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Morreu Patxi Andion, o cantor espanhol que se apaixonou por Portugal
Cultura 2 3 min. 18.12.2019

Morreu Patxi Andion, o cantor espanhol que se apaixonou por Portugal

Morreu Patxi Andion, o cantor espanhol que se apaixonou por Portugal

Foto: DR
Cultura 2 3 min. 18.12.2019

Morreu Patxi Andion, o cantor espanhol que se apaixonou por Portugal

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Foi amigo de Zeca Afonso, Ary dos Santos traduziu-o e Tonicha cantou-o. Voltou sempre a Portugal para tocar as suas canções, aprendeu português e homenageou a música lusa.

Morreu esta quarta-feira, 18 de dezembro, o cantor espanhol Patxi Andion. O artista madrileno, que mantinha uma forte relação com Portugal, perdeu a vida num acidente de viação em Soria, Espanha, depois de se ter despistado com o carro que conduzia, segundo confirmaram os media espanhóis. Tinha 72 anos. 

Patxi Andion celebrou em 2019 os 50 anos de carreira, assinalados com o novo disco 'La Hora del Lobicán', lançado no mês passado, e com vários concertos, que em setembro motivaram uma série de atuações em Portugal, onde voltava sempre e com regularidade desde o final dos anos 60. 

De ascendência basca, Patxi Joseba Andión González, nascido a 6 de outubro de 1947, em Madrid, começou, refere a agência EFE, por se dedicar à carreira de Obras Públicas, antes de tornar o reconhecido cantor, músico e compositor que era até hoje. Estudou Jornalismo e, posteriormente, doutorou-se em Sociologia com a tese "A mudança social em Espanha e a imprensa do coração entre 1975 e 1985". 

Foi perseguido durante o franquismo e acabou por se exilar em França. 

Foto: Facebook Patxi Andion


'Retratos' foi o seu primeiro disco, editado em 1969, ano em que se estreou em Portugal, através do o programa televisivo “Zip-Zip”, de Raul Solnado, José Fialho Gouveia e Carlos Cruz. 

A sua amizade com Zeca Afonso e Ary dos Santos e o teor de muitas da suas músicas fizeram com que a sua relação com o regime ditatorial português não fosse fácil e motivasse várias vezes a sua expulsão do país, pela PIDE. 

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

"A primeira vez que vim a Portugal foi para fazer a primeira parte de um espetáculo de Manolo Díaz. Ele foi expulso antes do concerto e a mim deram-me 12 horas para deixar o país. Na segunda vez que vim foi para cantar no programa Zip Zip. Quando saí do canal a PIDE estava à minha espera. Meteram-me num carro tal como eu estava vestido, sem documentação e deixaram-me na fronteira de Badajoz. Dessa vez eu tive mesmo muito medo (...) Curiosamente, foi naquela noite que começou a minha amizade com Zeca Afonso", contou numa entrevista concedida ao jornal 'Correio da Manhã', em setembro passado, quando da sua última passagem por Portugal.

Apesar disso, José Carlos Ary dos Santos traduziu alguns dos seus poemas, que a cantora Tonicha gravou, ainda antes do 25 de Abril. 

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Foi também pouco antes da revolução que Patxi Andion deu o seu primeiro concerto nos palcos portugueses, a 29 de março de 1974, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. De acordo com as crónicas jornalísticas da época, citadas pela Agência Lusa, a emblemática sala lisboeta esgotou para ouvir o músico e ator espanhol. 

As visitas a Portugal mantiveram-se e aprofundaram-se ao ponto do artista ter aprendido a língua portuguesa, facto de que se orgulhava, como lembra a rádio Antena 1. 

Em 2011, celebrou essa ligação afetiva com aquele a que chamava o seu segundo país, com quatro dias de concertos no país, que gravou e que se converteram no disco 'Cuatro Días de Mayo', lançado em 2014, o seu primeiro álbum ao vivo e 20º. registo da sua carreira. 

Antes disso, no ano de 2007, participou no álbum 'Para além da saudade', da fadista Ana Moura. E em dezembro de 2013, voltou a Portugal para apresentar o disco 'Porvenir', na Casa da Música e no Centro Cultural de Belém, em dois concertos esgotados. 

Nesse mesmo ano, fez parte do álbum 'O Fado e a Alma Portuguesa', editado no âmbito dos 125 anos do nascimento de Fernando Pessoa. 

Em 2017, Patxi Andión atuou novamente nas salas nacionais, numa homenagem a José Afonso, 'Zeca no Coração', que passou por Lisboa, Porto e Évora. Este ano, voltou a tocar nos palcos portugueses, por ocasião dos seus 50 anos de carreira. 

Algumas personalidades portuguesas, contemporâneas suas ou da geração mais nova, usaram as redes sociais para manifestar o seu sentimento de tristeza pela morte de Patxi Andion, como são os casos do fadista Ricardo Ribeiro ou da historiadora Irene Pimentel. 



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