Não queres ir ao cinema?
Não queres ir ao cinema?
– Para começar há o festival CinÉast; montes de filmes diferentes, de países que a gente não conhece bem.
– Pois. Não me estás a ver a aturar a história de um marginal com o seu cão como no filme checo, ou ir ver aqueles desenhos animados polacos que o Vasco Granja me impingiu quando eu era miúda!
– Estás a ser mázinha. Esses desenhos animados não eram todos maus
!– Olha quem fala! Tu que dizias que só vias o programa porque no fim passava o Tom & Jerry ou o Bugs Bunny.
– O Vasco Granja não é para aqui chamado. Vamos ver um filme do CinÉast ou não? Eu comprei um passe ilimitado e quase não pus lá os pés.
– Eu bem te disse. Nunca percebi porque é que querias ir ver aqueles filmes sobre o dia internacional da mulher e as nostalgias soviéticas, mas tu é que sabes.
– Por acaso não fui ver esses, mas passa lá muita coisa boa. Até há um filme polaco que se passa em Lisboa; chama-se "Imagine" e é sobre um cego que vai para uma clínica lisboeta.
– Hmmm, não sei. Só porque se passa em Lisboa é bom? Lembras-te de "Night Train to Lisbon"?
– Tens razão. E que me dizes de irmos ver "D'Fifties", do Andy Bausch? É um filme luxemburguês sobre os anos cinquenta.
– A Rita viu, diz que é giro, porque fala de coisas que a gente conhece, mas também disse que se fosse sobre Riga ou Marselha nos passava ao lado. Também disse que era um bocado um "pot pourri" de imagens e sons um bocado diferentes e de várias origens.
– Já temia isso, mas tenho curiosidade de qualquer forma. Também me sacrifiquei para ver "Night Train to Lisbon" e não vivo lá. "D'Fifties" tenho mesmo de ver.
– Então vais sem mim, que eu não tenho a mínima pachorra.
– Temos o último filme do Jeunet: "The Young and Prodigious T. S. Spivet". Esteve no festival de San Sebastián e tem críticas correctas. Lembra-te que é do homem que deu corpo a Amélie Poulain.
– Sim, mas o miúdo faz-me lembrar o puto de "Home Alone" e isso dá-me alergia. Por outro lado, gostava de ver a Helena Bonham Carter neste filme. Ela é excelente em papéis um bocado amalucados.
– Então vamos ver este?– Hmmm, não sei. Estava mais numa de cinema francês...
– O Jeunet é francês!
– Tás a gozar comigo? O filme é só francês no registo civil. É uma produção americana em que se fala inglês e tudo. E que achas de "La vie d'Adèle"?
– Já vi. Então não leste a minha crítica na semana passada?!
– Sabes bem o que penso dos críticos em geral e das tuas críticas em particular. Agora a sério: passou-me despercebida. E que disseste tu sobre o filme?
– Que é belo e profundo mas que é longo demais. Quase três horas.
– Bolas! Então não quero. Depois do cinema, ou antes, gosto de jantar em condições. Isso acaba tarde demais.
– Então que filme vamos ver? Também está aí "9 mois ferme" e "Au bonheur des ogres".
– Esse não é com o Kusturica? Nãaaa. Esquece. E se ficássemos em casa e fizesses o "download" dos últimos episódios de "Game of Thrones"?
– Sabes que eu não pirateio filmes ou séries. É contra os meus princípios de cinéfilo.
– Então mete esta "pen" no televisor que eu tenho aqui os episódios que ainda não vimos...
Raúl Reis
