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Lux Film Fest: O cinema chegou à cidade
Um dos filmes portugueses presentes no Festival de Cinema da Cidade do
Luxemburgo é “Porto”, do realizador Gabe Klinger.

Lux Film Fest: O cinema chegou à cidade

Um dos filmes portugueses presentes no Festival de Cinema da Cidade do Luxemburgo é “Porto”, do realizador Gabe Klinger.
Cultura 5 min. 01.03.2017

Lux Film Fest: O cinema chegou à cidade

O Luxembourg City Film Festival – conhecido também pelo seu diminutivo Lux Film Fest – começa oficialmente esta quinta-feira, 2 de março, e encerra no dia 12 com a entrega dos prémios ao filmes em competição.

O Luxembourg City Film Festival – conhecido também pelo seu diminutivo Lux Film Fest – começa oficialmente esta quinta-feira, 2 de março, e encerra no dia 12 com a entrega dos prémios ao filmes em competição.

A edição de 2017 do maior festival de cinema do Grão-Ducado tem na competição oficial dez longas metragens a concurso mas propõe também galardões para documentários e curtas-metragens.

Divido em secções, o Lux Film Fest 2017, quer propor ao público as melhores e mais atuais longas-metragens possíveis, mas fez questão de ter também lugar para documentários, criando um concurso específico para este tipo de cinema, mas também dando a palavra ao público jovem e à imprensa para julgarem os filmes que o festival propõe.

Dez filmes de três continentes

A competição oficial apresenta dez obras criadas sobretudo na Europa e, inevitavelmente quando se fala de cinema europeu, muitas coproduções.

Os Estados Unidos estão a concurso com três obras entre as quais o mais recente filme de James Gray. Mas o continente americano tem outro representante através do trabalho de Anné Émond, uma canadiana.

De fora do continente europeu está ainda em competição um filme chinês, “Je ne suis pas Madame Bovary”, de Feng Xiaogang.

Entre os europeus há um realizador “português de adoção”. O finlandês Aki Kaurismäki, recentemente premiado em Berlim, traz ao Luxemburgo uma história de enorme atualidade, sobre os refugiados sírios.

A título de curiosidade, Kaurismäki tem uma ligação forte com Portugal, tendo participado nos projetos cinematográficos de Guimarães Capital da Cultura mas também porque o finlandês passa um boa parte do ano em terras lusas onde se dedica a produzir vinho.

A outra presença “portuguesa” é um filme chamado “Porto”, já que se passa na cidade invicta. Esta realização de Gabe Klinger é uma coprodução entre Portugal, França, Estados Unidos e Polónia, mas não está em competição.

A concurso estão três filmes americanos: “The Lost City of Z” de James Gray, “Dark Night” de Tim Sutton, e “Transpecos” de Greg Kwedar. Juntam-se a eles em competição pelo galardão máximo do Lux Film Fest “Glory” de Kristina Grozeva e Petar Valchanov (Bulgária e Grécia), “Grave” de Julia Ducournau (França e Bélgica), “House of Others” de Rusudan Glurjidze (Geórgia, Espanha, Rússia e Croácia), “Je ne suis pas Madame Bovary” de Feng Xiaogang (China), “Nelly” de Anné Émond (Canadá), “Sámi Blood” de Amanda Kernell (Suécia, Noruega e Dinamarca) e “The Other Side of Hope” de Aki Kaurismäki (Finlândia).

Cinema para todas as idades

O Lux Film Fest propõe na secção Jovem Público uma série de filmes de animação abordando várias temáticas e provenientes de uma diversidade de países. Além das projeções para os mais pequenos, o festival prevê encontros e debates com cineastas para explicar a Sétima Arte aos mais pequenos e para lhes fazer descobrir a magia do cinema.

A magia chega também graças às novas tecnologias que estarão em destaque no Pavilhão da Realidade Virtual, instalado no Casino – Fórum de Arte Contemporânea, no coração da capital luxemburguesa. Este espaço vai propor debates, conferências mas, sobretudo, “experiências imersivas” do ponto de vista visual e sonoro fazendo uso das mais recentes tecnologias.

Os jornalistas no festival do Luxemburgo


O Lux Film Fest volta a contar este ano com um grupo de jurados provenientes da imprensa luxemburguesa.

A representar os jornalistas da especialidade estão quatro delegados da ALPC, a associação luxemburguesa da imprensa cinematográfica, que tem a responsabilidade de escolher o filme em nome da crítica. No grupo de quatro críticos está Raúl Reis que assina a coluna semanal de crítica de cinema no jornal Contacto e que é também secretário da direção da ALPC. O nosso colaborador está acompanhado, no júri que tem a responsabilidade de atribuir o prémio da imprensa, por Isabelle Debuchy da revista Luxembourg Féminin, Jean-Pierre Thilges da Hatari Publishing Luxembourg e o crítico free lance Thibaut Demeyer.

O cinema do Luxemburgo

Como é natural, o festival dedica espaços e eventos aos filmes feitos no Luxemburgo, mas também à projeção de obras de criadores do país, consagrados ou não.

No júri internacional, constituído por dez personalidades, sobretudo provenientes do mundo do cinema francófono, está o cineasta luxemburguês Christophe Wagner. Recorde-se que Wagner é autor de um dos maiores êxitos de bilheteira da história do cinema luxemburguês, o “thriller” “Doudege Wénkel”, mas também o mais recente “Eng Nei Zäit”, obra que mereceu prémios em festivais internacionais.

Luxemburgo quer ser Cannes

Com quase 300 convidados, mais de 60 voluntários e centenas de jornalistas acreditados, o Luxembourg City Film Festival tornou-se rapidamente um evento maior da cena cultural luxemburguesa.

Este ano, a presença de filmes assinados por grandes nomes é complementada pela presença de personalidades do cinema, de entre as quais se destaca o ator Ray Liotta que estará no festival nos dias 5 e 6 de março.

Liotta falará do trabalho de ator e participa numa “masterclass” animada pelo crítico dos periódicos The Hollywood Reporter e Variety, Boyd van Hoeij.

A organização do festival pretende que a edição de 2017 seja ainda mais importante e tenha maior impacto do que no passado, já que as autoridades luxemburguesas e, sobretudo a autarquia da cidade do Luxemburgo, apostam neste evento para colocar o país no mapa da Sétima Arte.

Toda a programação está disponível em www.luxfilmfest.lu

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