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Marco e Fábio Godinho juntos em Sales Gosses
Cultura 11 3 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Marco e Fábio Godinho juntos em Sales Gosses

Irmãos Fábio e Marco Godinho cuidam da encenação e cenografia da peça.

Marco e Fábio Godinho juntos em Sales Gosses

Irmãos Fábio e Marco Godinho cuidam da encenação e cenografia da peça.
Foto: Vasco Santos
Cultura 11 3 min. 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Marco e Fábio Godinho juntos em Sales Gosses

Vanessa CASTANHEIRA
Vanessa CASTANHEIRA
O representante do Luxemburgo na Bienal de Veneza de 2019 e o irmão cuidam da cenografia e da encenação da peça criada pela romena Mihaela Michailov. A estreia está agendada para hoje.

Da romena Mihaela Michailov, a peça Sales Gosses toca um tema que continua na ordem do dia: a violência na escola com crianças diferentes. Por diferentes não se entenda com problemas de aprendizagem, mas crianças que vivem no mundo infantil, que dão asas à imaginação e ao sonho. A estreia está marcada para hoje (20h) no Théâtre du Centaure.

A menina sem nome de 11 anos vive num mundo que constrói e reconstrói com elásticos. Os elásticos são uma paixão, uma extensão de si mesma, do seu corpo, da sua mente e da sua linguagem. É a própria professora que começa a espiral de violência contra a criança, violência essa repetida pelos colegas.

Esta é uma história que apaixonou o próprio encenador. “Foi uma encomenda do Théâtre du Centauro e acho-me um sortudo porque é realmente interessante e gostei muito”, começa por explicar Fábio Godinho. “A menina é incompreendida por ter uma forma própria de ver o mundo, uma veia de artista, sendo-lhe exigido que pense como adulta. Mas ela é simplesmente o que deve ser, uma criança”, continua. “Os elásticos são a matéria dela, o escape da realidade, depois de muitas propostas ao Fábio concordámos que os elásticos em palco eram o cenário com mais sentido”, afirma o irmão, Marco Godinho, o artista plástico escolhido para representar o Luxemburgo na Bienal de Veneza do próximo ano, explicando depois: “São o movimento constante das nossas vidas”.

Se o seu mundo são elásticos, se o cenógrafo é Marco Godinho, não seria de esperar um cenário convencional. Marco Godinho recriou as 11 cenas com elásticos, o objeto icónico da menina. “Revejo-me nesta menina artista, de alma criativa e que constrói o mundo à maneira dela, fazendo o que sente e o que pode não ser socialmente correto”, responde Marco quando questionado sobre a veia artística da personagem e se encontra semelhanças com ela.

Com o recurso aos 28 elásticos, cada vez que estes são mudados altera-se também o cenário. Para os mais práticos uma sala de aula seria o cenário esperado, mas Marco Godinho foi constante com o seu trabalho e com as ideias do próprio irmão que indica ser “não apenas ator, mas um artista com conhecimento preciso das artes contemporâneas”. Foi em cooperação e com a partilha de ideias que chegaram a um espaço abstrato.

É um tema violento? “É, mas acessível e que chega ao público”, argumenta Marco Godinho, enquanto o irmão garante ser “indicado até para os mais jovens, muito por causa do movimento e da música”.

Um português na banda sonora

Há mais um nome português em Sales Gosses. Em palco está Jorge de Moura, o músico que compôs a banda sonora para a peça e a quem é dado o espaço para o improviso ao longo das 14 apresentações agendadas. Aliás, os irmãos concordam que toda a peça tem espaço para improvisação e modificações.

Eugénie Anselin interpreta o papel de menina, mas não só. A atriz desdobra-se entre várias personagens como a professora, o diretor da escola, a família e os colegas da criança. Fábio Godinho garante que esta multiplicidade de papéis com a mesma atriz foi um desafio e um grande trabalho ao longo dos ensaios porque “a ideia não é fazer caricaturas de cada personagem, mas criar a realidade emotiva, que provoca emoções no público”. Sobre a menina, o encenador garante que “mudou ao longo da ação, mas não se sabe o final efetivo dela, apenas que mudou de escola”. É um final aberto, ou seja, destinado à decisão de cada espectador.

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Fabio Godinho, à direita, ao lado do irmão, Marco Godinho, artista plástico.