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Museu de Arte Moderna do Luxemburgo dedica exposição a João Penalva
João Penalva.

Museu de Arte Moderna do Luxemburgo dedica exposição a João Penalva

Foto: Lusa
João Penalva.
Cultura 3 min. 28.02.2018

Museu de Arte Moderna do Luxemburgo dedica exposição a João Penalva

Paulo Jorge PEREIRA
Paulo Jorge PEREIRA
O Museu de Arte Moderna Grão-Duque Jean (Mudam) vai dedicar uma exposição ao artista português João Penalva, a inaugurar no dia 2 de março, comissariada por Clément Minighetti.

“O artista português João Penalva inventa ficções poéticas que estimulam a nossa imaginação. Os seus contos visuais, que podem ser obras intimistas ou grandes instalações, apresentam-se sob a forma de encenações nas quais coexistem pinturas, fotografias, vídeos e documentos como imagens, textos e sons”, pode ler-se na descrição patente na página do museu, liderado desde o início do ano pela antiga diretora do Museu de Serralves, Suzanne Cotter.

No contexto desta exposição, o Grande Teatro do Luxemburgo vai ter a abertura da sua temporada, a 15 de setembro de 2018, com “Quinze Bailarinos e Tempo Incerto”, da Companhia Nacional de Bailado (de Portugal), sob direção artística de João Penalva e coreografia de Rui Graça.

Nascido em 1949, Penalva formou-se em ballet clássico e “percorreu os palcos europeus como bailarino profissional e cenógrafo”, antes de se fixar em Londres, onde estudou Belas- Artes. Iria, segundo a Fundação Gulbenkian, ser “pintor neoexpressionista, aclamado em Portugal e no Reino Unido, embora nos anos 90 se abrisse a progressiva diversificação e complexificação das linguagens artísticas usadas” como “vídeo, instalação, fotografia, música” e “correlacionando imagem, texto e linguagem em função do valor central duma narratividade”.

Penalva representou Portugal na XXIII Bienal Internacional de São Paulo, em 1996, e na Bienal de Veneza, em 2001, tendo exposto em múltiplas outras bienais internacionais.

A exposição no Luxemburgo vai estar aberta ao público de 3 de março a 16 de setembro, de acordo com o Mudam.

Descoberto por Pina Bausch

O percurso de Penalva tem conhecido momentos marcantes como o convite de Pina Bausch para que se juntasse à sua companhia de dança em Wuppertal, na Alemanha. Há cerca de três anos, em declarações ao jornal britânico The Independent, o artista lembrou que deixara Portugal aos 20 anos “para fugir à guerra colonial e estudar dança.”

O jornal contava como, durante um ano, João Penalva esteve na companhia da famosa coreógrafa, saindo para trabalhar com Gerhard Bohner. Foi aqui que se registou uma outra transformação na sua vida. Na cidade de Darmstadt, como visitante do Hessisches Landesmuseum, o artista ganhou inspiração nas sete salas conhecidas como Block Beuys. Ganhava o impulso certo para ampliar horizontes artísticos e dedicar-se mais às artes visuais por influência do trabalho de Joseph Bueys.

De Londres a Hiroxima

“Ser dançarino é fazer tudo como parte de um grupo. A pintura ofereceu-me uma solidão maravilhosa”, confessou nas afirmações ao Independent. Estudante na Chelsea School of Art em Londres, Penalva decidiu radicar-se na capital britânica na transição dos anos 70 para a década de 80.

A partir dos anos 90, Penalva passou a visitar o Japão com regularidade e teve um convite em 1997. “Yukiko Ito, curador em Hiroxima, convidou-me para participar na Hiroshima Art Document, uma exposição anual que começou como memorial a propósito do bombardeamento atómico. Era num complexo formado por quatro grandes edifícios que sobreviveram à explosão quase intactos”, explicava Penalva sobre o seu trabalho, quando este foi exposto na Tate Modern, famosa galeria de arte moderna em Londres, em 2014.

Na preparação do seu trabalho, o português recebeu fotos do local e houve algo que lhe despertou a atenção. “Apercebi-me de umas ervas daninhas que cresciam por entre o asfalto sem que houvesse solo à vista. A sua resistência causou-me um impacto tão grande que percebi, logo ali, que aquele seria o meu material de trabalho”, explicou.

Quando chegou ao local, Penalva deparou-se com a combinação de “solidão, as ervas e o canto inesgotável das cigarras no tórrido calor de agosto”. E tomou uma decisão: “Senti que tinha de falar-lhes, dirigindo-me a elas como se fossem pessoas. Pedi a um botânico, o senhor Watanabe, que me ajudasse e ele identificou 32 espécies diferentes, algumas locais, mas muitas americanas.”

Com a informação de que necessitava, Penalva agiu e construiu algo de diferente. “Como num jardim botânico, coloquei uma placa de metal junto a cada espécie com o seu nome em latim, japonês e inglês”, referiu no texto da Tate. Quando saiu da cidade, João Penalva tinha uma oferta especial à espera: “O botânico ofereceu-me um ervário com um exemplar de cada uma das espécies, permitindo-me voltar a trabalhar com aqueles materiais.”


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