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On Body and Soul: História de amor num matadouro
Ninguém diria que ela se transforma em veado no meio da noite...

On Body and Soul: História de amor num matadouro

Ninguém diria que ela se transforma em veado no meio da noite...
Cultura 2 min. 10.01.2018

On Body and Soul: História de amor num matadouro

A narrativa deste filme húngaro, que conquistou os favores do festival de cinema de Berlim, gira em torno do casal formado pela jovem Mária e Endré. Ela arranja um emprego como controladora de qualidade no mesmo matadouro onde ele já trabalhava. Os dois desenvolvem uma estranha e forte ligação quando começam a encontrar-se, apesar de não se conhecerem muito bem, nos seus próprios sonhos, em forma de veados, na margem de um lago.

A narrativa deste filme húngaro, que conquistou os favores do festival de cinema de Berlim, gira em torno do casal formado pela jovem Mária e Endré. Ela arranja um emprego como controladora de qualidade no mesmo matadouro onde ele já trabalhava. Os dois desenvolvem uma estranha e forte ligação quando começam a encontrar-se, apesar de não se conhecerem muito bem, nos seus próprios sonhos, em forma de veados, na margem de um lago.

Se está a pensar que este filme se apresenta como 100% militante a favor dos animais acertou. O matadouro é utilizado e abusado para mostrar de forma muito gráfica como são abatidos os animais. Por outro lado, os protagonistas reúnem-se no mundo dos sonhos também como animais mas belos e nobres que vivem felizes na natureza.

“On Body and Soul” – no original húngaro “Teströl és lélekröl” – é um filme surpreendente e original mas que segue a estrutura de uma comédia romântica clássica. Não é preciso ser um cinéfilo para perceber que o filme arranca com o desencontro inicial do casal improvável, seguindo-se uma aproximação gradual mas com obstáculos, até chegarem ao (quase) romance. E, logo depois, o conflito que origina uma separação e que, afinal, não passa de um mal-entendido.

Apesar desta estrutura tão clássica, “On Body and Soul” não é uma comédia romântica mas um drama nu e cru. Os momentos que podem fazer sorrir o público têm origem na bizarria dos protagonistas e não em elementos puramente humorísticos.

As duas personagens principais são efetivamente curiosas: trata-se de duas pessoas solitárias com defeitos físicos e fortes perturbações psicológicas. Ambos estão muito longe do arquétipo dos protagonistas de uma comédia romântica...

O elemento mais perturbador desta obra é o contexto físico. A escolha de um matadouro permite, além dos momentos de crueldade, mostrar uma relação pouco convencional, para não dizer paranormal, entre duas pessoas muito originais.

O argumento é intimista e frio, e segue a um ritmo calmo que parece natural para este tipo de história e para estas personagens que são... aborrecidas. Para muitos espectadores, o visionamento de “On Body and Soul” pode ser difícil mas merece o esforço porque este é daqueles filmes que se entranham e vão deixar recordações durante muito tempo.

“On Body and Soul”, de Ildikó Enyedi, com Géza Morcsáyni, Alexandra Borbély, Zoltán Schneider, Ervin Nagy, Tamás Jordán, Zsusza Járó, Réka Tenki e Júlia Nyakó.

Raúl Reis

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