os Colegas”, do realizador Marcelo Galvão, assinalou esta quinta-feira a abertura da 3ª edição do Festival de Cinema Brasileiro no Grão-Ducado, na presença do Grão-Duque Henri. A sala de cinema Utopolis, na cidade do Luxemburgo, estava cheia na estreia do aclamado filme "Os Colegas".

Desde esta quinta-feira até 21 de Novembro, são apresentadas ao público nas salas dos cinemas Utopolis (Limpertsberg) e Utopia (Kirchberg), bem como na Cinemateca, oito obras cinematográficas. Uma selecção de cinema de qualidade que revela todo o potencial do cinema brasileiro.

“Estou muito feliz, pois estou a apresentar o filme em várias cidades europeias. Acabei de chegar de Milão para onde parto novamente amanhã. Antes passei por Madrid e apreciei muito o convite para estar pela primeira vez no Luxemburgo nesta estreia, tendo apreciado o facto de a organização apoiar a Associação de Trissomia 21. Sinto-me bastante honrado por estar presente o Grão-Duque Henri”, explicou o realizador-produtor Marcelo Galvão ao CONTACTO.  

“Eu gosto de escrever coisas que eu conheço, e então como fui criado com um tio com Trissomia 21, eu quis escrever um filme que não falasse de deficiência, que não falasse sobre a síndrome de Down, mas que falasse sobre sonhos, sobre amizade. Este não é um filme negativo, não é um drama, muito pelo contrário é um filme leve, positivo, é uma comédia pois eu sempre vi o meu tio como uma pessoa engraçada, generosa, divertida, com um enorme coração e por isso convidei três actores com síndrome de Down para produzir este filme”, explica, motivado, o realizador.

Com a participação especial do actor português Rui Unas e do renomado actor brasileiro Lima Duarte, os “Colegas” é uma divertida aventura comédia que aborda de forma inocente e poética coisas simples da vida através do olhar de três jovens com síndrome de Down apaixonados por cinema.

Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise, eles resolvem fugir no carro do jardineiro (o actor Lima Duarte) em busca dos seus sonhos: Stalone quer ver o mar, Márcio quer voar e a Aninha procura um marido para se casar. Eles partem do interior de São Paulo rumo a Buenos Aires.

Nessa viagem, enquanto experimentam o sabor da liberdade, envolvem-se em inúmeras aventuras e confusões como se a vida não passasse de uma eterna brincadeira.

“Os 3 actores com Trissomia 21 que desempenham os 3 principais papéis são o Ariel, que faz o papel de Stalone, a Rita, que desempenha o papel da Aninha (eles são casados há 10 anos na vida real) e o actor Breno faz o papel de Márcio, que é o nome do meu tio. Eles revelaram-se simplesmente brilhantes no seu desempenho. Não esperava que fossem tão bons actores e hoje somos grandes amigos”, adiantou ainda o realizador.

Além de servir como uma vitrina para as produções brasileiras na Europa, o Festival de Cinema brasileiro propaga o talento e a criatividade de um país que, desde os anos 60, contribui para a indústria do cinema em todo o mundo.

Actualmente a produção nacional ultrapassa 100 filmes por ano, mas com dificuldades, como nos explicou o realizador. Com 5 filmes realizados desde 2005, esta é a primeira longa-metragem do realizador que vai para o cinema.

“Este filme demorou 7 anos a realizar pois demorou muito tempo a encontrar os patrocinadores certos, dado que se trata de uma grande produção. Foi filmado no Brasil e na Argentina com um investimento de 6 milhões de reais, para além de que havia também muitos preconceitos, as empresas não se queriam 'colar' à temática da Trissomia 21”, explicou Marcelo Galvão.

Com uma comunidade brasileira de cerca de cinco mil pessoas residentes no Grão-Ducado, este é o único evento internacional no país, em que o público estrangeiro, incluindo a comunidade brasileira local, pode ver o Brasil na sua forma mais autêntica, através da cultura e da geografia do país.

“Este filme pode mudar um pouco a cabeça das pessoas, pois quem tem esta doença pode efectivamente fazer uma vida normal. Parabéns Marcelo, adorei! É um filme comovente, divertido e de uma sensibilidade extrema”, foi o comentário de uma espectadora durante a sessão de debate pós-projecção do filme.

O realizador Marcelo Galvão prepara já um outro filme, mais intimista, a “Despedida”, que fala sobre a terceira idade. O filme retrata a história de amor do seu avô e as filmagens têm início já em Janeiro. A receita da bilheteira da sessão inaugural reverteu na íntegra a favor da Associação Trissomia 21 asbl.

A programação está disponível no site www.festivaldufilmbresilien.lu.

Patrícia Marques