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Irão nega "categoricamente" qualquer ligação com o atacante de Salman Rushdie
Cultura 3 min. 15.08.2022
Ataque

Irão nega "categoricamente" qualquer ligação com o atacante de Salman Rushdie

Ataque

Irão nega "categoricamente" qualquer ligação com o atacante de Salman Rushdie

Matt Crossick/PA Wire/dpa
Cultura 3 min. 15.08.2022
Ataque

Irão nega "categoricamente" qualquer ligação com o atacante de Salman Rushdie

Redação
Redação
O escritor foi esfaqueado na sexta-feira em Nova Iorque, no palco de uma palestra em que iria participar, e encontra-se ainda em estado grave, mas a recuperar.

O Irão nega "categoricamente" ligação ao agressor que apunhalou o escritor Salman Rushdie, autor do romance "Versículos Satânicos", numa conferência nos Estados Unidos, na passada sexta-feira. 

 "Negamos categoricamente" qualquer ligação entre o atacante e o Irão, e "ninguém tem o direito de acusar a República Islâmica do Irão", disse esat segunda-feira Nasser Kanani, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Teerão, na primeira reação oficial ao ataque ao escritor britânico. 

Apesar de rejeitar qualquer envolvimento, o governo iraquiano culpa o escritor pelo sucedido. "Neste ataque, apenas Salman Rushdie e os seus apoiantes merecem ser culpados e até condenados", salientou ele na sua conferência de imprensa semanal em Teerão. "Ao insultar as coisas sagradas do Islão e ao cruzar as linhas vermelhas de mais de um bilião e meio de muçulmanos e todos os seguidores de religiões divinas, Salman Rushdie expôs-se à raiva e à fúria das pessoas", acrescentou.


Xavier Bettel "chocado e horrorizado" com ataque a Salman Rushdie
"Um ataque cobarde". É assim que o primeiro-ministro define a agressão ao escritor britânico esfaqueado em Nova Iorque.

Ameaçado de morte desde uma ‘fatwa’ (decreto da lei islâmica) iraniana de 1989, um ano após a publicação de "Os Versículos Satânicos", Salman Rushdie foi alvo de um ataque que chocou o Ocidente, mas que foi bem recebido por extremistas no Irão e no Paquistão.  

Rushdie recupera em hospital

O escritor britânico já está no "caminho da recuperação", dois dias após ter sido apunhalado várias vezes, por um jovem norte-americano de origem libanesa, mas o processo será longo.

Num comunicado citado pelo jornal Washington Post, o agente, Andrew Wylie, disse que Rushdie já não está sob respiração assistida e que "o caminho da recuperação" começou.

"Os ferimentos são graves, mas o seu estado evolui numa boa direção”, acrescentou o agente do autor de “Os Verículos Satânicos”, atacado na sexta-feira no centro cultural de Chautauqua, no estado norte-americano de Nova Iorque, quando se preparava para dar uma palestra.

Wylie acrescentou ainda que o processo de recuperação do escritor será longo.

Esfaqueado uma dezena de vezes no pescoço e no abdómen, Salman Rushdie, 75 anos, permanece hospitalizado em estado grave, mas no sábado à noite já foi capaz de dizer algumas palavras.

No sábado, Wylie disse que o escritor irá "provavelmente perder um olho", além de os nervos de um dos seus braços terem sido cortados e de ter sofrido danos no fígado.

Autor do ataque declara-se inocente

O agressor, um jovem norte-americano de origem libanesa, foi hoje presente a um juiz do estado de Nova Iorque, perante o qual se declarou "inocente" de tentativa de homicídio do escritor.

Numa audiência processual no tribunal de Chautauqua, Hadi Matar, 24 anos, acusado de tentativa de homicídio e agressão, compareceu com roupa de prisioneiro, às riscas pretas e brancas, algemado e com uma máscara de proteção individual.


A autora britânica J. K. Rowling foi ameaçada de morte no Twitter.
"Tu és a próxima". Autora de Harry Potter ameaçada de morte
JK Rowling recebeu a ameaça após lamentar o ataque a Salman Rushdie. A polícia está a investigar o caso.

Segundo a acusação, o ataque foi premeditado.

O suspeito, que vive em Nova Jersey, irá comparecer novamente em tribunal em 19 de agosto.

O ataque, visto por muitos como um ataque à liberdade de expressão, foi condenado por líderes mundiais como o Presidente norte-americano, Joe Biden, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ou o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron.

"Versículos Satânicos", o livro mais polémico do escritor

As vendas do controverso livro de Rushdie dispararam desde sexta-feira e o romance está hoje no 11.º lugar da lista de 'best sellers' da plataforma eletrónica de vendas Amazon.

Residente em Nova Iorque há 20 anos, Salman Rushdie tinha começado a retomar uma vida mais ou menos normal enquanto continuava a defender a sátira e a irreverência nos seus livros.

"Os Versículos Satânicos" são considerados pelos muçulmanos radicais como uma blasfémia contra o Alcorão e o Profeta Maomé.

(Com AFP e Lusa)

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