"Judy". Sozinha em casa
"Judy". Sozinha em casa
O filme “Judy” revela as dificuldades que a atriz teve ao longo da sua vida, vivendo num verdadeiro regime militar. Um dia, Mayer pede a Judy Garland que escolha entre a vida de estrela e o anonimato. E aí fica claro que a jovem está “agarrada” às luzes da ribalta, tanto como depois ficará dependente do álcool e das drogas.
O filme começa em 1968, num momento de declínio da carreira de Judy Garland. Um belo dia, a cantora e atriz é expulsa de um hotel de Los Angeles com os seus dois filhos e vê-se obrigada a pedir ao seu ex-marido (o quarto se contei bem) para tomar conta das crianças. Entretanto, surge uma oportunidade: uma série de espetáculos em Londres. Garland vai aproveitar, mas o seu estado físico e psíquico não vão facilitar a tarefa. A artista tenta convencer o promotor de que vai ser mais profissional mas todos nós sabemos que não vai ser assim…
O filme passeia-se entre a Londres de 1968 (meses antes da morte de Judy Garland) e o final dos anos 30, quando a jovem Frances Gumm se torna numa estrela e muda de nome, e de vida.
“Judy” mostra muito bem que, desde então, a jovem Frances nunca mais pode decidir nada na sua vida. Dos produtores às drogas e ao álcool, Judy Garland sempre foi controlada por alguém ou por alguma coisa e acabou por abandonar-se à morte aos 47 anos apenas.
Renée Zellweger tem a responsabilidade de dar profundidade a uma permanente tristeza que atravessa o filme do princípio ao fim. A prestação de Zellweger caracteriza-se por uma extrema fragilidade que até pode fazer pensar que a atriz se revê em Judy Garland. O seu desempenho é uma verdadeira reencarnação e um tratado sobre a vulnerabilidade.
Há algo de mágico na interpretação de Renée Zellweger que tem a ver com a precisão de cada gesto, mas sobretudo com a maturidade que a atriz demonstra. Mas, ao mesmo tempo, há algo de infantil na Judy Garland que a texana nos propõe.
Cereja no topo do bolo, Zellweger sabe cantar (já o tinha demonstrado em “Chicago”) e consegue “imitar” bastante bem a voz original de Garland.
O filme de Rupert Goold baseia-se na peça teatral “End of a Rainbow” de Peter Quilter mas o realizador vai mais longe do que a obra original e desenvolve sobretudo as relações de Garland com o seu promotor, o seu jovem amante e as crianças.
Apesar de muitas coisas boas, esta longa metragem termina de forma abrupta e a cena final acaba por estar cheia de estereótipos. Fica a sensação de que para gostar do filme é preciso ser fã de Judy Garland, como se a obra se destinasse apenas a iniciados.
E a realização e o argumento acabam por deixar a desejar em vários aspectos, comprometendo o resultado final. A melhor impressão que fica é a prestação inesquecível de Renée Zellweger que, não é por acaso, foi nomeada para o Óscar de Melhor Atriz.

