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Olivier Toth. O regresso da Rockhal e dos espetáculos "será feito passo a passo"
Cultura 9 11 min. 03.06.2021

Olivier Toth. O regresso da Rockhal e dos espetáculos "será feito passo a passo"

Olivier Toth. O regresso da Rockhal e dos espetáculos "será feito passo a passo"

Foto : Anouk Antony
Cultura 9 11 min. 03.06.2021

Olivier Toth. O regresso da Rockhal e dos espetáculos "será feito passo a passo"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
É de forma gradual, mas segura que o CEO da sala de concertos vê a retoma da agenda de eventos e do setor, no geral. Os concertos piloto, com 1000 pessoas e a realização de testes, prosseguem amanhã, com Remo Cavallini. Ao Contacto, Olivier Toth fala dos desafios de programar e concretizar eventos no atual cenário pandémico e das perspetivas da indústria do espetáculo para os próximos tempos.

Após dúvidas surgidas nas redes sociais e na imprensa, esta segunda-feira, a Direção da Saúde veio a público esclarecer que é obrigatório realizar um teste de rastreio à covid-19 para aceder a eventos culturais ou desportivos com uma lotação entre 150 e 1000 pessoas. A notícia pode ser novidade para muitos, mas não para a Rockhal, nem para os cerca de 600 espectadores que ocuparam o recinto luxemburguês, no passado dia 21 de maio, para assistir ao concerto de Serge Tonnar. 

No âmbito do 'Because Music Matters', a sala de espetáculos acolheu um evento-piloto, desta vez com vista ao acolhimento de um público de 1000 pessoas. O requisito para assistir ao espetáculo era realizar um teste de rastreio, horas antes da sua realização e o resultado foi a adesão de mais de metade da capacidade máxima contemplada.

Concerto de Serge Tonnar na Rockhal, 21 de maio de 2021.
Concerto de Serge Tonnar na Rockhal, 21 de maio de 2021.
Foto: Claude Piscitelli

Em entrevista ao Contacto, o CEO da Rockhal, Olivier Toth, explica a complexidade de organizar eventos com estas características e exigências sanitárias, mas mostra-se confiante na retoma do setor, que será gradual e não repentina. Para já, é importante também voltar a conquistar a confiança de público e intervenientes, mostrar que os eventos são seguros e ir aumentando, gradualmente, a capacidade das salas, num cenário que, reconhece, é ainda de "incerteza".

Está entre concertos, na véspera de realizar o de Remo Cavallini, esta sexta, e duas semanas depois do espetáculo de Serge Tonnar - ambos com a meta de 1000 pessoas e com a obrigatoriedade de realizar testes para quem queira assistir. Quais são os maiores desafios em organizar eventos assim e que implicam passos sanitários específicos, como os testes de rastreio? 
Penso que o grande desafio é, basicamente, o tempo. O tempo que se tem para implementar as diferentes medidas, para coordenar as diferentes equipas. Temos colaborado com a Inspeção Sanitária desde o outono e já fizemos juntos a primeira etapa do 'Beacuse Music Matters' em fevereiro, uma série de cinco espetáculos, com capacidade para 100 pessoas. Por isso, já estamos habituados a ter um bom fluxo de trabalho, nesse aspeto. Mesmo assim, o maior desafio continua a ser o tempo, porque não podemos anunciar nada sem saber as medidas sanitárias em vigor, temos de aguardar por um sinal oficial que confirme a direção a seguir. 


Serge Tonnar
Rockhal vai acolher concerto com 1000 pessoas a 21 de maio
Cabe a Serge Tonnar as honras de inaugurar esta nova fase da sala de Esch-Belvar. O público terá de ser testado para assistir ao espetáculo piloto e, se tudo correr bem, haverá mais dois concertos antes do verão.

Quando do concerto do Serge Tonnar, o Governo tinha apontado num sentido, mas havia ainda muito para transpor. Anunciámos um concerto de acordo com as orientações oficiais, mas sabíamos que podia estar sujeito a alterações de última hora. Há um certo nível de incerteza. É preciso estar aberto a isso e prosseguir, que foi o que fizemos, porque acreditamos que é preciso fazer eventos-piloto e eventos de teste como estes para que o nosso setor avance.

 Nesse sentido, estamos muito empenhados em realizar eventos assim, porque achamos que serão benéficos não só para o nosso setor, mas para o público, para todos os que trabalham nos bastidores [de um espetáculo], e, obviamente, para os artistas. Mas, de facto, o tempo é essencial. Ficámos numa posição em que tivemos só duas semanas para vender 1000 bilhetes, o que não é fácil. E depois, claro, há toda a implementação das medidas sanitárias e da testagem. Tudo isso precisa de ser preparado. O concerto de Serge Tonnar teve como meta uma capacidade de 1000 pessoas. 

Será preciso algum tempo para voltar a ganhar confiança, quer da parte do público, quer dos artistas, quer da nossa própria equipa. Por isso, estamos a desenhar passos para reconstruir essa confiança."

O concerto desta sexta-feira, 4 de junho, também mantém o mesmo objetivo, certo?
Bom, esse é o limite máximo permitido por lei e é o máximo que estabelecemos como meta para organizar o evento. Não alcançámos esse número no concerto do Serge Tonnar. Tivemos cerca de 600 pessoas em sala, o que foi muito bom e satisfatório para nós. Porque, como disse, é muito desafiante pôr de pé um evento assim e ainda há pessoas para quem as restrições não são aquilo que se espera ter quando se vai assistir a um espetáculo e que vão esperar até que tudo isto passe antes de voltarem a ir a um. Pelo menos, é esse o feedback que temos de algumas. Por isso, pessoalmente, fiquei muito contente com o facto de termos alcançado uma capacidade de 600 pessoas. Não esperamos conseguir atingir esse nível [de público] neste concerto de 4 de junho, mas ainda assim esperamos números decentes. Não se trata necessariamente de ter 1000 pessoas, trata-se, sobretudo, de o artista ter um bom público, dedicado, que quer participar, que vai despender de tempo para percorrer todo o processo do protocolo sanitário e que quer ter uma grande noite, naquela sala, com aquele artista. Claro que precisa de ser um número representativo, mas se forem 200, 300, 500 pessoas ou 1000... Não é esse o detalhe mais importante. 

 E igualmente importante é saber que se se chegar a essas 1000 pessoas tudo está preparado para responder com a segurança sanitária necessária. 
Sim, exatamente. E tenho dito, ao longo dos últimos tempos, e em diversas ocasiões, que este regresso será feito passo a passo. Não vamos estalar os dedos e ter, de repente, 5000 pessoas em pé na sala principal, como tínhamos há dois anos. Para nós, será mesmo um retorno gradual e pensamos que será preciso algum tempo para voltar a ganhar confiança, quer da parte do público, quer dos artistas, quer da nossa própria equipa. Por isso, estamos a desenhar passos para reconstruir essa confiança - uma confiança também junto das próprias entidades oficiais, como os Ministérios da Cultura e da Saúde, e das autoridades sanitárias, para garantir que mantemos um diálogo que permita organizar eventos com o aumento progressivo da capacidade e de público. 

Para estes espetáculos, em que é obrigatória a testagem do público, este tem a possibilidade de fazer um teste PCR, num laboratório à sua escolha, 72 horas antes do evento, ou fazer um teste rápido, no próprio dia do concerto, no Findel ou mesmo na Rockhal. Qual foi a opção mais usada pelo público, no último concerto (de Serge Tonnar)? 
Honestamente, ainda não posso avançar uma resposta, porque não tenho ainda esses dados. 

Mas teve algum tipo de feedback do público em relação ao processo de testagem? Por exemplo, as pessoas manifestaram algum tipo de constrangimento de privacidade ou embaraço por fazerem um teste, e obter o respetivo resultado, que pode ser positivo, no local onde iriam ver o espetáculo?
 Tivemos algum feedback nos espetáculos que fizemos em fevereiro e que não foram muito entusiásticos no que ao processo de testagem dizia respeito. Esse processo também foi, tanto para nós como para a própria Inspeção Sanitária, uma aprendizagem, na forma de lidar com todos os diferentes aspetos associados. E houve algumas pessoas que acharam que o facto de ter um número e depois ser chamado para receber o resultado do teste, no caso do resultado ser positivo, poderia ser um pouco embaraçoso. Entre fevereiro e maio mudámos esse sistema para que as pessoas não fossem chamadas, podendo apresentar-se elas próprias num balcão e aí receber a resposta, num processo que seria mais discreto, pois não haveria ninguém a chamar a pessoa para ir levantar o resultado. No último concerto [de Serge Tonnar] não recebi nenhum feedback negativo em relação ao protocolo de testagem. Também pedimos ao público para responder a algumas questões no final do espetáculo, mas ainda estamos a avaliar as respostas e recolher informação. 

Não vamos estalar os dedos e ter, de repente, 5000 pessoas em pé na sala principal, como tínhamos há dois anos".

Quão importante tem sido este tipo de eventos para a Rockhal, durante esta fase da pandemia, que ainda implica algumas restrições? 
São muito importantes, porque são uma ajuda a vários níveis. O primeiro é, como disse antes, o de construir confiança e segurança. É importante haver um entendimento comum sobre os parâmetros que se vão aplicar, de que o que fazemos não é algo inseguro por si, porque são desenhados parâmetros, tão seguros quanto possíveis, para permitirem a realização do evento. 

Temos mantido muito contacto com outras iniciativas semelhantes que estão a acontecer na Europa. No último sábado, estive em Paris para acompanhar o evento que foi realizado na Accor Arena [um concerto de teste com 5000 espectadores] e vi que a vibração e a determinação são as mesmas que se podem sentir na Rockhal. E uma das conclusões que os nossos colegas do Ziggo Dome, em Amesterdão, reportaram, a partir dos seus eventos, por exemplo, é que ir a um espetáculo não é mais perigoso que ir ao supermercado ou ter pessoas para jantar em casa. É muito importante ter esta troca com os nosso colegas para perceber também como é que está toda a gente a fazer este regresso e poder organizar eventos em contexto de covid-19. 

Portanto, são importantes para se ganhar segurança, reconstruir a confiança na frequência de espetáculos e, claro, é muito importante para nós, para os artistas, locais e internacionais, igualmente, haver um sinal de esperança, de que haverá um regresso e de que o setor está a trabalhar ativamente para desenhar este retorno de uma forma responsável e em constante diálogo com a ciência. O que temos dito deste o início deste percurso é que se juntarmos as competências da nossa área e as competências da ciência teremos uma combinação muito boa para organizar o regresso dos eventos ao vivo. E é isso que queremos fazer. 

O setor está a trabalhar ativamente para desenhar este retorno de uma forma responsável e em constante diálogo com a ciência."

Na conferência de imprensa de apresentação do concerto do Serge Tonnar, e desta nova fase do 'Because Music Matters', mencionou a possibilidade de a Rockhal poder volta a receber, num futuro próximo, os espetáculos de artistas internacionais. O que nos pode adiantar sobre isso?
 O que posso dizer é que quase todos os concertos promovidos pela Rockhal, que deveriam acontecer durante o verão, foram reagendados, em coordenação com os artistas, que consideraram não ter condições para fazer tournées na Europa [nesta altura]. A situação é mais complexa do que fazer apenas o concerto na Rockhal, porque estamos a falar de um circuito de tournée nacional e internacional. Com as restrições a manterem-se em vigor na maioria dos países europeus e com níveis de capacidade ainda muito baixos, é muito difícil falar em digressões nesta altura. Portanto, pensou-se que seria melhor agendar para datas em que todos se sentissem seguros em relação à concretização dos espetáculos. Apesar de haver um aumento, a nível internacional, de eventos de teste ainda não se está a conseguir realizar eventos numa escala maior. Talvez no final do verão aconteçam alguns. Vemos que há festivais anunciados para essa altura lá fora e que há esperança de que mais coisas possam acontecer depois do verão, com o regresso dos concertos de sala. Mas, claro, tudo está dependente das restrições nos diferentes países mas também da vacinação, que será um elemento muito importante nas expectativas de retoma do setor. 


'Covid check'. Adeus máscaras! Saiba onde pode estar sem restrições, a partir de 13 junho
Vai haver locais e eventos exclusivos 'Covid check', onde todos podem sentar-se, dançar e conviver livremente, sem máscaras ou distanciamento, até um máximo de 300 pessoas.

O Luxemburgo está a preparar um certificado digital (3G) para os cidadãos, com informação sobre o seu estado de imunização face à covid-19. A Rockhal está a ponderar, por exemplo, e depois dos testes, avançar com um acesso livre para quem já estiver vacinado, por exemplo?
Essa é uma pergunta que não consigo responder com "sim" ou "não". Estamos muito atentos ao que se vai passando a nível político, na Europa, por um lado, e a que regras possam vir a ser aplicadas no Luxemburgo, nesse sentido. Nesta altura é complicado antecipar, mas iremos seguir o conjunto de normas que forem aprovadas. Estima-se que se saiba mais sobre o que vai ser criado, no Luxemburgo, a partir de meados de junho [quando a nova lei covid for votada no Parlamento]. 

Nessa altura, saberemos mais sobre como este "passaporte" se vai refletir na nossa vida diária e na nossa possibilidade de aceder a eventos desportivos e culturais, ou outras atividades. Mas estamos atentos e o setor e os sistemas de vendas de bilhetes já estão também a ver como poderão integrar os dados desse tipo de plataforma [do certificado digital]. Penso que é muito bom que ela tenha sido discutida a nível europeu porque isso proporciona-nos uma abordagem coordenada entre os territórios europeus, que é uma parte muito importante do nosso setor.  

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