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Heemwéi: Um filme caseiro
Naquele tempo, a bandeira tricolor era outra...

Heemwéi: Um filme caseiro

Naquele tempo, a bandeira tricolor era outra...
Cultura 3 min. 29.01.2014

Heemwéi: Um filme caseiro

A acção deste novo filme luxemburguês tem lugar no Verão de 1944. Há exactamente 70 anos. Alguns dos protagonistas desta época ainda vivem.

A história da Segunda Guerra Mundial não é unânime no Luxemburgo. Entre recrutados à força para as tropas alemãs e aqueles que resistiram diante dos nazis, o país esteve dividido, apesar de os seus soberanos terem assumido claramente o lado dos Aliados.

"Heemwéi" (que quer dizer "saudades de casa") não se debruça exactamente sobre a divisão entre muitos luxemburgueses, mas relembra como muitos jovens luxemburgueses tiveram de integrar o exército alemão – fosse por razões ideológicas ou por simples cansaço –, e tentaram depois abandonar as fileiras.

Jos e Frenz são dois voluntários à força que aproveitam uma oportunidade para fugirem da Wehrmacht. O risco de se tornar desertor é enorme. Apesar de os alemães estarem nesse Verão a bater em retirada, a confusão é tão grande que regressar a casa, mesmo no pequeno Grão-Ducado, é um desafio.

Entre alemães mais ou menos desorganizados e sem saberem o que fazer, americanos que se aproximam das fronteiras luxemburguesas e germânicas, e uma população que aprendeu a não confiar em ninguém, Jos e Frenz vão viver uma atribulada viagem.

O realizador de "Heemwéi", Sacha Bachim, chama a esta viagem uma odisseia e esse foi o subtítulo escolhido para o cartaz. Em entrevista, o jovem realizador e produtor disse que acha que o contexto do filme é muito luxemburguês e que os diferentes encontros que os dois protagonistas vão fazendo constituem uma verdadeira aventura.

O argumento pode contar uma odisseia mas, ao que parece, colocar o filme nos ecrãs não está longe do mesmo conceito. Aquilo que podemos agora ver nos grandes ecrãs foi rodado em 2008. E as filmagens foram concluídas graças à carolice de muitos dos participantes – mais de 200 –, na sua maioria a trabalhar gratuitamente.

Entre os actores encontra-se também o luso-descendente Nilton Martins, que desempenha o papel de um italiano luxemburguês.

O projecto surgiu num grupo de três amigos: o realizador e um dos actores, Steve Hoegener, que escreveu o argumento com Philippe Hirtz.

Os criadores reconhecem as muitas influências de filmes de guerra americanos e europeus, mas insistem que o filme é muito luxemburguês.

Para os nativos do Grão-Ducado, deve ser interessantíssimo descobrir as histórias que os avós contaram sobre as dificuldades da guerra e como era então a vida no ainda mais pequeno Grão-Ducado.

Apesar de terem meios extremamente reduzidos, os homens da Feierblumm Productions conseguem obter um nível de realismo invejável, tanto no que diz respeito aos locais escolhidos, como aos adereços e vestuário. Mesmo as cenas de tiros e bombas são bem recriadas, obtendo-se um efeito bastante realista. Quando se sabe que foram gastos apenas 25 mil euros para produzir o filme, esta virtude é ainda mais louvável.

"Heemwéi" acaba por ser um "road movie" dividido em pequenos momentos (como se de sketches se tratasse), constituindo um conjunto que, mesmo sendo irregular, nunca cansa o público que decida colocar-se na pele dos dois "miúdos" que só desejam voltar para casa depois de uma guerra forçada.

"Heemwéi", de Sacha Bachim, com Steve Hoegener, Luc Lamesch, Laurence Streitz, Michel Tereba, Nilton Martins, Marc Sascha Migge, Maximilian Stangl, Janine Horsburgh, Henri-Pierre Plais, Carole Nourry e Pitt Simon.

Raúl Reis