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Há cem anos nascia Saramago. Deu-nos Blimunda, Sete-Sóis e um Nobel
Cultura 3 min. 16.11.2022
Comemorações

Há cem anos nascia Saramago. Deu-nos Blimunda, Sete-Sóis e um Nobel

O primeiro-ministro, António Costa , ladeado pela viúva do escritor José Saramago, Pilar del Rio, à chegada para a visita à Fundação José Saramago, inserida nas comemorações do centenário do nascimento do escritor José Saramago, em Lisboa.
Comemorações

Há cem anos nascia Saramago. Deu-nos Blimunda, Sete-Sóis e um Nobel

O primeiro-ministro, António Costa , ladeado pela viúva do escritor José Saramago, Pilar del Rio, à chegada para a visita à Fundação José Saramago, inserida nas comemorações do centenário do nascimento do escritor José Saramago, em Lisboa.
Foto: LUSA
Cultura 3 min. 16.11.2022
Comemorações

Há cem anos nascia Saramago. Deu-nos Blimunda, Sete-Sóis e um Nobel

Redação
Redação
“Trata-se de tornar mais forte a vontade da paz do que a vontade da guerra”, disse António Costa, citando o autor. Marcelo leu dois excertos de “Memorial do Convento”, inspirado na construção do Palácio Nacional de Mafra.

O primeiro-ministro assinalou hoje o centenário do nascimento de José Saramago, destacando a universalidade e a intemporalidade das suas causas pelos direitos humanos e pela paz, e referiu a atual conjuntura de guerra na Ucrânia.

Acompanhado pelo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, António Costa esteve primeiro no Museu do Chiado, onde visitou a exposição “Porquê – a arte contemporânea em diálogo com José Saramago”.

Depois, numa manhã cinzenta, mas sem chuva, seguiu a pé pelas ruas da baixa de Lisboa até à Fundação José Saramago, onde participou numa sessão dedicada ao escritor, que foi aberta pela atriz Maria do Céu Guerra com a leitura de textos de Saramago.

“José Saramago faz cem anos, mas as suas histórias foram muito mais do que cem anos. Espero que alguém esteja daqui a cem anos a continuar a relembrar as palavras de José Saramago, que se multiplicaram em expressões” artísticas diversas, completou, aqui numa alusão à exposição que visitara pouco antes no Museu do Chiado.

Na sua breve intervenção, no encerramento da sessão, o primeiro-ministro procurou sobretudo realçar “a universalidade e a intemporalidade” de José Saramago, o único português a receber o Prémio Nobel da Literatura (1998).

“É por isso que aqui hoje estamos. Não é para invocar o passado, mas os cem anos que ele gostaria que todos construíssemos a partir de hoje”, defendeu.

Na perspetiva de António Costa, a capacidade do escritor de inspirar os outros foi mesmo uma das suas grandes missões.

“Ele foi muito mais do que um escritor, ele foi um homem do seu tempo, do seu mundo e do mundo com que sonhou e que achou que tínhamos todos o direito e o dever de sonhar e de procurar. Foi por isso um homem de causas”, sustentou.

Numa referência indireta à ideologia comunista de José Saramago, o líder do executivo observou que ele defendeu causas que nem todos partilham, dando como exemplo a presença naquela fundação do espólio de Vasco Gonçalves, antigo primeiro-ministro de governos Provisórios.

Mas, acrescentou António Costa logo a seguir, “defendeu causas que muitos partilham”.

“Tive a honra de ser o número três de uma lista em que José Saramago foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. E houve causas que, felizmente, todos partilham e são causas comuns à humanidade”, frisou.

Para o primeiro-ministro, “há sempre velhas desigualdades que persistem, há sempre novas formas de violar os direitos humanos e há batalhas de sempre, como, infelizmente, as batalhas pela paz – batalhas que se tornam presentes”.

Neste contexto, António Costa referiu um texto “muito bonito” que José Saramago escreveu sobre o apelo à paz País Basco, que depois se concretizou, “mas ontem [na terça-feira] caiu um míssil na Polónia e morreram duas pessoas”.

Citando Saramago, o primeiro-ministro concluiu: “Trata-se de tornar mais forte a vontade da paz do que a vontade da guerra”.

Marcelo destacou “grande ligação” entre vida e obra de Saramago

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou hoje a “grande ligação” entre a vida e obra de José Saramago, nas comemorações do centenário do seu nascimento, na Escola Secundária José Saramago, em Mafra.

“Há uma grande ligação entre a vida e obra” do escritor, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, perante uma plateia de mais de uma centena de alunos, defendendo que José Saramago “foi militante das suas causas, da sua vida e da sua obra”.

Depois de ler dois excertos do romance “Memorial do Convento”, inspirado na construção do Palácio Nacional de Mafra e que tem como personagens principais Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas, o chefe de Estado questionou os jovens sobre os motivos pelos quais o escritor deixou marca e a sua obra foi lida por tanta gente.

Marcelo Rebelo de Sousa, que contou ter sido convidado pelo escritor para o lançamento do seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, considerou que Saramago “quis escrever para ser entendido”, por isso “escreveu como se fala, numa linguagem coloquial”, sem pontos.

O Presidente da República sublinhou a “persistência”, “consistência” e “determinação do escritor e falou de como Saramago “se preparava para a escrita” das suas obras, efetuando um verdadeiro “trabalho oficinal”, para ser rigoroso em “contar a verdade” na sua história.

Incitando a ler os jovens da Escola Secundária José Saramago, em Mafra, no distrito de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “quanto mais lerem, maior é o conhecimento e a maneira de falar com os outros”.


* com Lusa

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