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Lukas: Flexões antes do almoço
Jean-Claude Van Damme prefere o sol de Cannes para fazer flexões.

Lukas: Flexões antes do almoço

Jean-Claude Van Damme prefere o sol de Cannes para fazer flexões.
Cultura 2 min. 30.08.2018

Lukas: Flexões antes do almoço

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Não consigo falar de Jean-Claude Van Damme sem mencionar as estranhas circunstâncias em que me cruzei pela primeira vez com o ator belga. Foi em Cannes, durante o festival de cinema, e já lá vai uma dezena de anos...

Era um daqueles dias quentes de maio de que só o Mediterrâneo tem o segredo. Por volta das duas da tarde o calor cheirava a Algarve em agosto, e os restaurantes da praia estavam cheios de gente do cinema a almoçar.

A meio da refeição apercebi-me de que, apesar do calor, alguém fazia flexões no pontão do hotel. Comentei com os meus amigos, e um deles decidiu mesmo levantar-se para tirar uma fotografia. Regressado à mesa, mostrou-nos uma ampliação da imagem com um grande sorriso: “O gajo das flexões é o Van Damme!”.

Entretanto, Jean-Claude já ia em mais de 15 minutos de flexões e não ficou por aí. O exercício durou meia hora, no mínimo! E, no final, em vez de ir tomar um duche ou dar um mergulho, o ator belga dirigiu-se para a esplanada onde estávamos. E para a nossa mesa. E pergunta ao meu assustado amigo: “Então foi você que me tirou uma foto? Ficou bem?”.

Apesar de ser habitual cruzar-me com estrelas de cinema no festival de Cannes, não é corrente, para um comum mortal, ser abordado por uma vedeta internacional. Todos ficámos solidariamente intimidados e o autor da fotografia reconheceu com bravura estar na origem da indiscrição, temendo a pior reação de Van Damme. Mas o ator só queria ver se a fotografia tinha ficado bem: “Posso ver? Podes enviar-ma?”.

E o homem conhecido como “Muscles from Brussels” ficou ali a conversar connosco e, antes de partir, fez mais uma dúzia de flexões em plena esplanada com um sorriso simples nos lábios, só para mostrar que não estava cansado, explicou.

Por causa deste episódio desenvolvi simpatia por um ator que não costuma fazer filmes que me agradem. Talvez seja por ter vivido este encontro imediato que vi mais obras com JCVD no papel principal do que aquilo que o meu discernimento e o bom senso autorizariam. E, se calhar, foi também graças a esse princípio de tarde em Cannes que decidi retomar as minhas críticas de cinema nesta rentrée com uma película protagonizada por Van Damme, intitulada “Lukas”. Jean-Claude Van Damme é Lukas, um porteiro de discoteca. Vamos encontrá-lo numa noite como as outras, a começar o trabalho e a ser obrigado a interferir em zaragatas ou a ajudar clientes em mau estado físico depois de abusarem de substâncias nocivas. No final do trabalho, ao nascer do sol, Lukas regressa a casa onde o espera a filha, Sarah.

O realizador Julien Leclerq não corre riscos mantendo o filme em meias-tintas, sem nunca cair na tentação da ação a rodos. Essa opção permite observar um Van Damme mais humano e menos guerreiro do que aquilo a que nos habituámos. O som é um dos elementos essenciais de “Lukas”, assim como a luz, que permite mostrar que o belga é mais do que uma massa de músculos.

Apesar de “Lukas” não ter um argumento de primeira água, nem demonstrar grande originalidade, o filme tem alguma qualidade e um ritmo que não deixa espaço para o aborrecimento. E não estou a dizer isto por ser um amigo de longa data de Jean-Claude Van Damme...

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“Lukas”, de Julien Leclercq, com Jean-Claude Van Damme, Julien Leclercq, Jérémie Guez, Sami Bouajila e Sveva Alviti.

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