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Lenda feminina do xadrez processa Netflix por abordagem sexista na série "Gambito de Dama"
Cultura 2 min. 17.09.2021
Nona Gaprindashvili

Lenda feminina do xadrez processa Netflix por abordagem sexista na série "Gambito de Dama"

Nona Gaprindashvili

Lenda feminina do xadrez processa Netflix por abordagem sexista na série "Gambito de Dama"

DR
Cultura 2 min. 17.09.2021
Nona Gaprindashvili

Lenda feminina do xadrez processa Netflix por abordagem sexista na série "Gambito de Dama"

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
Uma frase bastou para Nona Gaprindashvili, famosa campeã de xadrez, processar a gigante do streaming por "sexismo e difamação".

A série "O Gambito de Dama", da Netflix, estreou em 2020 e foi um sucesso estrondoso em todo o mundo, colocando o xadrez no mapa dos desportos 'cool'.  A série de ficção, vencedora de vários prémios, acompanha a jovem Elizabeth Harmon, na década de 1960, e retrata a sua jornada até à Rússia para jogar - e vencer - contra os grandes campeões de xadrez. 

No episódio final da série, um parágrafo faz um cruzamento entre realidade e ficção e menciona Nona Gaprindashvili, um dos maiores nomes do xadrez, quando se refere à personagem de Harmon. O narrador diz: "A única coisa invulgar nela, na realidade, é o seu sexo, e mesmo isso não é único na Rússia. Há Nona Gaprindashvili, mas ela é a campeã mundial feminina e nunca enfrentou homens". 

Imagem da série "Gambito da Dama"
Imagem da série "Gambito da Dama"
DR

Só que, na altura em que a ação decorre (1968), Gaprindashvili já tinha jogado< contra dezenas de homens, 59 mais precisamente, incluindo 10 Grão-Mestres.  Segundo os advogados de Gaprindashvili, "a alegação de que ela 'nunca enfrentou homens' é manifestamente falso, além de ser altamente nojento, sexista e em tom de desprezo". 

No processo apresentado nos Estados Unidos, a defesa da lendária jogadora afirma que a "Netflix descaradamente mentiu sobre as conquistas de Gaprindashvili pelo propósito barato e cínico de 'elevar o drama' e parecer que a heroína fictícia conseguiu fazer o que nenhuma outra mulher, incluindo Gaprindashvili, havia feito". 

Outra questão levantada é a nacionalidade de Gaprindashvili. "Adicionando um insulto à injúria, a Netflix ainda descreveu Gaprindashvili como russa, mesmo sabendo que ela é georgiana, e o que os georgianos sofreram sob a dominação russa quando parte da União Soviética, e têm sido atacados e invadidos pela Rússia, desde então", alega a defesa, que exige agora o pagamento de cinco milhões de euros por danos morais, para além da retirada da frase da edição final da série. 

À semelhança da personagem principal, também Nona começou a jogar ainda criança, aos cinco, tornando-se profissional aos 13 anos. Nascida em 1941, na Geórgia, tornou-se campeã do mundo aos 20 e foi a primeira mulher a receber o título de "Grão-Mestre" no xadrez. Com uma carreira que abriu caminho para as mulheres que lhe seguiram, Nona, agora com 80 anos, disse ao jornal The New York Times que toda a experiência de se ver assim retratada "é um insulto" e que a sua vida inteira"foi riscada como se não tivesse tido importância". 

A série ganhou dois Globos de Ouro e recebeu 18 nomeações para os Prémios Emmy. Há também planos para uma adaptação para musical. Em comunicado, a Netflix adiantou que "tem o maior respeito pela senhora Gaprindashvili e sua ilustre carreira, mas acreditamos que essa queixa não tem mérito e vamos defender essa posição vigorosamente".

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