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"O Último Banho". O melhor filme português do ano
Opinião Cultura 1 2 min. 13.11.2022
Crítica de cinema

"O Último Banho". O melhor filme português do ano

Crítica de cinema

"O Último Banho". O melhor filme português do ano

Foto: DR
Opinião Cultura 1 2 min. 13.11.2022
Crítica de cinema

"O Último Banho". O melhor filme português do ano

Raúl REIS
Raúl REIS
O filme é apresentado a 14 de novembro no Luxemburgo, no Festival de Cinema Português, e na presença do realizador.

Os prémios Sophia, os Óscares do cinema português, consideraram "O Último Banho" como o melhor filme português de 2021, à frente de finalistas como "Bem Bom", "Sombra" e "Terra Nova". Além de melhor filme, "O Último Banho" venceu nas categorias de Argumento Original e Direção Artística, tendo sido candidato a 13 prémios.

O filme conta a história do reencontro de uma freira obrigada a regressar à terra em que cresceu para tomar conta do sobrinho adolescente abandonado pela mãe. O argumento retrata um país onde a religião condiciona o comportamento das personagens. A protagonista é Josefina, uma mulher que está prestes a fazer os votos para se tornar freira, e que descobrimos no retorno à aldeia natal, para participar no funeral do pai. A personagem principal reencontra o sobrinho que, com a morte do avô, não tem quem cuide dele. Assim, Josefina é forçada a "adotar" o sobrinho e a aceitar o desafio de educar um adolescente.

A produção de David Boneville teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Tóquio, passando depois por inúmeros festivais de São Paulo a Gotemburgo, ou de Chipre a Kiev, onde tive a oportunidade de conversar com Bonneville sobre a sua primeira longa metragem. Sendo um filme sobre tentações, "O Último Banho" trata uma temática complexa com alusões bíblicas, colocando as personagens em situações intrincadas e emocionalmente difíceis. O realizador opta por um argumento minimalista.

Talvez, por causa das filmagens no vale do Douro, fique a impressão de que a obra de David Bonneville tem algo de Manoel de Oliveira. Além do local, o ritmo também pode lembrar o mestre, o que não é surpreendente já que Bonneville começou a carreira a trabalhar em produções de Oliveira.

Bonneville diz que, à medida que o projeto avançou, o argumento foi sendo reduzido, o que acabou por dar às suas personagens mais mistério e sugestão. Segundo o realizador, esta abordagem deixa o espectador refletir por si próprio, e assume que prefere dar espaço ao público para pensar, imaginar ou projetar na narrativa as suas próprias vivências.

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Para interpretar a personagem principal, Anabela Moreira foi viver alguns dias com irmãs dominicanas num convento em Lisboa. "Acompanhei uma irmã que ainda não tinha concretizado os votos, uma noviça, que teve a amabilidade de partilhar os seus dias comigo. Durante esses dias cumpria os mesmos rituais que elas, com isto já me encarando como Josefina, e foi então que descobri um interesse nesta procura, o de amar ou casar por este amor universal, esta perfeição de amor que é o amor por Deus", declarou a atriz que surpreende pela exatidão da interpretação, que mereceu um Globo de Ouro.

"O Último Banho" é apresentado dia 14 de novembro no Luxemburgo, no âmbito do Festival de Cinema Português, e na presença do realizador, estando depois programado na salas Cinextdoor (Echternach, Diekirch, etc.) através do Cineclube Português.

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