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Não queres ir ao cinema?
Se não há nada de bom no cinema, fico em casa a brincar

Não queres ir ao cinema?

Se não há nada de bom no cinema, fico em casa a brincar
Cultura 3 min. 23.10.2013

Não queres ir ao cinema?

– Não me digas que com tanta coisa boa nas salas tu queres ficar em casa a ver televisão? – E depois? Não está nada de jeito no cinema. Ó diz-me lá dois filmes em condições...

– Para começar há o festival CinÉast; montes de filmes diferentes, de países que a gente não conhece bem.

– Pois. Não me estás a ver a aturar a história de um marginal com o seu cão como no filme checo, ou ir ver aqueles desenhos animados polacos que o Vasco Granja me impingiu quando eu era miúda!

– Estás a ser mázinha. Esses desenhos animados não eram todos maus

!– Olha quem fala! Tu que dizias que só vias o programa porque no fim passava o Tom & Jerry ou o Bugs Bunny.

– O Vasco Granja não é para aqui chamado. Vamos ver um filme do CinÉast ou não? Eu comprei um passe ilimitado e quase não pus lá os pés.

– Eu bem te disse. Nunca percebi porque é que querias ir ver aqueles filmes sobre o dia internacional da mulher e as nostalgias soviéticas, mas tu é que sabes.

– Por acaso não fui ver esses, mas passa lá muita coisa boa. Até há um filme polaco que se passa em Lisboa; chama-se "Imagine" e é sobre um cego que vai para uma clínica lisboeta.

– Hmmm, não sei. Só porque se passa em Lisboa é bom? Lembras-te de "Night Train to Lisbon"?

– Tens razão. E que me dizes de irmos ver "D'Fifties", do Andy Bausch? É um filme luxemburguês sobre os anos cinquenta.

– A Rita viu, diz que é giro, porque fala de coisas que a gente conhece, mas também disse que se fosse sobre Riga ou Marselha nos passava ao lado. Também disse que era um bocado um "pot pourri" de imagens e sons um bocado diferentes e de várias origens.

– Já temia isso, mas tenho curiosidade de qualquer forma. Também me sacrifiquei para ver "Night Train to Lisbon" e não vivo lá. "D'Fifties" tenho mesmo de ver.

– Então vais sem mim, que eu não tenho a mínima pachorra.

– Temos o último filme do Jeunet: "The Young and Prodigious T. S. Spivet". Esteve no festival de San Sebastián e tem críticas correctas. Lembra-te que é do homem que deu corpo a Amélie Poulain.

– Sim, mas o miúdo faz-me lembrar o puto de "Home Alone" e isso dá-me alergia. Por outro lado, gostava de ver a Helena Bonham Carter neste filme. Ela é excelente em papéis um bocado amalucados.

– Então vamos ver este?– Hmmm, não sei. Estava mais numa de cinema francês...

– O Jeunet é francês!

– Tás a gozar comigo? O filme é só francês no registo civil. É uma produção americana em que se fala inglês e tudo. E que achas de "La vie d'Adèle"?

– Já vi. Então não leste a minha crítica na semana passada?!

– Sabes bem o que penso dos críticos em geral e das tuas críticas em particular. Agora a sério: passou-me despercebida. E que disseste tu sobre o filme?

– Que é belo e profundo mas que é longo demais. Quase três horas.

– Bolas! Então não quero. Depois do cinema, ou antes, gosto de jantar em condições. Isso acaba tarde demais.

– Então que filme vamos ver? Também está aí "9 mois ferme" e "Au bonheur des ogres".

– Esse não é com o Kusturica? Nãaaa. Esquece. E se ficássemos em casa e fizesses o "download" dos últimos episódios de "Game of Thrones"?

– Sabes que eu não pirateio filmes ou séries. É contra os meus princípios de cinéfilo.

– Então mete esta "pen" no televisor que eu tenho aqui os episódios que ainda não vimos...

Raúl Reis