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Lisboetas vão ver como vivem os portugueses do Luxemburgo
A exposição fotográfica “Portugueses do Luxemburgo” vai ser inaugurada esta quinta-feira em Lisboa. c

Lisboetas vão ver como vivem os portugueses do Luxemburgo

Foto: Sven Becker
A exposição fotográfica “Portugueses do Luxemburgo” vai ser inaugurada esta quinta-feira em Lisboa. c
Cultura 3 min. 07.06.2018

Lisboetas vão ver como vivem os portugueses do Luxemburgo

Paula TELO ALVES
Paula TELO ALVES
A exposição fotográfica “Portugueses do Luxemburgo” vai ser inaugurada esta quinta-feira em Lisboa.

A exposição documenta vários aspetos da presença portuguesa no Luxemburgo, das comemorações da vitória de Portugal no Campeonato Europeu, em 2016 (assinadas por Sven Becker), às várias gerações de portugueses em Differdange (Paulo Lobo), passando pelo quotidiano de duas famílias chegadas na última década (Jessica Theis) e pelos ranchos folclóricos (Bruno Oliveira).

Por detrás da iniciativa está Atena Abrahimia, ela própria filha de imigrantes iranianos no Luxemburgo. A jovem, de 24 anos, mudou-se para Lisboa há dois anos, para fazer uma tese de mestrado sobre a imigração portuguesa, na Universidade Católica, e o projeto inclui esta exposição, que conta com o apoio da Embaixada do Luxemburgo em Portugal. O objetivo é dar a conhecer “uma comunidade que é o melhor exemplo para compreender a emigração”, até porque “o Luxemburgo tem a maior percentagem de imigrantes portugueses”, refere. “Trazer estas imagens a Portugal é importante. No Luxemburgo são imagens familiares, mas é importante mostrar aos portugueses como vivem os seus compatriotas no estrangeiro”.

A omnipresença dos portugueses no Luxemburgo não escapou a Atena. “Conheço tantos – vizinhos, colegas de escola – que decidi pesquisar para conhecer a sua história. Sempre me fascinou que houvesse tantos portugueses que decidiram vir para um país tão pequeno, sem mar, tão diferente de Portugal”, conta.

A jovem estudante vê na imigração portuguesa paralelismos com a vida dos pais, que deixaram o Irão após a revolução de 1979 e se mudaram para os Estados Unidos, onde Atena acabaria por nascer. Chegou ao Grão-Ducado com quatro anos, “uma idade em que é fácil aprender línguas”, mas os pais tiveram mais dificuldades. “Compreendo os primeiros portugueses que chegaram e tiveram dificuldades para aprender idiomas, porque quando se trabalha tanto é difícil ir fazer cursos à noite”, afirma.

A viver em Lisboa, é ela quem está agora no papel de imigrante. E, apesar de elogiar a vida social da capital portuguesa, admite problemas com a língua e para fazer novos amigos. “É difícil fazer amigos portugueses. Imaginava que ia ter muitos mais, mas tenho mais amigos portugueses no Luxemburgo do que aqui em Lisboa”, diz, a rir.

O título da exposição ("Recriar") é uma alusão à forma como os primeiros imigrantes procuraram manter tradições portuguesas no Luxemburgo.

"Quando se mudaram para o Luxemburgo, os portugueses, tal como muitos outros imigrantes, importaram os seus hábitos, cultura e atividades. Pretendiam recriar uma vida semelhante à portuguesa no país de acolhimento", tendo "aberto os seus próprios restaurantes, cafés e empresas" e criado "as suas próprias associações, clubes de futebol [e] grupos de danças folclóricas", pode ler-se no texto do catálogo da exposição, assinado por Atena Abrahimia. A organizadora aponta ainda que a vida "entre duas ou mais culturas" pode resultar num sentimento "de não pertença", tanto no país de acolhimento como no país de origem.

A exposição pretende examinar, "através da fotografia, os desafios de identidade e pertença" desta comunidade, mostrando vários aspetos da vida dos portugueses no Luxemburgo.

O luxemburguês Sven Becker, fotojornalista no semanário Lëtzebuerger Land, apresenta "Campeão", uma série de fotografias que mostram "milhares de fãs eufóricos por todo o país" com a vitória de Portugal no Campeonato da Europa, em 2016.

Em "Última Estação: Esperança", a fotógrafa independente Jessica Theis acompanhou duas famílias portuguesas que chegaram ao Luxemburgo na última década, forçadas a emigrar pela crise.

O fotógrafo Paulo Lobo, responsável da revista luxemburguesa Wunnen e membro do coletivo "Street Art Photography Luxembourg", assina "Coração de Aço", sobre as várias gerações de portugueses que vivem em Differdange, uma localidade ligada no passado à produção siderúrgica, no sul do país, e onde 34% da população é portuguesa.

Já Bruno Oliveira, que chegou ao Luxemburgo com um ano, apresenta a série "Saudade", fotografias sobre a vida privada dos portugueses, além de imagens do Rancho Folclórico Juventude Portuguesa de Dudelange, fundado em 1979, que organiza todos os anos as Marchas de Santo António, aponta o catálogo.

A exposição, que conta com o apoio da Embaixada do Luxemburgo em Portugal, é inaugurada hoje às 19h (20h no Luxemburgo) na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, podendo ser vista até 30 de junho.

P.T.A. / Lusa

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