Escolha as suas informações

Na Philharmonie: Luxemburgo rendeu-se ao talento de Miguel Araújo
Miguel Araújo diz que ficou surpreendido com o carinho do público do Luxemburgo

Na Philharmonie: Luxemburgo rendeu-se ao talento de Miguel Araújo

Foto: Paulo Dâmaso
Miguel Araújo diz que ficou surpreendido com o carinho do público do Luxemburgo
Cultura 4 min. 02.10.2015

Na Philharmonie: Luxemburgo rendeu-se ao talento de Miguel Araújo

Miguel Araújo esteve ontem no Luxemburgo, para um concerto na Philharmonie. Considerado um dos artistas mais completos da nova geração da música portuguesa, o cantor e compositor do Porto actuou durante quase duas horas com casa cheia.

O Dia Mundial da Música, celebrado esta quinta-feira, marcou a estreia de Miguel Araújo no Luxemburgo, com um concerto na Philharmonie, na capital do país. Considerado um dos artistas mais completos da nova geração da música portuguesa, o cantor e compositor do Porto não podia ambicionar melhor estreia por terras do Grão-Ducado: actuou durante quase duas horas, perante as 300 pessoas que lotaram a Sala de Música de Câmara.

Num espectáculo intimista, Miguel Araújo trouxe na bagagem temas dos seus dois álbuns editados a solo ("Cinco Dias e Meio", de 2012, e "Crónicas da Cidade Grande", de 2014), músicas da sua banda, Os Azeitonas, e ainda canções que compôs para outros nomes grandes da música portuguesa.

O 46º concerto da digressão de 2015 começou a solo com "Carolina", "Capitão Fantástico" e "Ventura" (tema que escreveu para a fadista Carminho). "Não sei em que língua me deva dirigir a vocês. Quantos portugueses estão aqui?", atirou Miguel Araújo. O número de braços no ar foi elucidativo: cerca de 80 por cento da audiência era portuguesa. Mas na magnífica sala da Philharmonie estavam também muitos luxemburgueses, franceses e alemães. A plateia, heterogénea, era composta por várias gerações, dos 7 aos 77. Miguel Araújo alternou entre o português e o inglês. "Assim todos me entendem".

Foto: Sébastien Grébille / Philharmonie

Já acompanhado em palco por Pedro Santos (baixo, contrabaixo) e por Diogo Santos (piano, acordeão e melódica), Miguel Araújo fez desfilar outros temas bem conhecidos, como "Reader's Digest" e "O Pica do 7" (ambos escritos para António Zambujo), além do tema "E Tu Gostavas de Mim", composto para a fadista Ana Moura.

O público estava rendido. Cada letra estava na ponta da língua e a plateia não se fez rogada para cantar com Araújo. "É a primeira vez aqui e é absolutamente incrível ver esta sala assim cheia", admitiu o artista, arrancando mais uma série de aplausos.

O intervalo, o voo atribulado e as guitarras em terra

A primeira parte do espectáculo terminou com "Romaria das Festas de Santa Eufémia". O concerto, inserido na iniciativa "Chill at the Phil", teve intervalo, uma surpresa para o cantor. "Nunca tinha feito um concerto com intervalo. Mas assim dá para ir fazer um chichizinho e comer umas pipocas", brincou o artista multifacetado, arrancando uma gargalhada geral.

A iniciativa "Chill at the Phil" da Philharmonie funciona como um "remédio natural" para combater o stress. Ao público é permitido, em determinados concertos, beber o seu copo de espumante, cerveja ou outra bebida comodamente na sala, enquanto se é guiado pela música que vem do palco. Um conceito possível graças ao civismo da audiência.

A segunda parte do concerto começou com um tema inédito. Miguel Araújo estreou no Luxemburgo a sua mais recente música, "Quarto de Glória". "Tem apenas três dias e vou estreá-la aqui, porque sei que não corro o risco de alguém filmar e ir imediatamente colocá-la no Youtube. Aqui as regras são mais apertadas", afirmou Miguel Araújo, que tocou ainda outra música nova: "Lá vai Sofia".

"Balada Astral" voltou a arrancar aplausos e eis que, novamente a solo em palco, Miguel Araújo cantou em inglês: "American Tune", do álbum "There Goes Rhymin' Simon" (1973), o segundo disco a solo de Paul Simon. Foi um dos momentos da noite, com Miguel Araújo a radiografar na perfeição a emigração portuguesa espalhada pelo mundo.

O ecléctico artista português passou depois pelo repertório da sua banda, Os Azeitonas. "Desenhos Animados" serviu para Miguel Araújo brincar com a "feminilidade" do tom da música e fazer uma confissão: "Deixei de fumar há um mês. É um pesadelo, sobretudo para a voz. Daqui a uns meses estou a cantar com o tom da Mariza", brincou.

Foto: Sébastien Grébille / Philharmonie

"Anda comigo ver os aviões" foi o tema perfeito para Miguel Araújo dar uma "alfinetada" na TAP, a transportadora aérea portuguesa. Em causa esteve o embarque dos instrumentos no voo de Portugal para o Luxemburgo. Este é, de resto, um problema frequente para os músicos em digressão. Neste caso, a TAP não terá permitido que as guitarras fossem junto dos músicos e a solução foi enviar os instrumentos para o porão. Só que mesmo assim a TAP descartou responsabilizar-se caso algum instrumento sofresse danos durante o voo.

Segundo Miguel Araújo, os músicos arriscaram enviá-los no porão do avião e criticam a empresa, acusando-a de querer fugir às suas responsabilidades, "que até podiam não ser nenhumas". Miguel Araújo aventurou-se a enviar as suas guitarras ("felizmente, chegaram bem"), mas o baixista Pedro Santos não arriscou trazer a viola-baixo e o contrabaixo. "Por isso, agradecemos a quem disponibilizou os dois instrumentos para o espectáculo desta noite", agradeceu Miguel Araújo. ​

Para o final estava guardado o melhor: "Dona Laura", "Os Maridos das Outras" (o tema mais popular do disco "Cinco Dias e Meio") e, já no encore, "Contamina-me", encerraram um espectáculo de luxo, a que se seguiu uma sessão de autógrafos.

Em jeito de balanço, Miguel Araújo garante que não podia ambicionar melhor estreia no Grão-Ducado. "Estou surpreendido com a receptividade do público. Havia uma grande expectativa. Não sabia bem o que esperar e o concerto foi melhor do que muitos em casa (Portugal). Mas, afinal esta também é nossa casa, não é?", disse ao CONTACTO Miguel Araújo, que promete novidades para 2016 e ambiciona regressar ao Luxemburgo.

Paulo Dâmaso


Notícias relacionadas

Rodrigo Leão traz novo projeto ao Luxemburgo
Rodrigo Leão, com uma carreira que ficará na história da música portuguesa, vem ao Luxemburgo com Scott Matthew para apresentar um disco a quatro mãos, “Life is Long”. O concerto é já no próximo domingo, dia 8 de outubro, e faz parte do Festival Atlântico, que arranca esta semana na Philharmonie.
Rodrigo Leão e Scott Matthew trazem ao Luxemburgo “Life is Long”, um disco com letras do australiano e músicas do português. Foto: Rita Carmo RodrigoLeão traz novo projeto ao Luxemburgo
Concerto no Luxemburgo : Miguel Araújo na Philharmonie
O nome de Miguel Araújo se calhar não lhe diz muito, mas se lhe dissermos que é ele que canta aquela música que diz que “os maridos das outras são...”, com certeza que até já está a trautear a música que chegou aos tops portugueses em 2012. Miguel Araújo é autor e compositor e vai actuar no próximo dia 1 de Outubro na Philharmonie, na cidade do Luxemburgo. Há quem diga que é dos melhores da actualidade.
É a primeira vez que Miguel Araújo vem ao Luxemburgo