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Mala Voadora regressa ao Luxemburgo com peça que reinventa Oscar Wilde
Cultura 3 min. 27.03.2019

Mala Voadora regressa ao Luxemburgo com peça que reinventa Oscar Wilde

Mala Voadora regressa ao Luxemburgo com peça que reinventa Oscar Wilde

Foto: José Carlos Duarte
Cultura 3 min. 27.03.2019

Mala Voadora regressa ao Luxemburgo com peça que reinventa Oscar Wilde

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
A companhia portuguesa Mala Voadora vai regressar ao Teatro Nacional do Luxemburgo, esta sexta e sábado, para duas representações de "Wilde". Uma peça que revisita o "Leque de Lady Windermere", de Oscar Wilde, com a loucura refrescante dos mesmos autores de "Moçambique", que os portugueses puderam ver no Grão-Ducado no ano passado.

Quando "O leque de Lady Windermere" estreou, em fevereiro de 1892, provocou uma grande polémica, menos pela comédia de costumes que satirizava a sociedade da época, e mais pela performance do seu autor, o iconoclasta Oscar Wilde, considerado imodesto e impertinente pela imprensa da época. Conta-se que quando o escritor e dramaturgo subiu ao palco para agradecer os aplausos, disse que, a avaliar pelas reações, o público e os atores pareciam ter gostado "quase tanto da peça como ele próprio". Uma tirada típica do escritor conhecido pela espirituosidade e réplica divertida, e a quem nunca ninguém pôde acusar de falsa modéstia.

Quase 130 anos depois, a companhia portuguesa Mala Voadora "baralha e volta a dar" a peça escrita por Wilde. A companhia conquistou muitos fãs no Luxemburgo com "Moçambique", que teve casa cheia, no ano passado. E Jorge Andrade, autor e encenador daquele espetáculo, diz que há muitas razões para o público no Luxemburgo voltar a vê-los. "A peça Moçambique era sobre um tema que nos dizia mais respeito, a nós, portugueses em Portugal e pelo mundo fora, e a mim sobretudo, porque era baseada num episódio autobiográfico. Mas esta é uma peça de um dramaturgo muito mais interessante e inspirado que eu, com uma ironia muito requintada", brinca o encenador.


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A adaptação da peça de Wilde recorre a uma gravação radiofónica da BBC, em inglês (a peça é legendada em português), que os atores tentam interpretar, apropriando-se do que ouvem, em playback, em paródia, repetindo ou imitando o original. Para complicar tudo – ou não –, todos os atores se vestem de Lady Windermere.

"A peça faz um retrato da Inglaterra vitoriana, com uma galeria de personagens que julgam as pessoas pelas aparências", recorda Jorge Andrade. E é para "baralhar as convenções" que em palco aparecem todos – homens e mulheres – vestidos como a personagem que dá nome à peça. "Somos todos Lady Windermere!", brinca Jorge Andrade. "Com isso, mostramos o ridículo de ajuizar o outro com base nas aparências, anulando essa diferença, e mostrando que não se pode fazer julgamentos de valor dessa forma leviana". Em "O leque de Lady Windermere", Oscar Wilde criticava as convenções da sociedade vitoriana, assente em classes sociais imutáveis, moralizadora e impiedosa para com quem sai dos apertados limites sociais, arriscando-se a perder a "reputação" de que gozava junto da chamada boa sociedade.

Tal como acontecia em "Moçambique", "Wilde" volta a contar com uma fusão de géneros, incluindo dança e ópera, contando com a colaboração do coreógrafo Miguel Pereira. "É um espetáculo muito bem-humorado, que mistura teatro e dança", antecipa Jorge Andrade.

No palco do Teatro Nacional do Luxemburgo vão estar sete atores: Carla Bolito, Joana Bárcia, Maria Matos, Miguel Pereira, Nuno Lucas, Tiago Barbosa e o encenador, Jorge Andrade. A peça é uma coprodução da Culturgest e do Teatro Viriato.

A Mala Voadora já deu a volta ao mundo: esteve no Brasil, no Festival de Teatro de Curitiba e em São Paulo, e passou por mais uma dezena de países, incluindo Reino Unido, Bélgica, França ou Itália.

A ver esta sexta e sábado, dias 29 e 30 de março, sempre às 20h, no Théâtre National du Luxembourg (194, Route de Longwy, em Merl, na capital).

Reservas pelo tel. 47 08 95 1, entre as 10h e as 18h30, ou no site Luxembourg Ticket. Em inglês, com legendas em português. 


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