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Foxcatcher: Mentes estranhas
Cultura 2 min. 28.01.2015 Do nosso arquivo online

Foxcatcher: Mentes estranhas

O meu fato de treino é da cor das minhas taças: dourado

Foxcatcher: Mentes estranhas

O meu fato de treino é da cor das minhas taças: dourado
Cultura 2 min. 28.01.2015 Do nosso arquivo online

Foxcatcher: Mentes estranhas

Baseado numa história real, “Foxcatcher” não se limita a recriar a sequência de factos que levaram um milionário norte-americano a cometer um crime brutal e aparentemente inexplicável. O drama psicológico do realizador Bennet Miller torna este retrato extremamente interessante, assinando um dos filmes mais excepcionais do ano, e a presença nas nomeações para os Óscares.

Baseado numa história real, “Foxcatcher” não se limita a recriar a sequência de factos que levaram um milionário norte-americano a cometer um crime brutal e aparentemente inexplicável. O drama psicológico do realizador Bennet Miller torna este retrato extremamente interessante, assinando um dos filmes mais excepcionais do ano, e a presença nas nomeações para os Óscares.

O enredo aposta forte no trio de protagonistas: “Foxcatcher” relata a relação conflituosa entre os lutadores campeões olímpicos Mark (Channing Tatum) e Dave Schultz (Mark Ruffalo), e o excêntrico John Eleuthère Du Pont (Steve Carell), um milionário que decide construir um centro de treino. Du Pont está obcecado com a ideia de fazer campeões e dedica-se a isso de forma quase doentia.

Mas em “Foxcatcher” há sempre algo que não é dito sobre as personagens, como se elas estivessem sempre envoltas numa bruma pesada que nos impede de observar toda a sua complexidade.

Essa dúvida que persegue o espectador é construída como um jogo de escondidas, conseguido graças a um argumento muito preciso. O enredo nada deixa transparecer, não faz concessões ao espectador e acredita sempre que o público é suficientemente esperto para entender o que não é óbvio.

Os argumentistas, E. Max Frye e Dan Futterman, não utilizam grandes clímaxes e muito menos reviravoltas. “Foxcatcher” é um filme com uma narrativa quase sem variações. O que vemos ao longo do filme é um relato de como o poder envenena as relações pessoais e como pode interferir no nosso comportamento.

“Foxcatcher” é um filme de grandes personagens. O realizador Bennett Miller consegue contar com grande brio a história dessas figuras fortes e consegue colocar o espectador como testemunha, envolvendo-o inevitavelmente nos acontecimentos.

Mas são as actuações o que Foxcatcher tem de mais brilhante, com destaque absoluto para Steve Carell, merecidamente nomeado para o Óscar de melhor actor.

Carell, que é conhecido pelos seus trabalhos de comédia ligeira, assina em “Foxcatcher” o seu melhor trabalho no cinema. O actor debita uma série de expressões que vão de confusão a súplica, acompanhadas de trejeitos que muito ajudam na construção psicológica de uma personagem tão complexa.

Channing Tatum, preciso e convincente, mostra que pode ir além dos seus heróis destinados a adolescentes. Mark Ruffalo, além da habitual competência, apresenta um trabalho corporal impressionante.

O filme ainda ganha mais corpo com o trabalho marcante de fotografia. Entre paisagens solitárias e imagens carregadas de símbolos, Greig Fraser aprofundou o retrato das personalidades de cada um dos protagonistas.

“Foxcatcher” é um filme sobre um crime, mas é sobretudo uma obra sobre as distintas formas de estar na vida. As mensagens que transmite permitem tantas interpretações que nunca cansa nem desinteressa. Filmado num tom “distante”, muitas vezes deprimente, mas subtil, este é um excelente trabalho de um realizador que se revela maior em cada novo filme.

Raúl Reis

“Foxcatcher”, de Bennett Miller, com Channing Tatum, Steve Carell, Mark Ruffalo, Anthony Michael Hall, Sienna Miller e Vanessa Redgrave.


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