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Germano Almeida sente-se “óptimo” e pondera vir a escrever sobre o coronavírus
Cultura 5 min. 06.03.2020 Do nosso arquivo online

Germano Almeida sente-se “óptimo” e pondera vir a escrever sobre o coronavírus

Germano Almeida

Germano Almeida sente-se “óptimo” e pondera vir a escrever sobre o coronavírus

Germano Almeida
Foto: Lusa
Cultura 5 min. 06.03.2020 Do nosso arquivo online

Germano Almeida sente-se “óptimo” e pondera vir a escrever sobre o coronavírus

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Escritor caboverdiano esteve com Luís Sepúlveda em Portugal e foi colocado em vigilância. Garante que está bem. Outros autores que estiveram na Póvoa de Varzim com o autor chileno também partilharam o seu testemunho.

O surto do novo coronavírus e a sua propagação mundial têm levado, por mais que se tente combater, a um alarmismo global.

Muitos dos cenários a que se assiste nos noticiários - como quarentenas, cidades fechadas e desertas, racionamento da comida e supermercados vazios, médicos vestidos com fatos especiais, polícias nas ruas, etc. - já foram diversas vezes retratados na ficção. O que talvez explique, por exemplo, o facto de, sobretudo, em Itália - o país europeu mais afetado pela Covid-19 - as vendas online de livros como 'Ensaio Sobre a Cegueira', de José Saramago, e 'A Peste' terem disparado.

O escritor caboverdiano Germano Almeida também admitiu a hipótese de vir a escrever sobre a epidemia.

O autor esteve com Luís Sepúlveda em Portugal, no festival Correntes d'Escritas, na Póvoa de Varzim, e  há uma semana uma quarentena voluntária, no Mindelo,  ilha de São Vicente,  depois do escritor chileno ter sido diagnosticado com a Covid-19 logo a seguir ao evento.

Prémio Camões em 2018, Germamo Almeida diz estar “óptimo” e pensa mesmo vir a escrever sobre o Covid-19.

“Para já estou em casa, a trabalhar no terceiro volume do meu último trabalho. Mas é natural que eu venha a escrever sobre esse tema do coronavírus e da minha passagem pelo hospital”, afirmou, em entrevista à Lusa, esta quinta-feira.

Germano Almeida conta que  veio "de Portugal com gripe" e que passou algum tempo a conversar com Luís Sepúlveda, no festival da Póvoa de Varzim, porque são "amigos antigos". "Por uma questão de prevenção fizemos uma quarentena, mas por vontade própria, em casa. Mas não estou a sentir absolutamente nada. Estou óptimo”, diz o escritor, que chegou a estar 24 horas internado, em isolamento, por prevenção, no Hospital Dr. Baptista de Sousa, no Mindelo, de onde saiu na terça-feira.

Outros escritores que participaram na edição deste ano do Correntes d'Escritas também estão em quarentena voluntária e preventiva.

São os casos de João Tordo, que confirmou ter estado em isolamento social, mas apenas por precaução.

Também Francisco José Viegas está desde domingo em isolamento voluntário na sua casa, por recomendação do Serviço Nacional de Saúde e da editora Quetzal, para a qual trabalha, embora não estivesse com sintomas. O escritor, editor e ex-secretário de Estado da Cultura confirmou ter tido vários contactos com o Luis Sepúlveda e, por isso, informou as autoridades de saúde e ficou de quarentena voluntária, com a mulher, em casa.

Em quarentena voluntária tem estado igualmente o escritor José Luís Peixoto, que esta sexta-feira publicou um texto, na sua página de Facebook, onde partilha o seu testemunho.

"Não saí de casa desde que tive conhecimento do estado de saúde do Luis Sepulveda. Aproveitei para ler e escrever, foi um tempo bastante tranquilo e produtivo. Deixei as Correntes d’Escritas logo após a minha mesa, no dia 20 de fevereiro, e, por isso, terminaram ontem os 14 dias de isolamento recomendado. Estive sempre de muito boa saúde", contou.

O escritor aproveitou ainda a mensagem para alertar contra o alarmismo social que se tem instalado. "Respeito muito todas as iniciativas individuais e coletivas que procuram conter este vírus. No entanto, penso que a análise excessiva, especulativa e a cobertura de temas supérfluos é prejudicial e irresponsável. Há muitas formas de enfermidade, a paranóia é uma delas."

"Desejo rápidas melhoras para todos os doentes, tanto para os que contrairam o coronavirus, como para aqueles que estejam a sofrer com doenças menos mediáticas", concluiu. 

Teste negativo

O escritor José Alberto Postiga, natural da Póvoa de Varzim, e que reside na Suiça, passou pelo festival Correntes d’Escrita, para lançar o seu novo livro, e decidiu fazer os testes  para saber se poderia estar infetado com o coronavírus.

Através da sua página de Facebook anunciou que o resultado deu negativo e explicou o processo seguido pelas autoridades de saúde suíças.

“Sem alarme, liguei à linha de apoio que me aconselhou a contactar o hospital da minha área de residência: o Kantonspital, em Sarnen, Obwalden", começa por explicar, acrescentando que o mandaram dirigir-se ao hospital e estacionar o automóvel numa área exterior. "Quando lá cheguei, seguindo o previamente combinado, avisei por telefone. Em menos de dois minutos apareceu um par de médicos devidamente protegidos. Antes do primeiro contacto entregaram-me uma máscara através da janela do carro e só depois começou o inquérito e subsequentemente rastreio, ali mesmo, longe do edifício central".

O escritor descreveu um dos exames a que foi submetido, consistiu na introdução "por duas vezes na narina esquerda [de] uma espécie de cateter (ou cotonete gigante)". A partir daí, os médicos "recolheram as amostras necessárias para análise". 

"Cumprido o processo, por prevenção, porque estava entre o sintomático e o assintomático, mandaram-me para casa submetido a isolamento; medida estendida à minha esposa e à minha filha mais nova, até que fosse revelado o resultado do exame que viria de um laboratório de Genebra onde é feita a contraprova”.  

Ao fim de "dois dias de alguma preocupação",  José Alberto Postiga teve o resultado dos testes, que deu negativo.

"Espero agora que todos os que estiveram em contacto com o escritor Luís Sepúlveda na grande festa do livro que é o Correntes D‘Escritas cumpram os cinco dias de quarentena que restam sem dissabores, e que juntos com o Sepúlveda vençamos mais este vírus”, disse ainda-

Quanto ao autor chileno continua internado no Hospital Universitário Central das Astúrias, em Oviedo, e a sua situação clínica mantém-se grave mas estável, estando a ser tratado com um antiviral.  

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