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Museu do Neo-Realismo: Oito anos a mostrar como se encontra o futuro na crise
Cultura 15 3 min. 22.10.2015

Museu do Neo-Realismo: Oito anos a mostrar como se encontra o futuro na crise

Cultura 15 3 min. 22.10.2015

Museu do Neo-Realismo: Oito anos a mostrar como se encontra o futuro na crise

Num ambiente de crise política, social e económica, torna-se imperioso encontrar um contributo positivo, de futuro, para dar aos Homens.

Num ambiente de crise política, social e económica, torna-se imperioso encontrar um contributo positivo, de futuro, para dar aos Homens.

É então que o reconhecimento que alguns autores e artistas fazem da situação acaba por ganhar corpo no seu manifestar. É através da existência de uma consciência política, que se concretiza em formas artísticas, que, entre as Duas Grandes Guerras do século XX, em Portugal surge o Neo-Realismo.

O movimento literário e artístico que em Portugal ganhou o nome de Neo-Realismo, e que teve o seu expoente máximo durante os anos 30, 40 e 50 do século XX, teve maior expressividade através da Literatura, Pintura e Cinema. Mas outros campos artísticos como o Teatro, a Música e a Fotografia também foram usados pelos neo-realistas.

“A arte traz aos Homens uma ideia de história e de futuro, que sem ela não existia. A arte, quer a Literatura, quer a Pintura, quer o Cinema, traz aos Homens esse contributo de futuro, que é insubstituível. É por isso que essa consciência política se transformou em formas artísticas,” afirma o director científico do Museu do Neo-Realismo, António Pedro Pita.

É no centro de Vila Franca De Xira que está instalado o Museu sem o qual não é possível fazer a história do século XX em Portugal. Inaugurado em 2007, a história do Museu remonta aos anos 80 do século XX, quando um grupo de personalidades relacionadas com o movimento neo-realista decidiu que era o momento de preservar documentação e, ao mesmo tempo, criar as condições para que uma história do Neo-Realismo fosse possível fora daquilo que cada um recordava.

Com grande orgulho, Pedro Pita revela que “algumas das figuras fundamentais do Neo-Realismo entregaram os seus espólios. O que deu origem ao riquíssimo centro de documentação sem o qual, hoje, não é possível fazer uma história do século XX, português pelo menos.”

Alves Redol, Mário Dionísio, Joaquim Namorado, Manuel da Fonseca, Carlos Oliveira, Mário Braga, Soeiro Pereira Gomes, José Cardoso Pires, Arquimedes da Silva Santos, Orlando da Costa e João José Cochofel são alguns dos autores que integram um espólio que, no campo das artes plásticas, tem representados, entre outros, artistas como Almada Negreiros, Júlio Pomar, Alice Jorge, Querubim Lapa, Marcelino Vespeira, Margarida Tengarrinha, Abel Manta, Nuno San Payo, Maria Barreira e Nikias Skapinakis.

Um Centro de Documentação que é uma referência internacional para investigadores que trabalham sobre o Neo-Realismo português, onde, por exemplo, se englobam muitos estudiosos brasileiros que visitam o museu ou a este pedem material, a investigadora francesa Viviane Ramond, que escreveu a primeira história da revista Vértice, ou o investigador italiano Giovanni Ricciardi, autor da única biografia de Soeiro Pereira Gomes.

No Museu do Neo-Realismo existe ainda um espaço museológico que alberga a exposição de longa duração e acolhe exposições temporárias. Um auditório, uma sala de literatura portuguesa e uma sala de artes plásticas também fazem parte de um edifício onde se procura “construir uma relação entre o modo como o neo-realismo nos anos 30, 40 e 50 do século XX estava preocupado com as questões do real e o modo como nos dias de hoje os artistas portugueses, os escritores portugueses, estão igualmente preocupados com a questão do real. Embora lhes dêem formas artísticas muito diferentes daquelas que ocorreram então,” esclarece o director do Museu.

A consciência artística e, sobretudo, literária, que em Portugal teve o nome de Neo-Realismo, é algo transversal a outras sociedades. O movimento artístico, literário e filosófico que procurava dar voz e representar as camadas proletárias, por exemplo, no Brasil é identificado como Regionalismo - Jorge Amado, Graciliano Ramos e Érico Veríssimo constituíram grandes pontos de referência para os neo-realistas portugueses.

Luís Guita


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