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Hostiles: Mais um filme sobre ódio
Quanto mais penso nisto mais me apetece matar o índio...

Hostiles: Mais um filme sobre ódio

Quanto mais penso nisto mais me apetece matar o índio...
Cultura 04.04.2018

Hostiles: Mais um filme sobre ódio

António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
António Raúl VAZ PINTO DA CUNHA REIS
“Hostiles” é daqueles filmes que entram a matar. Literalmente. Se for vê-lo, despache-se a abrir o seu pacote de batatas fritas ou de Maltesers, senão arrisca-se a espalhá-los todos no chão do cinema por causa da violência emocional do início.

Uma mãe a chorar pelo massacre de filhos é sempre impressionante e estabelece necessariamente uma ligação entre o público e uma personagem. Ninguém fica indiferente e os espectadores ficam com um amargo de boca que os influencia durante o resto da projeção.

Há muito para apreciar neste filme. Os atores são excelentes, as personagens bem construídas e a ideia essencial do filme passa sem entraves.

A ação de “Hostiles” decorre no ano de 1892 no Novo México. O capitão Joseph Blocker (Christian Bale) tem por missão transportar o chefe Yellow Hawk (Wes Studi) para o Montana. Blocker é um soldado que, durante anos, capturou membros de várias tribos no sul dos Estados Unidos. Para ele os índios são selvagens que merecem ser tratados como tal. O chefe Yellow Hawk é um inimigo pessoal do capitão, tendo assassinado vários dos seus colegas. O capitão não aceita que o índio seja libertado para viver os seus últimos dias no Montana, o seu estado de origem.

“Hostiles” é sobre o ódio e o racismo que as pessoas podem manifestar e que cresce exponencialmente em grupos. Os preconceitos, as ideias feitas, crescem e a falta de reflexão e de tolerância são problemas flagrantes. Este filme é sobre esta realidade que parece atormentar o cinema dos últimos tempos, que é, afinal, reflexo de uma sociedade cada vez mais extremista.

Pode dizer-se que a obra assinada por Scott Cooper é um “road movie”. A maior dificuldade deste tipo de filmes é manter o interesse (de preferência crescente) do público. Talvez este seja o único defeito de “Hostiles”: a primeira metade é cativante, enquanto que os derradeiros 45 minutos parecem demonstrar uma certa falta de ideias. Talvez tivesse sido uma boa ideia eliminar um pedaço desse “resto de filme” para merecer uma classificação excelente; assim fica-se “apenas” pelo muito bom.

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“Hostiles”, de Scott Cooper, com Christian Bale, Wes Studi, Rosamund Pike, Rory Cochrane, Jonathan Majors e Jesse Plemons.