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Francisco Sassetti: Um português na Philharmonie do Luxemburgo

Francisco Sassetti: Um português na Philharmonie do Luxemburgo

Foto:Gerry Huberty
Cultura 5 min. 10.07.2015

Francisco Sassetti: Um português na Philharmonie do Luxemburgo

Estudou música e aprendeu a tocar um instrumento, mas não é músico, apesar de a música correr nas veias de toda a família. É musicólogo, e já esteve na programação do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e na Orquestra de Jovens de Viena. Agora, aos 32 anos, Francisco Sassetti regressa ao Luxemburgo para assumir a programação do Jazz e Música do Mundo na Philharmonie.

Estudou música e aprendeu a tocar um instrumento, mas não é músico, apesar de a música correr nas veias de toda a família. É musicólogo, e já esteve na programação do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e na Orquestra de Jovens de Viena. Agora, aos 32 anos, Francisco Sassetti regressa ao Luxemburgo para assumir a programação do Jazz e Música do Mundo na Philharmonie.

Francisco Sassetti está há três meses no Luxemburgo. É um regresso ao país que o viu crescer. O novo responsável pela programação do Jazz e da Música do Mundo na Philharmonie veio para o Luxemburgo com quatro anos de idade. O pai foi dos primeiros portugueses a trabalhar nas instituições europeias em 1986, ano da adesão de Portugal à CEE, hoje União Europeia.

Depois de frequentar a Escola Europeia no Luxemburgo, Francisco Sassetti foi para Londres estudar música, e depois para Genebra, na Suíça, onde fez um mestrado em Estudos Europeus. Um percurso que acabou por desembocar em Lisboa, no CCB, ao lado de Mega Ferreira.

“Primeiro, comecei na área da Comunicação do CCB. Depois é que estive na área da programação do Centro Cultural de Belém. Curiosamente, eu comecei como jornalista nas rádios da Media Capital. Depois é que veio o CCB. Estive três anos, no tempo do Mega Ferreira, na programação do CCB, e organizava concertos que iam desde a música renascentista ao jazz, e claro, à música contemporânea”, diz Sassetti ao CONTACTO.

Francisco Sassetti fez o Conservatório no Luxemburgo, estudou piano, fez solfejo, mas não é músico, apesar de na família se respirar a música.

“Uma parte da minha família está ligada à música. O meu padrinho, o outro Francisco Sassetti, é pianista, e o meu tio, o Bernardo Sassetti, que já faleceu... É a ele que devo o gosto pelo jazz. Foi ele que me puxou para o jazz, mas a minha formação é em musicologia”, explica Sassetti ao CONTACTO. 

Antes de regressar ao Luxemburgo, o novo programador da Philharmonie esteve três anos no departamento de Comunicação da Orquestra de Jovens Gustav Mahler, em Viena.

Agora, assume um cargo de maior responsabilidade, como responsável pela programação da mais importante sala de concertos do Luxemburgo.

“A Philharmonie faz parte do grupo das salas mais importantes na Europa. São vinte e poucas salas que fazem parte da “European Concert Hall Organisation” (ECHO), que inclui as salas mais importantes da Europa. Em Portugal fazem parte da lista a Gulbenkian e a Casa da Música, no Porto. A Philharmonie está este ano a comemorar os dez anos de vida, e as pessoas do meio sabem da importância desta sala de espectáculos”, afirma Sassetti ao CONTACTO.

Sassetti não esconde as suas preferência musicais, e na hora de apontar dois ou três nomes de músicos, o novo programador da Philharmonie não tem dúvidas: Bill Evans, John Coltrane, mas também Mille Davis. Tudo homens ligados ao jazz, de que aprendeu a gostar, como já disse, com o tio Bernardo.

E a propósito de jazz, Sassetti confessa que gostava de ver mais músicos portugueses na Philharmonie.

“O jazz português é riquíssimo e pouco conhecido no Luxemburgo. Eu gostava que se pudesse mostrar na Philharmonie uma maior variedade do que se faz em Portugal. Os artistas portugueses têm sido uma constante nesta sala, sobretudo fado. Não trazer só fado, mas também fado. Seria interessante conseguirmos um equilíbrio maior entre géneros de enorme qualidade que há em Portugal, e músicos portugueses, e apresentá-los na Philharmonie. Eu gostaria de alargar o leque de oferta, não porque são projectos portugueses, mas porque são projectos de valor internacional. Não são só bons em Portugal, ou no Luxemburgo, mas em qualquer parte do mundo”, explica Sassetti ao CONTACTO.

Neste momento Francisco Sassetti já está a trabalhar na preparação da temporada de 2016/2017, a primeira programação da sua inteira responsabilidade.

“Eu quero fazer uma programação que seja o reflexo do cosmopolitismo, que é real, do Luxemburgo. Este país é pequeno, mas imensamente multicultural e cosmopolita. O Luxemburgo é um país de confluências de nacionalidades, sobretudo europeias, mas não só – há também uma grande comunidade cabo-verdiana –, e a Philharmonie tem que ser, pelo menos nas minhas áreas, um reflexo dessas confluências. Temos de ser abertos ao país e à cidade, a todas as nacionalidades presentes no país, uma vez que só na capital há mais de 60% de estrangeiros”, afirma Sassetti.

As vendas de bilhetes para a próxima temporada já estão à venda. A pedido do CONTACTO, o novo programador destaca alguns concertos da próxima “saison”.

“Como eu gosto de jazz começo por aqui... Nesta área gostava de destacar a banda “Jazz at Lincoln Center Orchestra”, com o Wynton Marsalis. Na área do jazz, este é capaz de ser o concerto mais vistoso, exactamente pela vinda de Wynton Marsalis. Na Música do Mundo, eu vou fugir ao óbvio: a Mariza (em Novembro) e o Gilberto Gil (em Maio de 2016) vão estar na Philharomonie, mas há um trio do “Eric Bibb & Habib Koité”... É um grupo que tem que ver com o ’blues’ do Mali e com a grande voz do Eric Bibb, e do Habib Koité, que mistura o ’blues’ à grande tradição de música do Mali. É um destaque fora do nosso universo lusófono, mas que vai ser um grande concerto a 19 de Novembro”.

Francisco Sassetti regressa ao Luxemburgo 15 anos depois de ter deixado o país. As diferenças entre o Luxemburgo de então e o de agora são muitas.

“O país mudou muito. No aspecto cultural, por exemplo, tem sido feito um investimento muito explícito por parte do estado. A Philharmonie é uma das concretizações mais notáveis desse investimento, mas também o Mudam e muitas outras instituições pelo país. Dudelange, Ettelbruck, Esch-sur-Alzette... Todas estas cidades têm uma sala de concertos, um auditório com uma boa programação, o que para uma país com pouco mais de 500 mil habitantes é notável”.

E conclui: “Não havia nada disto há quinze anos. Havia concertos de jazz e de música clássica no Conservatório, mas para grandes concertos a nível internacional, ou íamos aos festivais, como o de Wiltz, ou tínhamos que ir a Metz. Hoje o Luxemburgo é o centro cultural da zona, não só da Grande Região, mas da Europa”.


Domingos Martins


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