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Morreu Juliette Gréco, ícone da canção francesa
Cultura 9 3 min. 23.09.2020

Morreu Juliette Gréco, ícone da canção francesa

Morreu Juliette Gréco, ícone da canção francesa

Foto: AFP
Cultura 9 3 min. 23.09.2020

Morreu Juliette Gréco, ícone da canção francesa

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Cantora que marcou várias gerações, morreu esta quarta-feira, aos 93 anos.

Morreu a cantora francesa Juliette Gréco.

Com 93 anos e uma carreira de mais de meio século, Gréco faleceu esta quarta-feira, 23 de setembro, confirmou a família numa nota enviada à agência France Press (AFP).

"Juliette Gréco morreu a 23 de setembro de 2020, rodeada da sua família na casa que ela tanto adorava. A sua vida foi inigualável". Feita de "paixão, luta, amor e risos intensos", como a própria cantora, nascida em Montpellier a 7 de Fevereiro de 1927, chegou a definir.

Amiga de poetas e músicos, Juliette Gréco cantou nomes como Léo Ferré, Jacques Prévert,  Bertolt Brecht, Boris Vian, Françoise Sagan, Charles Aznavour, ou Serge Gainsbourg, entre muitos outros. 

Mas foi na pena de escritores consagrados que conseguiu letras para os seus primeiros sucessos. Raymond Queneau e Jean-Paul Sartre escreveram as canções “Si tu t’imagines” e “La Rue des Blancs-Manteaux”, no final os anos 40.

Na mesma altura estreou-se no teatro, em 1945, na peça “Victor ou les enfants du pouvoir”, e, quatro anos depois, em 1949, no cinema, com “Orphée”, de Jean Cocteau.  

Após passar por cabarets míticos, como La Rose Rouge e Le Bouef sur le Toit, veio a consagração no Olympia, em 1954, e depois em Nova Iorque. Juliette Gréco tornou-se então num símbolo da canção francesa em todo o mundo.

Nessa altura, Hollywood cruzou também o seu percurso, reforçando essa popularidade. 

O seu companheiro, o produtor norte-americano Darryl Zanuck, conseguiu-lhe papéis nos filmes “Bonjour Tristesse” (1958), de Otto Preminger, “Raízes do Céu” (1958), de John Huston, e “Drama no Espelho” (1960), de Richard Fleischer.

Mas a música seria sempre o seu farol e regressada a Paris, Juliette Gréco passou a dedicar-se a ela. É dessa fase o tema “Déshabillez-moi”, um dos seus maiores êxitos, gravado em 1968.

Nos últimos anos da carreira, gravou discos com as novas gerações de autores, como Miossec, Benjamin Biolay, Olivia Ruiz e Abd Al Malik.  

Em 2004, um ano após o lançamento do seu álbum “Aimez-vous les uns les autres” e 50 anos passados desde o primeiro concerto, regressou ao Olympia. 

Dez anos e vários palcos e homenagens depois pôs fim a um percurso artístico com mais de meio século. 

Juliette Gréco anunciou em 2015, aos 87 anos, que iria abandonar os palcos, após uma última digressão.

“É muito duro, é muito complicado para mim, é muito doloroso: é preciso saber sair em beleza”, disse na ocasião à estação televisiva RTL.

Filha de resistentes e politicamente empenhada

Juliette Gréco cresceu perto de Bordeaux com os seus avós depois da separação dos seus pais. 

A II Guerra Mundial forçou a família a fugir para uma propriedade no Périgord que foi utilizada como ponto de passagem para a Resistência francesa. 

 Na sua autobiografia publicada em 1983, com o título “Jujube”, Gréco conta como, após a detenção da mãe, que pertencia à Resistência, esteve presa durante 10 dias em Fresnes, em 1943, com a irmã mais velha, Charlotte. A mãe e a irmã foram acabarm por ser deportadas para o campo de concentração de Ravensbrück, na Alemanha, mas sobreviveram.

"Escrever 'Jujube' foi extremamente cruel para mim, muito violento", chegou a confessar a Juliette Greco.

Esse drama marcou-a e fez dela uma mulher politicamente empenhada que, em 1981, num espetáculo no Chile, perante notáveis do regime ditatorial de Pinochet, apenas interpretou canções proibidas. Após o concerto, foi escoltada para o aeroporto por militares.  

Na sua vida pessoal foi o que se chamaria de uma "mulher livre", para o seu tempo. 

Após uma longa relação com o trompetista do jazz Miles Davis, casou-se com o comediante Philippe Lemaire (em 1953), pai da sua filha, falecida em 2016, e com Michel Piccoli (em 1966), de quem se divorciaria em 1977. 

Em 1988, voltou a casar-se com o antigo pianista de Jacques Brel, Gérard Jouannest.  

com agências.

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