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Luxembourg City Film Festival: Entre aborrecimento e poder
“Sweet Country”, do australiano Warwick Thornton, é um dos filmes em competição no LuxFilmFest.

Luxembourg City Film Festival: Entre aborrecimento e poder

“Sweet Country”, do australiano Warwick Thornton, é um dos filmes em competição no LuxFilmFest.
Cultura 2 min. 28.02.2018

Luxembourg City Film Festival: Entre aborrecimento e poder

Por favor não entendam mal este título: o Luxembourg City Film Festival – LuxFilmFest para os amigos – não é uma experiência aborrecida. O aborrecimento não é a característica que define os filmes do festival, mas é uma das maleitas de que sofrem muitas das personagens das obras que estão em competição.

Apesar de a edição 2018 do LuxFilmFest, que já é a oitava, não contar com a presença de nenhum filme português, os três júris do evento tiveram participação portuguesa.

O júri principal, aquele que decide qual é o filme vencedor da 8ª edição do festival, tem ilustre participação portuguesa na pessoa de Leonor Silveira. “Já me tinham convidado duas vezes, mas fui obrigada a recusar porque tinha outros compromissos”, declarou a musa de Manoel de Oliveira à imprensa, acrescentando que ficou extremamente surpreendida com o Luxemburgo e a sua cena cultural. A atriz portuguesa integra um júri de cinco membros presidido pelo realizador Atom Egoyan.

Na competição dos documentários, Tomás Baltazar, diretor do festival DocLisboa, marca a presença portuguesa. Baltazar, surpreendido com a beleza da capital luxemburguesa e “a excelente mistura de arquitetura antiga e moderna”, considera que ser jurado no LuxFilmFest é isto: “O reconhecimento do festival de documentários que dirijo mas também da cinematografia portuguesa.”

No terceiro júri, o da imprensa, estão os representantes da grande família dos críticos de cinema do Luxemburgo e arredores, entre os quais outro português: este vosso servidor. Participar num júri de festival é sempre um prazer, mas é igualmente um esforço quase sobre-humano. As projeções sucedem-se a um ritmo vertiginoso e há dias em que somos obrigados, sim obrigados, a ver quatro filmes. O bloco-notas torna-se o nosso melhor amigo para não deixar escapar pormenores importantes e para evitar confundir os filmes entre eles quando fazemos o balanço final.

Roménia, Irão, Grécia, Dinamarca, Reino Unido, Israel, Indonésia, Austrália, China e Luxemburgo são os países de origem dos dez filmes a concurso. Trata-se de uma seleção de qualidade que tem como fio condutor o poder e a violência como instrumento de domínio entre pessoas. Este aspeto é, de forma mais ou menos evidente, comum aos dez filmes. Na sua maioria, as obras em competição integram também o papel da mulher na sociedade, da Indonésia ao Irão, passando pelos países nórdicos.

Numa boa parte dos filmes, as personagens fazem asneiras ou perdem a cabeça simplesmente porque se aborrecem. Por vezes, os cineastas decidem aborrecer-nos para demonstrar o aborrecimento, mas nenhum destes filmes deixa de merecer duas horas das nossas vidas.

Além dos 10 filmes que concorrem para conquistar o prémio máximo do LuxFilmFest, é possível ver também filmes de animação, documentários, e os interessados podem participar em imensas atividades culturais.

Raúl Reis

Descubra o programa completo do LuxFilmFest em www.luxfilmfest.lu. Tem até dia 4 de março para ver filmes que podem não voltar a visitar as salas de cinema luxemburguesas.


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