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Isaura e Cláudia Pascoal. “No Luxemburgo vão entender melhor a nossa canção”
Isaura e Cláudia Pascoal, em primeiro plano.

Isaura e Cláudia Pascoal. “No Luxemburgo vão entender melhor a nossa canção”

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Isaura e Cláudia Pascoal, em primeiro plano.
Cultura 1 7 min. 09.05.2018

Isaura e Cláudia Pascoal. “No Luxemburgo vão entender melhor a nossa canção”

Paulo Jorge PEREIRA
Paulo Jorge PEREIRA
As representantes de Portugal no Festival da Eurovisão que vai decorrer em Lisboa falam das fortes emoções e de como esperam passar a saudade através da música.

Como recordam a vitória no Festival da canção a 4 de março?

Isaura: Aquilo foi um momento... Assim que aquilo termina eu desato a chorar com a cabeça virada para baixo...

Cláudia Pascoal: Ai, eu nada!!

Isaura: Foi mesmo muito bonito! Faz parte da minha personalidade, nunca fico muito focada nessas coisas de ganhar ou qual a posição em que ficamos. Queria genuinamente que tivéssemos uma prestação bonita e com isso já ia contente. Gosto muito da canção, em termos pessoais é muito importante para mim, e acho que a interpretação da Cláudia é perfeita. Ia feliz, fosse qual fosse o resultado. E ia mal preparada para ganhar. Quando me apercebi que tínhamos ganho, a tensão saiu toda. Mas foi um momento muito bonito que nunca vou esquecer.

Cláudia: Foi surreal! Mesmo na semifinal já me tinha emocionado e então já sou conhecida um bocadinho como a chorona que se emociona com a música. Depois de ver a Isaura com aquela emoção toda foi muito estranho como “Isto não está a acontecer! Isto não pode estar a acontecer!” Era um sonho tão grande que tinha e, como se concetizou, penso que foi o momento mais feliz da minha vida. Um conjunto de emoções que nunca tinha sentido e foi muito bonito partilhar isso.

A Isaura dizia, há pouco, que esta canção (O Jardim) é muito importante para si – porque lhe recorda a sua avó?

Sim, escrevi esta canção precisamente para a minha avó. É muito literal e muito metafórica ao mesmo tempo, ela tinha mesmo um jardim e a Cláudia já o conheceu. Foi uma forma que encontrei de descrever a minha avó, uma pessoa muito cuidadosa e carinhosa para os outros até ao mais ínfimo pormenor. E se calhar nem estava preparada para a mostrar ao mundo, porque até convidei a Cláudia para cantar outra música...

Cláudia: Sobre o mesmo tema...

Isaura: Sim, eram canções que falavam da minha avó, mas O Jardim é uma canção de peito aberto, está lá tudo dito, não tenho nem uma proteçãozinha. A primeira resguardava um bocadinho os meus sentimentos, mas sabia que O Jardim era uma canção mais bonita, não me sentia bem com essa decisão e, depois de conhecer a Cláudia, achei que a canção ficaria bem entregue, lá ganhei coragem e mostrei-lha.

Esse convite chegou através do Facebook: como foi essa ligação?

Cláudia Pascoal: Não há maneira mais contemporânea de fazer o convite, pois não? Ela não me convidou logo para cantar a música, mas apresentou-se e disse ’vamos ver se gostas da música’ e valorizei imenso isso. Tudo correu bem, gostei da primeira música, mas, quando ela me mostrou O Jardim, senti logo uma imensidão de emoções, lembrei-me de pessoas que já aqui não estão e a música remete-nos para esse sentimento de saudade, universal, tem esse poder. Isso é muito bonito na música, não é sobre uma história específica ou um momento, é uma coisa que toda a gente passa. Gosto muito que seja uma mensagem universal com a qual toda a gente pode identificar-se ao ouvir a música. Fiquei mesmo feliz por ela me “dar” a música.

Depois desse triunfo e com a participação na Eurovisão, ser em Portugal implica maior responsabilidade? Traçaram algum objetivo?

Isaura: É uma responsabilidade, mas vejo isso como um privilégio. A Luísa e o Salvador conquistaram esta oportunidade de sermos anfitriões e, de repente, eu e a Cláudia estamos lá naquele palco. Não pode estar toda a gente a assistir, mas os nossos amigos estão mesmo à porta, a nossa família está ali ao lado. Isso é uma responsabilidade, mas é também um privilégio podermos fazer isso aqui com Portugal inteiro.

E a Cláudia, o que pensa do assunto?

É um conforto ser aqui e tão perto dos nossos amigos. Sinto um orgulho diferente, tenho muita família que é imigrante [em França, Espanha e na Alemanha] e eles sentem que é quase uma desculpa para virem aqui apoiar-me. Sinto-me aconchegada pelo carinho de todos os portugueses!

Cláudia Pascoal.
Cláudia Pascoal.
Foto: Promo

Que mensagem querem deixar para a comunidade portuguesa residente no Luxemburgo, a maior entre os estrangeiros aqui?

Cláudia Pascoal: Quero agradecer o carinho e o amor de toda a gente que nos tem apoiado de países tão diferentes. Estaremos todos juntos, muito obrigado por todo o carinho!

Isaura: Recebo várias mensagens de pessoas que estão fora e, como a saudade tem múltiplas facetas, as pessoas que estão por aí no Luxemburgo vão entender ainda melhor a nossa canção. Mando um beijinho para toda a gente e agradeço o apoio de todos!

Têm recebido mais incentivos ou mais críticas?

Cláudia Pascoal: Sou uma pessoa muito positiva nesse aspeto. Estou sempre de braços abertos para as pessoas que vêm ter comigo na rua, adoro que partilhem as suas histórias de se identificarem com a música. Tento ignorar as coisas negativas, porque tenho de me focar ao máximo para dar o melhor em maio. Depois verei as mensagens negativas.

A Cláudia destacou-se no The Voice: até que ponto concursos deste género podem ser decisivos para uma carreira artística?

Prepara-nos no sentido de saber estar à frente das câmaras. Mal saí do The Voice participei no Festival da canção, vinha já um bocado treinada, de um modo mais relaxado face ao que ia acontecer. Ajudou-me porque me senti mais à vontade com todo o processo de câmara, luzes e ação!

Isaura.
Isaura.
Foto: Promo

Antes já tinha passado também pelo Ídolos e pelo programa Curto-Circuito...

Ajudou, claro, parece uma coisa em escadinhas: o Curto-Circuito ajudou para o The Voice, este deu para o Festival e o Festival agora irá dar para quê? Tã-tã-tã!!!! (Risos)

Há planos para depois da Eurovisão?

Cláudia Pascoal: Sim, sim. Estou a trabalhar no primeiro single, espero publicar ainda este ano o meu primeiro álbum, estou muito entusiasmada com isto. O festival abriu portas e deu acesso para trabalhar naquilo de que gosto, a minha música e as minhas composições... E a Isaura também vai lançar em breve o primeiro álbum!

Isaura: Com esta questão da Eurovisão adiei o lançamento de abril para junho para estar concentrada no concurso. Está quase acabado e quero muito mostrá-lo às pessoas. Conta o outro lado d’O Jardim, feito quando estava a acabar de compor algumas músicas do álbum que se chama Human. Tenho curiosidade de conhecer as reações das pessoas.

Cláudia, em relação a si muita gente se recorda do hino de campanha que fez para o seu primo Custódio Oliveira em Gondomar. Voltaria a fazer o mesmo hoje?

[risos] Não só voltava como faço sempre todos os anos. Aquele vídeo saiu um pouco do contexto e, de repente, tornou-se viral, mas eu faço todos os anos com a minha família um videoclip a brincar com algum deles. Naquele ano calhou o meu primo porque achámos engraçado brincar com o facto de ele se candidatar. Mas também existe um vídeo para a minha prima Marília... Não só voltava a fazer como faço todos os anos! Mas agora já aprendi a lição e não ponho na Internet [risos]...

Quando participou na Operação Triunfo, em 2010, a Isaura admitia estar no lugar onde se encontra hoje?

Não fazia ideia do que viria a seguir, mas sempre soube que aquilo que queria fazer era canções, de forma profissional ou sozinha lá em casa. Estou sempre a dizer uma coisa que parece parvoíce, mas é verdade: gosto muito de escrever histórias desde miúda e não escrevo livros, nem contos porque não tenho concentração. Escrevo canções porque é mais pequenino, é a minha forma de registar histórias e coisas de que não me quero esquecer. E fazê-lo com música, uma coisa de que gosto, tem um sabor especial. Não sabia de que forma o iria fazer, mas sabia que há de ser sempre uma coisa para me acompanhar.

Tem participado em festivais pelo país: há planos para visitas ao estrangeiro?

Ainda não, o foco no festival está a desligar-me a concentração de outras coisas, mas quero muito, muito, muito mostrar as minhas canções, não só em Portugal mas por aí fora. Escrevo em inglês porque tenho vontade de estudar esta sonoridade da música eletrónica e o inglês ajuda-me neste processo, mas isso dá-me a sensação de que, do outro lado do mundo, alguém pode compre-ender-me mais facilmente. Hoje em dia, com todas as plataformas ao nosso alcance, é cada vez mais sem fronteiras. E quem me dera poder deslocar-me presencialmente e fazer um concerto, olhe, aí no Luxemburgo...


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