Escolha as suas informações

Molly’s Game: A vida e a obra da rainha do póquer
Nada melhor do que um decote para complicar um jogo de póquer.

Molly’s Game: A vida e a obra da rainha do póquer

Nada melhor do que um decote para complicar um jogo de póquer.
Cultura 2 min. 03.01.2018

Molly’s Game: A vida e a obra da rainha do póquer

Enquanto estávamos distraídos com as festas de final de ano, o argumentista Aaron Sorkin juntou a dupla de atores de “Dances with the Wolves” e criou o acontecimento mais inesperado (e em certa medida escusado) dos primeiros dias de 2018.

Enquanto estávamos distraídos com as festas de final de ano, o argumentista Aaron Sorkin juntou a dupla de atores de “Dances with the Wolves” e criou o acontecimento mais inesperado (e em certa medida escusado) dos primeiros dias de 2018.

“Molly’s Game” coloca lado a lado Kevin Costner e Graham Greene mas, felizmente, este filme não é tão melodramático como o maior êxito da carreira de Costner que – diga-se em abono da verdade – não melhorou com o tempo enquanto ator.

“Molly’s Game” é baseado numa história real, ou pelo menos no livro autobiográfico de Molly Bloom. A co-argumentista teve ainda direito de exigir quem asseguraria o seu papel: a escolha foi Jessica Chastain. Tem bons gostos a “rainha do jogo” que, registando condenações federais no currículo, precisou de uma autorização especial para ir ao festival de Toronto assistir à estreia mundial do filme que conta a sua história. As autoridades canadianas deram-lhe um visto especial de 48 horas e nem mais um minuto.

Molly Bloom tem uma vida glamorosa que impressiona facilmente. O filme segue a empresária de sucesso que domina a cena dos jogos de póquer de Hollywood até ao momento em que é apanhada pelo FBI e acusada de estar envolvida com os russos.

O filme gosta de saltar no tempo. Com muita narração e montanhas de flashbacks, “Molly’s Game” vai mais longe do que o livro.

A vida aventureira de Molly Bloom não começa nas mesas de jogo, mas nas pistas de esqui e o argumentista e realizador arranca na infância da protagonista para poder mostrar como a vida de Molly foi influenciada pelo seu pai e pelas dificuldades que lhe provocou um problema de saúde.

Sorkin tem uma forma de contar uma história que não agrada a toda a gente, mas se aceitarmos o seu estilo podemos encontrar momentos divertidos e (mesmo) profundos.

Como realizador, o experiente argumentista demonstra a capacidade de imprimir uma abordagem visual que, não sendo original (dizem as más línguas que Sorkin consultou imenso David Fincher durante as rodagens) é eficaz e, por vezes, surpreendente. A montagem torna o ritmo do filme acelerado e concentra-se nas prestações dos atores.

Jessica Chastain assegura uma belíssima Molly Bloom. Os decotes ajudam – ou distraem – mas a atriz convence os mais céticos de que já está no top de Hollywood há muito e que temos de nos preparar para a ver muitíssimas mais vezes em grandes papéis provavelmente melhores do que este.

“Molly’s Game” de Aaron Sorkin, com Jessica Chastain, Kevin Costner, Idris Elba, Michael Cera, Graham Greene e Jeremy Strong.

Raúl Reis

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.