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Mother!: O verdadeiro artista
Quando um realizador quer fazer um autorretrato conta a história de uma mãe.

Mother!: O verdadeiro artista

Quando um realizador quer fazer um autorretrato conta a história de uma mãe.
Cultura 2 min. 27.09.2017

Mother!: O verdadeiro artista

O mais recente filme de Darren Aronofsky conseguiu bater os recordes dos anteriores no que respeita a polémicas. Os críticos batem-se em dois campos opostos, defendendo tanto a genialidade de “Mother!” como a sua futilidade e imensa falta de qualidade.

O mais recente filme de Darren Aronofsky conseguiu bater os recordes dos anteriores no que respeita a polémicas. Os críticos batem-se em dois campos opostos, defendendo tanto a genialidade de “Mother!” como a sua futilidade e imensa falta de qualidade.

Pessoalmente, tenho mais tendência para me sentar do lado daqueles que não gostaram de “Mother!”. Os defensores do trabalho de Aronofsky dizem que esta é a sua versão do filme de Woody Allen “Stardust Memories”. Eu tenho mais orientação para considerar que esta película está para a de Allen tal como um hambúrguer no McDonald’s para um jantar de estrelas Michelin.

Enquanto Woody Allen nos conta histórias de fama e celebridade, tratando-se a si próprio como bobo da corte, Aronofsky assume um registo grave mas igualmente autobiográfico. O seu papel é interpretado por Javier Bardem que, por causa deste papel, caiu em desgraça mesmo junto de alguns dos seus fãs mais aguerridos.

O filme anda nas fronteiras do ridículo e muitas vezes cai no abismo da tolice. É pena, porque o assunto é interessante, mas o realizador parece perder de vista o objetivo.

E por que razão um filme sobre a fama e um homem célebre se chama “Mãe!”? Porque o verdadeiro protagonista não é o artista, mas a mulher que é sua companheira na vida (Jennifer Lawrence).

“Mother!” está dividido em dois capítulos. O primeiro é aborrecido a sério. Não fosse o meu princípio sacrossanto de nunca sair de uma sala a meio e desta vez tinha mesmo ido comer qualquer coisa mais cedo. Felizmente fiquei até ao fim para descobrir uma segunda metade mais surpreendente. Enquanto a primeira parte do filme aborda a falta de inspiração, a segunda é uma história de criação, de fecundidade.

O realizador quis assinar uma sátira, uma espécie de reportagem sobre o mundo das celebridades – com especial incidência sobre os homens artistas –, revelando a forma como eles se “alimentam” da juventude de mulheres que os rodeiam como se de vampiros se tratasse. Elas adoram esses homens: o seu talento, a sua fama, a sua fortuna, a sua experiência.

Aronofsky revela (infelizmente não é o primeiro a fazê-lo) a tendência do artista para a autodestruição que, curiosamente, se reflete na multidão que o segue (ou será ao contrário?). O artista vampiriza e é vampirizado, consumido por aqueles que o adoram.

Toda esta temática é interessante e abordada, por vezes, de forma inteligente. Contudo, “Mother!” cai no exagero, na caricatura quase monstruosa, e é por aí que o filme também se desmorona.

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“Mother!”, de Darren Aronofsky, com Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris e Michelle Pfeiffer.

Raúl Reis

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