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"Judy". Sozinha em casa
Editorial Cultura 2 min. 31.01.2020

"Judy". Sozinha em casa

"Judy". Sozinha em casa

Foto: LD Entertainment and Roadside Attractions
Editorial Cultura 2 min. 31.01.2020

"Judy". Sozinha em casa

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
Judy Garland foi uma das primeiras crianças superestrelas de Hollywood. “The Wizard of Oz” tornou-a num dos nomes mais conhecidos do cinema mundial e, segundo inúmeros relatos, Judy era controlada pelo seu “patrão” Louis B. Mayer e por diferentes agentes e produtores que decidiam tudo na vida da jovem.

O filme “Judy” revela as dificuldades que a atriz teve ao longo da sua vida, vivendo num verdadeiro regime militar. Um dia, Mayer pede a Judy Garland que escolha entre a vida de estrela e o anonimato. E aí fica claro que a jovem está “agarrada” às luzes da ribalta, tanto como depois ficará dependente do álcool e das drogas.

O filme começa em 1968, num momento de declínio da carreira de Judy Garland. Um belo dia, a cantora e atriz é expulsa de um hotel de Los Angeles com os seus dois filhos e vê-se obrigada a pedir ao seu ex-marido (o quarto se contei bem) para tomar conta das crianças. Entretanto, surge uma oportunidade: uma série de espetáculos em Londres. Garland vai aproveitar, mas o seu estado físico e psíquico não vão facilitar a tarefa. A artista tenta convencer o promotor de que vai ser mais profissional mas todos nós sabemos que não vai ser assim…


"Bombshell". Bombas sexuais
"Bombshell" consegue contar com humor e drama a bomba que foi a revelação de uma cultura de assédio sexual por um grupo de mulheres que trabalhavam na Fox News.

O filme passeia-se entre a Londres de 1968 (meses antes da morte de Judy Garland) e o final dos anos 30, quando a jovem Frances Gumm se torna numa estrela e muda de nome, e de vida.

“Judy” mostra muito bem que, desde então, a jovem Frances nunca mais pode decidir nada na sua vida. Dos produtores às drogas e ao álcool, Judy Garland sempre foi controlada por alguém ou por alguma coisa e acabou por abandonar-se à morte aos 47 anos apenas.

Renée Zellweger tem a responsabilidade de dar profundidade a uma permanente tristeza que atravessa o filme do princípio ao fim. A prestação de Zellweger caracteriza-se por uma extrema fragilidade que até pode fazer pensar que a atriz se revê em Judy Garland. O seu desempenho é uma verdadeira reencarnação e um tratado sobre a vulnerabilidade.

Há algo de mágico na interpretação de Renée Zellweger que tem a ver com a precisão de cada gesto, mas sobretudo com a maturidade que a atriz demonstra. Mas, ao mesmo tempo, há algo de infantil na Judy Garland que a texana nos propõe.


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"Two popes". Dois amigos partilham uma pizza
Neste filme não se passa rigorosamente nada. E, no entanto, o prazer de o ver é incomparável.

Cereja no topo do bolo, Zellweger sabe cantar (já o tinha demonstrado em “Chicago”) e consegue “imitar” bastante bem a voz original de Garland.

O filme de Rupert Goold baseia-se na peça teatral “End of a Rainbow” de Peter Quilter mas o realizador vai mais longe do que a obra original e desenvolve sobretudo as relações de Garland com o seu promotor, o seu jovem amante e as crianças.

Apesar de muitas coisas boas, esta longa metragem termina de forma abrupta e a cena final acaba por estar cheia de estereótipos. Fica a sensação de que para gostar do filme é preciso ser fã de Judy Garland, como se a obra se destinasse apenas a iniciados.

E a realização e o argumento acabam por deixar a desejar em vários aspectos, comprometendo o resultado final. A melhor impressão que fica é a prestação inesquecível de Renée Zellweger que, não é por acaso, foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz.