Escolha as suas informações

Irrational Man: O lado selvagem
Cultura 2 min. 09.09.2015

Irrational Man: O lado selvagem

Não, não existe rigorosamente nada entre esta aluna e este professor

Irrational Man: O lado selvagem

Não, não existe rigorosamente nada entre esta aluna e este professor
Cultura 2 min. 09.09.2015

Irrational Man: O lado selvagem

Espero que o director me perdoe mas neste regresso após o Verão não me apetece falar dos ’blockbusters’ estivais. Hoje é dia de Woody Allen.

Espero que o director me perdoe mas neste regresso após o Verão não me apetece falar dos ’blockbusters’ estivais. Não irei, por isso, analisar a nova tirada da série “Mission Impossible” nem as aventuras de um super-herói que diminui para ficar do tamanho de uma formiga. Recuso-me a falar dos filmes de animação que fizeram o prazer dos veraneantes mais pequenos. Também não me apetece contar nada sobre filmes dedicados às desventuras de alguns jovens envolvidos em histórias de terror recicladas. E tão pouco mencionarei o novo “O Pátio das Cantigas” que muitos de nós fomos ver durante as férias em Portugal.

Hoje é dia de Woody Allen.

Um dos cineastas mas produtivos da Sétima Arte, o nova-iorquino é há décadas um caso de estudo. Ele, que passou a maior parte dos seus filmes a falar de psicanálise, vai dando origem a verdadeiros tratados sobre aquilo que faz correr o realizador-argumentista e músico.

“Irrational Man” é o mais recente filme de Woody Allen e assume mais importância por se tratar de um regresso aos Estados Unidos. Allen andava de candeias às avessas com o seu país e decidiu instalar os seus ’sets’ noutro lado. Andou por Espanha, por França, por Itália e até foi lançado um abaixo-assinado para lhe pedir que incluísse Portugal no seu périplo europeu.

Sempre que estreia uma nova realização de Allen o debate é aceso. A frase que mais se ouve é que “já não tem aquela chama de outrora”. Não é raro alguém acrescentar que o mestre está “cansado”.

A fasquia está sempre altíssima para Woody. Os seus fãs fiéis

(e mais velhos) continuam a

pensar em “Annie Hall” ou “Manhattan” ou mesmo nos filmes mais cómicos do jovem Allen. Estes admiradores abandonam as salas de cinema tristonhos e cabisbaixos a dizerem que ainda não é desta.

Os verdadeiros cinéfilos usufruem de 90 minutos bem passados. Qualquer filme de Allen seria um bom filme se fosse assinado por outro realizador qualquer e algumas das recentes obras do americano até são bastante boas (“Midnight in Paris” é criativo, belo e inteligente como poucos filmes da década).

É necessário reconhecer que algumas das recentes incursões europeias não foram muito bem sucedidas, mas nem por isso são maus filmes. Woody Allen mostrou apenas que não sabe escrever sobre coisas que não conhece, regra que deveria aplicar-se a todo e qualquer criador.

“Irrational Man” tem defeitos. A credibilidade pode ser um deles, mas a culpa é mais do actor principal do que do argumento. Joaquin Phoenix agravou o seu habitual ar preocupado, o que prejudicou bastante o filme. Perdeu-se a ligeireza da comédia e os mais críticos viram apenas um drama falhado.

A história de um professor universitário americano que pensa assassinar alguém que nem conhece para ajudar um terceiro é estranha. Contudo, esta história não é menos credível do que metade dos crimes – ou daquilo que os motiva – que Allen nos fez viver no passado. n Raúl Reis

“Irrational Man”, de Woody Allen, com Joaquin Phoenix, Emma Stone, Joe Stapleton, Nancy Carroll, Allison Gallerani e Brigette Lundy-Paine.


Notícias relacionadas

Wonder Wheel: Roda da Fortuna
Justin Timberlake é o narrador neste novo filme de Woody Allen, uma obra nostálgica mas simultaneamente muito atual porque segue uma família recomposta.
Kate Winslet não precisa de proteção solar.
Mother!: O verdadeiro artista
O mais recente filme de Darren Aronofsky conseguiu bater os recordes dos anteriores no que respeita a polémicas. Os críticos batem-se em dois campos opostos, defendendo tanto a genialidade de “Mother!” como a sua futilidade e imensa falta de qualidade.
Quando um realizador quer fazer um autorretrato conta a história de uma mãe.
Porto: Revisitar o Porto em 24 horas
Não é meu hábito falar pela segunda vez de um filme, mas a longa metragem assinada pelo brasileiro Gabe Klinger merece toda a atenção. “Porto” esteve no festival de cinema do Luxemburgo e merece agora honras de projeção regular nos cinemas Kinepolis.
Neste Porto ainda se pode fumar nos cafés...
Fifty Shades Darker: O futuro é negro
Anastasia vai receber um buquê de rosas de Christian. A sua velha paixão deseja-lhe boa sorte para um novo desafio profissional. Anastasia decidiu nunca mais ver Christian mas... eu não estrago a surpresa se revelar aqui que os dois vão voltar a ver-se.
Vá, tira a máscara que já não é São Valentim
Festival de Cannes 2015 : Cinema para Paris
Dizia-se em Portugal, a partir dos anos 70, que muitos dos nossos cineastas faziam filmes para mostrar em Paris em vez do nosso país. A expressão foi cunhada para definir, ironicamente, o cinema português que recebia influências da nova vaga francesa e de outras tendências que se seguiram.
Este ano, Miguel Gomes vai à Quinzena dos Realizadores, em Cannes, para apresentar o seu novo trabalho "Mil e uma noites"